Lula lidera em uma única região do país. A pesquisa Veritá divulgada neste sábado (6) mostra o petista à frente apenas no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece na liderança nas outras quatro, em alguns casos com folga de mais de dez pontos.
Na média nacional do primeiro turno, o quadro é outro: Flávio Bolsonaro soma 38,9% e Lula, 38,4%. Meio ponto separa os dois. Como o levantamento trabalha com margem de erro de 2,0 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro, com 12,4%.
O que a pesquisa Veritá mostra em cada região
O melhor desempenho de Flávio Bolsonaro está no Sul, com 46,5%, contra 33,8% de Lula e 12,4% de Cury. No Centro-Oeste, o senador marca 44,6%, ante 33,2% do petista e 6,9% de Cury, o pior índice do candidato do Avante em todo o país.
No Norte, Bolsonaro tem 43,4%, Lula 33,5% e Cury 15,8%, seu melhor resultado regional. No Sudeste, região que concentra o maior colégio eleitoral do Brasil e onde fica Patrocínio, o placar é de 43,1% para Bolsonaro, 34,8% para Lula e 12,0% para Cury.
No Nordeste o resultado se inverte. Lula registra 49,1% das intenções de voto, quase o dobro dos 25,9% de Flávio Bolsonaro. Cury fica com 12,7%.
A conta que sustenta o empate nacional
Na pesquisa Veritá, a distância entre o primeiro e o segundo colocado varia de 8,3 pontos no Sudeste a 12,7 pontos no Sul, sempre a favor de Flávio Bolsonaro. No Nordeste, a vantagem de Lula chega a 23,2 pontos, quase o dobro da maior folga que o adversário consegue em qualquer região.

Essa concentração explica por que o empate técnico se mantém na média nacional mesmo com o senador liderando em quatro das cinco regiões. O Nordeste responde por cerca de um quarto do eleitorado brasileiro, e uma vantagem desse tamanho num bloco desses compensa perdas espalhadas pelo resto do país. Foi o que aconteceu em 2022, quando a votação nordestina decidiu o segundo turno.
O que a margem de erro de 2 pontos quer dizer
A margem significa que o resultado de cada candidato pode variar para cima ou para baixo dentro desse intervalo, com 95% de confiança. Na prática, os 38,9% de Flávio Bolsonaro podem ser qualquer número entre 36,9% e 40,9%. Os 38,4% de Lula, entre 36,4% e 40,4%. Como os dois intervalos se sobrepõem quase inteiramente, não dá para dizer quem está na frente.
Pesquisas eleitorais precisam ser registradas na Justiça Eleitoral antes da divulgação, com metodologia, contratante e valor abertos ao público. A exigência está no artigo 33 da Lei 9.504/1997. A pesquisa Veritá traz o registro BR-09426/2026, ouviu 3.840 eleitores e foi a campo entre 1º e 4 de setembro, com nível de confiança de 95%.
Como o retrato se compara com outras medições
O empate no topo não é novidade desta rodada. No começo de setembro, a pesquisa PoderData também mostrou Flávio Bolsonaro e Lula empatados na disputa nacional, num intervalo igualmente estreito. Em agosto, outro levantamento do mesmo instituto apontava redução da vantagem de Lula no Nordeste, movimento que esta rodada não confirma: os 49,1% de agora recolocam o petista perto da casa dos 50% na região.
O desempenho de Augusto Cury é o outro dado que chama atenção na pesquisa Veritá. Terceiro colocado com 12,4% no país, ele oscila de 6,9% no Centro-Oeste a 15,8% no Norte, quase nove pontos entre a sua pior e a sua melhor região. Uma votação nessa faixa costuma ser o que define se a eleição termina ou não no primeiro turno.
O que ainda pode mudar
Faltam poucas semanas para o primeiro turno, marcado para outubro, e o período de propaganda eleitoral em rádio e televisão costuma mexer nos percentuais, principalmente entre quem ainda não decidiu o voto. Uma pesquisa mede o momento em que foi feita. Um mês é tempo de sobra para o quadro se mexer.
Para o eleitor de Patrocínio e do Cerrado Mineiro, o número do Sudeste é o mais próximo da realidade local, mas continua sendo uma média que junta Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, estados que votam de maneira bem diferente entre si. Em agosto, o Datafolha mediu em Minas Gerais 46% para Lula e 42% para Flávio Bolsonaro, um equilíbrio que o recorte do Sudeste não deixa ver.
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