Deltan e o sigilo de Lula: escalado por Flávio, ex-procurador diz que “da última vez” Lula foi parar na cadeia
Campanha de Lula entregou ao TSE a autorização para abrir oito anos de dados dele, de Janja e dos filhos; Flávio chegou sem a sua e diz que só entrega depois da análise.

Atualização, 22/10, 15h: A advogada de Flávio, Maria Cláudia Bucchianeri, disse na saída do TSE que a campanha vai entregar sem restrição tudo o que Lula pediu: “Absolutamente tudo aquilo que foi pedido na petição do presidente Lula a campanha de Flávio vai oferecer sem nenhuma reserva”. Ela resumiu a disputa assim: “O desafio foi lançado e o desafio foi aceito”. Deltan acompanhou a entrevista, ao lado dela.
Deltan e o sigilo de Lula estão de novo no mesmo caso nesta quinta-feira (22), a três dias do segundo turno. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) escalou o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) para examinar os documentos que a defesa do presidente entregou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, para autorizar a abertura dos dados bancários, fiscais e telefônicos dele e da família.
Na chegada ao tribunal, cercado de microfones, o ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba resumiu a tarefa assim: “Da última vez que eu analisei os sigilos de Lula, Lula foi parar na cadeia”. A frase está no vídeo abaixo.
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Deltan tratou a abertura dos dados como uma “oportunidade de resgatarmos a Lava Jato”. Chamou Lula de “especialista” em esconder patrimônio e disse que o país tem direito a “transparência completa”. O trabalho, segundo ele, tem duas etapas. Primeiro, conferir se os papéis entregues estão completos. Depois, procurar sinais de enriquecimento ilícito e de ocultação de bens do presidente, dos parentes, de pessoas próximas e das empresas ligadas a ele.
Em nota, a campanha de Flávio afirmou que cada extrato e relatório será revisado “com rigor, independência e sem concessões” e que nenhuma promessa de transparência deve ser tratada como prova antes de os fatos serem analisados. Até o início da tarde, a campanha de Lula não tinha se manifestado em público sobre a escolha de Deltan.
O que a campanha de Lula entregou ao TSE
A autorização cobre os últimos oito anos e inclui Lula, a primeira-dama Janja Lula da Silva, os cinco filhos do presidente e a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações. O primeiro pedido foi protocolado na terça-feira (20), como a Folha mostrou em Sigilo de Lula: pedido ao TSE inclui Janja e os filhos, e tem como relator o ministro André Mendonça.
Entregar a papelada não abre o sigilo automaticamente. A liberação dos dados depende de decisão da Justiça Eleitoral sobre como e para quem as informações serão mostradas, e até a publicação desta matéria não havia decisão sobre isso. O coordenador da campanha de Lula, o senador Camilo Santana (PT-CE), disse que o presidente aceita as exigências do adversário: “O presidente da República não tem absolutamente nada a se opor em relação a tudo o que ele colocou como condicionantes”.
Alpha for MenFlávio chegou ao tribunal sem os próprios documentos
As duas campanhas tinham até as 11h desta quinta para responder ao TSE. A advogada de Flávio, Maria Cláudia Bucchianeri, chegou sem a autorização do senador e condicionou a entrega à análise do material de Lula. “Se eles trouxerem tudo, a gente traz. Primeiro vou ver se ele trouxe”, disse. Ela garantiu que o candidato vai cumprir a parte dele: “Não há nenhuma possibilidade de recuo. Vamos trazer e será bastante rápido”.
Horas depois, as duas campanhas protocolaram uma petição conjunta em que aceitam os termos uma da outra e pedem que a abertura dos sigilos seja “imediata, total e simultânea”. O documento fixa as 23h59 desta quinta como prazo para as autorizações e pede ao ministro André Mendonça que os dados saiam no mesmo dia, num site de acesso público. Os detalhes do acordo estão em Sigilos no TSE: Lula e Flávio têm até 23h59 de hoje.
Na quarta-feira (21), Flávio protocolou uma petição em que autoriza a abertura de 20 anos de dados dele, mas impõe uma lista de condições, como a Folha detalhou em Flávio aceita desafio de Lula e autoriza 20 anos de sigilos. A defesa quer que o período de Lula comece em 2003 (“pedimos que seja além de oito anos”) e cobra dados de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e do cartão corporativo da Presidência. Sobre os celulares, Bucchianeri afirmou: “Oferecer um telefone que nunca foi usado é não oferecer nada”.
Os dados de Lulinha já tinham voltado ao centro da campanha nesta semana, com os extratos da CPMI do INSS, tema de Extratos de Lulinha: os R$ 19,5 milhões de 2022 a 2026.

Da Lava Jato ao Senado
Deltan coordenou a força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal em Curitiba. Lula foi condenado em 2017 no caso do triplex do Guarujá, preso em abril de 2018 e solto em novembro de 2019, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a prisão após condenação em segunda instância. Em 2021, o STF anulou as condenações por entender que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para julgar os casos e declarou Sergio Moro parcial no processo do triplex.
Deltan deixou o Ministério Público em 2021, foi eleito deputado federal em 2022 e teve o mandato cassado pelo TSE em maio de 2023. Em 4 de outubro deste ano, foi eleito senador pelo Paraná com apoio de Flávio e de Moro, como mostra o resultado dos senadores eleitos no Paraná, mas a candidatura dele ainda depende de julgamento de recurso no TSE. No domingo (18), os dois ocuparam a primeira fila de Flávio no debate da Band, como a Folha registrou em Moro e Deltan no debate.
O que acontece até domingo
O segundo turno é neste domingo (25). Até lá, falta saber se a autorização de Flávio chega dentro do prazo, o que Deltan vai apontar no material de Lula e quando o ministro André Mendonça manda divulgar os dados. Nesta sexta-feira (23), os dois candidatos têm o último debate, na TV Globo, assunto de Debate da Globo: Lula confirma presença.
Os números da reta final estão em Pesquisas do segundo turno. No domingo, a Folha acompanha a contagem dos votos em Apuração em tempo real, com o resultado de Patrocínio. As regras da disputa estão no site do Tribunal Superior Eleitoral.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






