Uma nova rodada da pesquisa Instituto Verità mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro num cenário de segundo turno simulado no Nordeste, mas com a distância entre os dois menor do que no início do ano. Em agosto, Lula aparece com 61,9% dos votos válidos na região contra 38,1% de Flávio, uma diferença de 23,8 pontos. Em janeiro, essa mesma diferença era de 29,6 pontos.

O que mostra a pesquisa Veritá sobre Lula no Nordeste

Segundo o levantamento, divulgado com registro na Justiça Eleitoral sob o número BR-8R-04006/2026 e margem de erro de 1 a 2 pontos percentuais, Flávio Bolsonaro (PL) subiu de 35,2% para 38,1% dos votos válidos no Nordeste entre janeiro e agosto, um avanço de 2,9 pontos percentuais na região. Lula (PT), embora continue amplamente à frente, recuou de 64,8% para 61,9% no mesmo período.

O desempenho de Lula no Nordeste em 2026 ainda está muito acima do de qualquer adversário na região, mas a distância vem encolhendo pesquisa após pesquisa desde o início do ano. Em 2022, no segundo turno contra Jair Bolsonaro, Lula havia vencido no Nordeste por uma margem próxima de 40 pontos percentuais em votos válidos, segundo dados oficiais do TSE daquela eleição — o que ajuda a dimensionar o tamanho da diferença entre o resultado de quatro anos atrás e o cenário simulado agora pelo Veritá.

O Nordeste é historicamente a região mais favorável ao PT nas eleições presidenciais, tanto que decidiu o resultado do segundo turno de 2022. Um recuo persistente da vantagem de Lula no Nordeste, mesmo que gradual, tende a chamar atenção de analistas eleitorais justamente por isso: é o “chão” mais seguro do candidato governista, o que faz qualquer movimento ali pesar mais no cálculo nacional do que uma oscilação de mesma magnitude em regiões mais disputadas.

Gráfico com dados da pesquisa Veritá sobre Lula no Nordeste em agosto de 2026
Comparativo da pesquisa Veritá no Nordeste entre janeiro e agosto de 2026. Fonte: Instituto Veritá

Como o desempenho no Nordeste pesa no resultado nacional

O Nordeste concentra cerca de 27% do eleitorado brasileiro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, o que faz da região um dos maiores blocos de votos do país ao lado do Sudeste. Numa eleição decidida por poucos pontos percentuais no total nacional, mudanças de alguns pontos numa região tão populosa podem representar milhões de votos a mais ou a menos para um candidato, ainda que a maioria relativa ali não mude de lado.

Institutos de pesquisa costumam frisar que variações região a região precisam ser lidas com cautela: a margem de erro divulgada pelo Veritá, de 1 a 2 pontos percentuais, já é suficiente para explicar boa parte do recuo registrado entre janeiro e agosto. Uma única pesquisa também não permite afirmar se a tendência vai continuar, se vai estacionar ou se vai reverter nos próximos meses de campanha.

O que se sabe até agora sobre Lula no Nordeste

O instituto não detalhou nesta rodada o tamanho da amostra usada especificamente no recorte por região, nem se o resultado tem significância estatística separada por estado dentro do Nordeste. Pesquisas regionais costumam usar uma fração da amostra nacional, o que aumenta a margem de erro efetiva em comparação com o número nacional divulgado pelo instituto. A Folha de Patrocínio já noticiou outras rodadas da pesquisa Veritá nas últimas semanas, e vai acompanhar a divulgação de novos números até outubro.

Levantamentos de intenção de voto anteriores ao início oficial da propaganda eleitoral, em agosto, têm valor limitado para prever o resultado final de outubro, já que o cenário de campanha ainda vai mudar bastante até lá: debates, alianças de última hora e o horário eleitoral gratuito costumam mexer com a intenção de voto nas últimas semanas antes da votação. Mais detalhes sobre como funcionam os registros de pesquisas eleitorais podem ser consultados no site do Tribunal Superior Eleitoral.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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