Cleitinho passa mal e vai ao hospital após discurso contra Simões no Senado
Equipe do governador eleito fala em pico de pressão e aumento dos batimentos. No plenário, ele pediu que Simões não "faça sacanagem" na transição em Minas.

Cleitinho passa mal depois de atacar o governador no Senado. O governador eleito de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), foi levado a um hospital em Brasília nesta quinta-feira (15), pouco depois de subir à tribuna do Senado para cobrar o governador Mateus Simões (PSD). Segundo a equipe do senador, ele teve um pico de pressão arterial, com aumento da frequência cardíaca, e ficou em observação. Até a publicação desta matéria, o hospital não havia divulgado boletim médico.
O fato de Cleitinho passar mal no mesmo dia em que leva a briga da transição ao plenário interessa diretamente a Patrocínio (MG): foi aqui que ele teve uma das votações mais fortes do estado no primeiro turno, com 71,47% dos votos válidos.
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As informações sobre o estado de saúde vêm da equipe do senador. Ela relatou a alta da pressão e dos batimentos e disse que Cleitinho seguia em observação numa unidade da capital federal, sem dizer qual. Não houve, até agora, nota do hospital, previsão de alta nem informação sobre exames. A Folha atualiza o texto quando houver boletim.
Durante o discurso, transmitido pela TV Senado, o tom foi de cobrança e de desabafo. Segundo relatos de quem acompanhou a sessão, o senador se emocionou na tribuna.
O que Cleitinho disse a Simões no plenário
O recado foi direto ao governador, a quem Cleitinho disse ter respeito. “Eu espero que você não faça sacanagem comigo, com todo o respeito. Porque fazer sacanagem comigo não é comigo. Você está fazendo sacanagem com o povo”, afirmou. Na mesma fala, pediu que Simões deixasse de lado “a vaidade” e “a raiva” porque, nas palavras dele, a eleição já passou.
O senador lembrou que Simões disse, na campanha, ter medo de entregar o estado a ele, e rebateu a crítica sobre preparo. “Preparo não é só diploma. Preparo é sabedoria, é humildade. Está faltando pra você”, disse. Simões é advogado e professor de Direito.
Alpha for MenCleitinho também citou as contas do estado. Segundo ele, o governo atual fala agora em um déficit de quase R$ 10 bilhões e em falta de dinheiro para pagar os servidores em janeiro. O senador afirmou que vai assumir em 6 de janeiro, que pretende fazer auditoria nos contratos do estado e que vai governar “para todos, inclusive para você”, numa referência ao governador. Ele ainda reclamou de ter mandado mensagem a Simões depois da eleição e de ter ouvido que o encontro ficaria para as reuniões de transição.

Cleitinho passa mal no auge de uma transição marcada pelas contas de Minas
O discurso é o capítulo mais duro de uma transição que já vinha tensa. Na quarta-feira (14), o vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), disse que a equipe de transição pediu por escrito ao governo os números do déficit previsto para 2027, como a Folha mostrou na matéria em que Falcão cobra de Simões os números das contas de Minas. A dúvida sobre o caixa de janeiro também já tinha aparecido no texto sobre o risco para os salários dos servidores de Minas.
No mesmo dia do discurso, a Fiemg entregou ao governador eleito uma lista de propostas para o próximo mandato, que vai de terras raras a fundo fiscal, como registrado na reportagem sobre o Pacto por Minas. A Folha não localizou, até a publicação, resposta de Simões ao discurso.
Patrocínio deu a Cleitinho votação acima da média
Cleitinho foi eleito no primeiro turno, em 4 de outubro, com 55,4% dos votos válidos em Minas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em Patrocínio, o resultado foi bem maior, como mostra o levantamento em quem Patrocínio votou para governador e senador. Na campanha, ele passou pela cidade com carreata, criticou os pedágios das rodovias mineiras e falou do hospital, como registrou a cobertura de Cleitinho em Patrocínio.
Por isso, a notícia de que Cleitinho passa mal e o estado de saúde do governador eleito e o rumo da transição são acompanhados de perto por aqui. A Folha atualiza esta matéria assim que a equipe do senador ou o hospital divulgarem novas informações.
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