O prefeito de Riachinho condenado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) é Neizon Rezende da Silva, considerado culpado pelo crime de concussão, previsto no artigo 316 do Código Penal, que trata da exigência de vantagem indevida no exercício da função pública. O julgamento aconteceu em 26 de agosto, na 3ª Câmara Criminal do TJMG, sob relatoria da desembargadora Fortuna Grion.

Também foram condenados pelo mesmo crime o vice-prefeito José Adelon Gonçalves da Mata e o diretor de serviços Marcos Aurélio Silva. Um quarto réu, Geraldo Luiz Pereira, foi condenado por falso testemunho, artigo 342 do Código Penal.

Neizon Rezende da Silva, prefeito de Riachinho, condenado pelo TJMG por concussão
Neizon Rezende da Silva, prefeito de Riachinho. Foto: reprodução/redes sociais

Como o esquema funcionava, segundo o Ministério Público

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, os três principais réus teriam exigido do empresário Wallas Luiz de Oliveira, prestador de serviços de internet à Prefeitura de Riachinho, o pagamento mensal de R$ 2 mil para manter o contrato de sua empresa com o município. Os pagamentos teriam ocorrido entre março e novembro de 2021, somando cerca de R$ 18 mil.

A vítima gravou conversas, áudios e vídeos usados como prova no processo. A defesa dos réus alegou que os valores se referiam a um empréstimo particular, mas a versão não convenceu os desembargadores da 3ª Câmara Criminal.

O crime de concussão é diferente do de corrupção passiva: na concussão, o agente público exige a vantagem, usando o cargo como forma de constrangimento, enquanto na corrupção passiva basta que ele aceite algo oferecido espontaneamente por outra pessoa. Foi essa exigência unilateral, segundo o Ministério Público, que caracterizou a conduta do prefeito de Riachinho e dos outros dois condenados pelo mesmo crime.

Penas e efeitos da condenação do prefeito de Riachinho

Neizon Rezende da Silva, José Adelon Gonçalves da Mata e Marcos Aurélio Silva foram condenados, cada um, a 5 anos, 2 meses e 6 dias de reclusão em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 23 dias-multa. Geraldo Luiz Pereira recebeu pena de 2 anos em regime aberto pelo falso testemunho; por preencher os requisitos legais, a pena privativa de liberdade dele foi substituída por prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária.

O acórdão do TJMG também decretou a perda do mandato de prefeito de Neizon Rezende da Silva e a perda de eventuais cargos ou funções públicas ocupadas por José Adelon e Marcos Aurélio. Os três condenados por concussão ficam ainda inelegíveis desde a condenação até 8 anos após o cumprimento integral da pena, além de terem os direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da sentença. Com o trânsito em julgado, o Tribunal Regional Eleitoral e o Tribunal Superior Eleitoral serão comunicados para efetivar a suspensão e o registro de inelegibilidade, e a guia de execução penal seguirá para a comarca de Bonfinópolis de Minas.

O que diz a defesa do prefeito de Riachinho

Em nota, Neizon Rezende afirmou ter recebido a decisão “com surpresa” e informou que vai recorrer. Segundo ele, os fatos apurados são de 2021 a 2024, ainda na gestão anterior, e não afetam o mandato atual, iniciado em 2025. O prefeito sustenta que o TJMG não apontou ato ilícito cometido por ele nem prova de que tivesse conhecimento das irregularidades, e que a responsabilização se deu em razão do cargo que ocupava. Ele diz confiar na Justiça e reafirma compromisso com o município.

A decisão é de segunda instância, cabe recurso e ainda não há trânsito em julgado. Neizon Rezende também preside atualmente a Associação dos Municípios do Noroeste de Minas (Amnor-MG).

Riachinho fica na região Noroeste de Minas, a cerca de 400 km de Patrocínio, e tem cerca de 6,9 mil habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE. O caso do prefeito de Riachinho já vinha sendo acompanhado desde 2023, quando a Justiça determinou o afastamento cautelar de Neizon Rezende e do vice-prefeito por 180 dias, ainda durante a investigação do mesmo episódio.

A Folha de Patrocínio apurou o caso a partir de publicação do Portal Paracatu e de reportagem do Sputnik Voz do Povo, e segue acompanhando os desdobramentos junto às fontes oficiais. Mais casos da editoria de Política podem ser conferidos aqui no site.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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