Cleitinho sinaliza neutralidade na disputa pela presidência da ALMG
Cinco deputados reeleitos já se movimentam pela cadeira de Tadeu Leite, que vai para o TCE. PL e PT somam 36 das 77 vagas, menos da metade da Casa.

O governador eleito de Minas, Cleitinho Azevedo (Republicanos), deve ficar fora da briga pela presidência da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais). Segundo relatos de deputados que conversaram com ele, Cleitinho avisou que não vai pedir voto a nenhum candidato na eleição da nova Mesa Diretora, marcada para 1º de fevereiro de 2027, o primeiro dia da próxima legislatura.
Pelo mesmo relato, o governador eleito pretende acompanhar a orientação do atual presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), e respeitar o resultado do plenário. A Folha não encontrou declaração pública de Cleitinho sobre o assunto até a publicação desta reportagem. Por enquanto, a posição dele circula só nos bastidores da Assembleia.
Se a neutralidade se confirmar, a escolha fica inteira com os 77 deputados estaduais eleitos em 4 de outubro. E a corrida já começou: PL e PT, as duas maiores bancadas, têm nomes em movimento, enquanto PSD e PP aparecem entre os cotados.
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O PL elegeu 21 deputados estaduais e terá a maior bancada da Casa. Dois nomes do partido sinalizaram interesse na cadeira: Sargento Rodrigues, reeleito com 103.311 votos, e Bruno Engler, o deputado estadual mais votado de Minas em 2026, com 675.940 votos, segundo o resultado oficial do TSE.
No PT, dono da segunda maior bancada, com 15 cadeiras, quem se mexe é Ulysses Gomes, líder do bloco de oposição na Assembleia, reeleito com 77.015 votos. Também aparecem como cotados para a sucessão João Magalhães (PSD), que teve 102.469 votos, e Doorgal Andrada (PP), com 100.333. Os cinco foram reeleitos e estarão na legislatura que começa em fevereiro.
Entre os deputados, circula a avaliação de que a presidência da ALMG não deveria ficar com alguém do PL ou do PT, os dois partidos que concentram a polarização. O argumento, segundo relatos de parlamentares, é que um presidente de um dos polos deixaria o plenário mais conturbado, com discussões ideológicas frequentes. A conta das cadeiras ajuda a entender a tese: juntos, PL e PT somam 36 dos 77 deputados, menos da metade da Casa.

Por que a cadeira de Tadeu Leite vai vagar
Tadeu Leite comanda a Assembleia desde 2023 e não disputou a eleição de outubro. Em fevereiro, ele se candidatou à vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), aberta com a aposentadoria de Wanderley Ávila, e foi o único concorrente, segundo a própria ALMG. O plenário aprovou a indicação em 4 de março. Na ocasião, ele disse que terminaria o mandato na presidência, que vai até 31 de janeiro de 2027, e só depois assumiria o tribunal.
Alpha for MenA saída abre a primeira troca no comando da Casa em quatro anos, logo na largada de um governo novo. Quem preside a Assembleia monta a pauta do plenário e dita o ritmo de votação dos projetos, inclusive os enviados pelo governador. Por isso, quem senta na cadeira interessa diretamente a qualquer governador.
O governo que chega em janeiro
Cleitinho venceu no primeiro turno, com 55,40% dos votos válidos (6.321.590 votos), e toma posse em 6 de janeiro de 2027, data que a Emenda Constitucional 111, de 2021, fixou para os governadores eleitos a partir deste ano. O partido dele, o Republicanos, elegeu 4 dos 77 deputados estaduais. O irmão do governador eleito, Eduardo Azevedo (PL), foi reeleito com 165.936 votos.
A relação com a Assembleia deve pesar já nos primeiros meses. O próximo governo herda as contas apertadas do estado, como a Folha mostrou na reportagem sobre o caixa curto em janeiro e os salários dos servidores de Minas. Nesta semana, Cleitinho também recebeu da Fiemg o Pacto por Minas, com propostas que vão de terras raras a um fundo fiscal. Parte delas dependeria de aprovação na Assembleia.
Em Patrocínio, votação acima da média
Em Patrocínio (MG), Cleitinho teve 71,47% dos votos válidos para governador no primeiro turno, ou 34.144 votos, 16 pontos acima do resultado dele no estado. A distribuição completa está na reportagem sobre em quem Patrocínio votou para governador e senador. Os números de cada deputado citado aqui estão no painel de resultados do TSE.
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