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Silêncio de Trump: Casa Branca ainda não reconheceu a vitória de Lula

Governos da América Latina, da Europa e da Ásia já cumprimentaram Lula. Washington, que reconheceu rápido os vencedores de 2002 a 2022, segue calado até agora.

Lula e Trump sorrindo em encontro na Casa Branca, no contexto do silêncio de Trump sobre a eleição
Lula e Trump sorrindo em encontro na Casa Branca, no contexto do silêncio de Trump sobre a eleição

O silêncio de Trump sobre a vitória de Lula é o assunto do dia entre diplomatas. Até a manhã desta segunda-feira (26), a Casa Branca não havia reconhecido publicamente a reeleição do presidente brasileiro, enquanto governos de vários países já tinham mandado cumprimentos. Não há explicação oficial para a demora, e a Folha não encontrou nenhuma declaração de Trump ou do Departamento de Estado sobre o resultado.

Lula (PT) foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de 4.430.191 votos com 100% das seções totalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O resultado completo pode ser conferido no painel oficial do TSE.

O que se sabe sobre o silêncio de Trump

Há pouca coisa confirmada. Até a manhã de segunda-feira, nem Trump nem a Casa Branca tinham publicado mensagem de parabéns ou de reconhecimento do resultado brasileiro. O presidente argentino, Javier Milei, aliado de Trump, também não havia se manifestado.

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Os cumprimentos, por outro lado, vieram de governos de todas as correntes. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, próximo de Trump, foi um dos primeiros a reconhecer o resultado. O chileno José Antonio Kast, amigo de Flávio, disse ter telefonado a Lula. Também se manifestaram a presidente do México, Claudia Sheinbaum, o uruguaio Yamandú Orsi, a peruana Keiko Fujimori, o francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez e os governos da China e da Rússia.

Uma tradição que Washington costumava cumprir

Nas eleições brasileiras anteriores, a resposta americana veio rápido. Em 2002, George W. Bush telefonou a Lula pouco depois da eleição. Em 2014, Barack Obama ligou para Dilma Rousseff no dia seguinte à votação. Em 2018, o próprio Trump telefonou a Jair Bolsonaro na noite do segundo turno. Em 2022, Joe Biden parabenizou Lula antes mesmo de Bolsonaro admitir a derrota.

Isso não quer dizer que o reconhecimento americano seja necessário. Quem proclama o vencedor de uma eleição no Brasil é o TSE, e nenhuma lei brasileira exige o aval de governo estrangeiro. O gesto é simbólico: sinaliza que um país aceita o resultado e pretende seguir negociando com o governo eleito.

Lula e Trump no Salão Oval, em maio, antes do silêncio de Trump sobre a eleição
Lula e Trump na Casa Branca, em 7 de maio. Foto: Ricardo Stuckert/PR.

A relação entre Lula e Trump até aqui

O histórico recente dá peso ao silêncio. Lula esteve na Casa Branca em 7 de maio. No fim do mesmo mês, Trump recebeu Flávio e Eduardo Bolsonaro no Salão Oval, e o Departamento de Estado anunciou a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, medida que o senador disse ter pedido pessoalmente. Desde julho, produtos brasileiros pagam uma tarifa de 25% nos Estados Unidos, o chamado tarifaço, tema que a Folha mostrou na sabatina em que Lula disse apostar em um acordo.

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Na sabatina, Lula descreveu a relação com Trump como civilizada, depois de um começo difícil, e contou que os dois já fizeram três reuniões. No discurso da vitória, ele defendeu uma política externa independente e disse que o Brasil não aceita ser “quintal de ninguém”.

Por que o gesto de Trump pode pesar na disputa de Flávio

O reconhecimento americano também importa para a política interna. Na noite de domingo, Flávio não reconheceu o resultado e anunciou que vai pedir a anulação da eleição na Justiça. O Código Eleitoral só manda refazer a votação quando a nulidade atinge mais da metade dos votos do país, um cenário distante diante dos 4,4 milhões de votos de diferença. Mesmo assim, uma posição de Trump, num sentido ou no outro, seria lida pelo campo bolsonarista como sinal.

Um boato já circula nesse vácuo. Uma publicação nas redes afirma que Eduardo Bolsonaro estaria articulando com Marco Rubio um pedido de investigação internacional da eleição. A Folha apurou e não encontrou registro de reunião, pedido ou investigação. Sobre a possibilidade de Flávio deixar o país, também só Eduardo falou em saída, e antes da eleição.

O que muda para o Brasil e para Patrocínio

Por ora, o governo Lula segue com as negociações do tarifaço e com a posse marcada para janeiro. Falta saber o tom da relação com Washington nos próximos meses. Em Patrocínio (MG), onde Flávio teve 62,69% dos votos, o resultado por escola e o placar nacional estão na apuração da Folha.

A Folha atualiza esta matéria assim que Trump ou a Casa Branca se manifestarem sobre a vitória de Lula.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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