Eduardo Bolsonaro e Rubio: não há confirmação de pedido de investigação na eleição
Publicação anônima diz que o ex-deputado pediria investigação internacional a Trump; a Folha não achou confirmação, e o TSE informou testes das urnas sem divergência.

Uma publicação que circula nas redes sociais afirma que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, estaria articulando com integrantes do governo de Donald Trump, entre eles o secretário de Estado Marco Rubio, um pedido de investigação internacional sobre suspeitas de fraude na eleição brasileira. Eduardo Bolsonaro e Rubio, no entanto, não aparecem juntos em nenhuma confirmação independente: até a publicação desta matéria, a Folha não encontrou registro de reunião, de pedido ou de investigação, e o próprio texto que circula admite que não há confirmação.
O que circula nas redes
O texto diz que a articulação teria como motivação a derrota de Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Eduardo, no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que a intenção seria levar às autoridades americanas questionamentos sobre a condução do processo eleitoral. Ele usa o verbo no condicional, “estaria”, e não cita documento, data de reunião nem declaração de quem quer que seja. Na versão em imagem que circula com a palavra “urgente”, o condicional virou afirmação: “vai fazer reunião”.
Essa mudança de tom é o primeiro ponto de atenção. Uma frase que no texto é hipótese vira, no cartaz, fato anunciado. A Folha não reproduz a imagem, que traz a marca de outro veículo e texto sobreposto, e não identifica a origem da publicação porque não conseguiu confirmá-la.
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Até a publicação desta matéria, a Folha não encontrou nenhuma declaração do Departamento de Estado dos Estados Unidos, de Marco Rubio ou da Casa Branca sobre um pedido de investigação da eleição brasileira. Também não encontrou manifestação de Eduardo Bolsonaro sobre o assunto, nem petição apresentada por ele ou por outra pessoa a algum órgão americano ou internacional. Não há, portanto, reunião confirmada, pedido formal ou apuração aberta.
O que existe de documentado é anterior ao boato. Em maio de 2026, Trump recebeu Flávio e Eduardo Bolsonaro no Salão Oval, em foto divulgada pelo próprio presidente americano. E Eduardo já questionou publicamente a confiabilidade das urnas brasileiras: em uma transmissão ao vivo em 23 de julho, ao lado do consultor argentino Fernando Cerimedo, disse ser “impossível auditar” os equipamentos, segundo a cobertura da época.

O que o TSE diz sobre as urnas
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que o teste de integridade do segundo turno, feito no domingo (25), comparou 389 votos em cédulas de papel com os registrados pelas urnas e não encontrou divergência, resultado igual ao do primeiro turno, em 4 de outubro. O tribunal também informou que o teste de autenticidade confirmou que o programa das urnas é o mesmo que foi auditado e lacrado, sem alteração. Os testes são por amostragem e tiveram acompanhamento do Tribunal de Contas da União (TCU), que deve entregar um relatório consolidado ao TSE em até 30 dias depois do segundo turno.
Segundo a Justiça Eleitoral, não há registro de fraude comprovada no sistema eletrônico de votação. O resultado oficial, com 99,99% das seções apuradas, às 22h45, deu a Lula 64.255.891 votos (51,79% dos válidos) e a Flávio Bolsonaro, 59.825.984 (48,21%), uma diferença de 4.429.907 votos, segundo o TSE. Os números oficiais, seção por seção, estão no portal de resultados do TSE.
Alpha for MenO que o próprio Flávio disse, e o que não disse
Na noite de domingo, Flávio afirmou que vai pedir a anulação da eleição e chamou o resultado de “sacanagem”, como a Folha mostrou na matéria sobre o pedido de anulação. Os argumentos dele foram três: a prorrogação da votação até as 19h decidida pelo ministro Cristiano Zanin, as urnas que já estavam fechadas e não foram reabertas, e a retirada de fiscais do PL das salas de totalização. A Folha não conseguiu confirmar a retirada dos fiscais, e o TSE não se manifestou sobre ela.
Nessa fala, Flávio não usou a palavra fraude e não mencionou Eduardo nem os Estados Unidos. A sequência da prorrogação, com o esclarecimento de Zanin e a reação do TSE, está na reportagem sobre as urnas desligadas às 17h, e o que Dino e Zanin disseram sobre a Justiça na eleição está em Dino e Zanin. A apuração geral está na página de apuração em tempo real da Folha.
Como conferir um boato como este
Para uma alegação desse tipo, a confirmação precisa vir de fonte primária: uma nota do Departamento de Estado ou da Casa Branca, uma declaração do próprio Eduardo Bolsonaro, uma petição protocolada em tribunal. Compartilhamento de cartaz, ainda que numerado e com selo de “urgente”, não substitui nenhuma dessas fontes. Se alguma delas aparecer, a Folha atualiza esta matéria com a data e a hora da confirmação. Por ora, o que se pode afirmar é o seguinte: o boato existe, não tem confirmação independente, e os testes oficiais das urnas não apontaram divergência.
Foto de capa: Eduardo Bolsonaro em discurso no plenário da Câmara dos Deputados, em 2023 (arquivo). Foto: Câmara dos Deputados.
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