A pesquisa Veritá divulgada nesta sexta-feira (21) pela CNN Brasil mostra Pablo Marçal (PRTB) com 5,2% das intenções de voto para presidente, numericamente na terceira posição, atrás de Lula (PT), com 39,3%, e de Flávio Bolsonaro (PL), com 39,1%. A vantagem de Marçal sobre Renan Santos (Missão), que tem 3,8%, e sobre Ronaldo Caiado (PSD), com 3,3%, fica dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. Na prática, os três estão em empate técnico.

Na liderança, a diferença de 0,2 ponto entre Lula e Flávio Bolsonaro também é empate técnico. A própria CNN Brasil escreve que Lula “lidera numericamente” o primeiro turno, e 0,2 ponto não permite falar em liderança consolidada.

Retrato de Pablo Marçal (PRTB), que aparece com 5,2% na pesquisa Veritá, em empate técnico com Renan Santos e Ronaldo Caiado
Pablo Marçal (PRTB). Foto: Reprodução/Redes sociais

Os números do primeiro turno na pesquisa Veritá

Depois dos cinco primeiros, o levantamento traz Augusto Cury (Avante) com 2,2%, Romeu Zema (Novo) com 1,3%, Clariana Barão (DC) com 0,8%, Samara Martins (UP) e Hertz Dias (PSTU) com 0,4% cada, e Edmilson Costa (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO) com 0,1% cada. Brancos e nulos somam 1,8%, e 2,4% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

Resumos da pesquisa publicados em perfis de notícias no Instagram dizem que Zema “não aparece entre os nomes com maior percentual” e não citam Augusto Cury. A reportagem da CNN Brasil mostra outra coisa: Zema, ex-governador de Minas Gerais, tem 1,3% e ocupa a sétima posição, atrás de Cury, que tem 2,2%.

Segundo turno: Marçal empata com Lula, mas Flávio vence todos os cenários

No cenário que mais chamou atenção, Marçal aparece com 43,6% contra 42,7% de Lula, empate técnico dentro da margem de erro, com 6,7% de brancos e nulos e 7% de indecisos. Os outros confrontos testados mostram um quadro diferente para o nome do PRTB.

O cenário que abre a reportagem da CNN Brasil é Flávio Bolsonaro contra Lula: 47,3% a 42%, diferença de 5,3 pontos, fora da margem de erro. Contra o próprio Marçal, Flávio tem 44,7% a 9%, com 19,4% de brancos e nulos e 26,9% de indecisos. Nos cenários testados, Marçal só aparece em empate técnico quando o adversário é Lula.

Lula vence os demais nomes do campo oposicionista: 41,2% a 25% contra Zema, 40,4% a 23,7% contra Caiado e 40,5% a 16,2% contra Renan Santos. Nessas disputas, a parcela de indecisos passa de 25%.

Ficha técnica

A pesquisa Veritá ouviu 3.840 eleitores entre 16 e 20 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Segundo a reportagem da CNN Brasil, o levantamento foi pago com recursos do próprio instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04006/2026.

A Folha tentou conferir o registro diretamente no sistema de pesquisas do TSE nesta sexta, mas o portal não respondeu às consultas. Até a publicação desta matéria, o site do Instituto Veritá também não exibia o levantamento. A reportagem da CNN Brasil não informa o método de coleta (telefone, presencial ou eletrônico).

Candidatura de Marçal segue sub judice

Os números medem a intenção de voto em um candidato que pode não chegar à urna. Marçal está inelegível até 2032 por decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, que o condenou por uso indevido dos meios de comunicação na campanha à Prefeitura paulistana em 2024. A Folha noticiou a manutenção dessa inelegibilidade no início do mês.

Mesmo assim, o PRTB protocolou o registro dele no dia 15, último dia do prazo. Na quinta-feira (20), o TSE decidiu por unanimidade, em caráter liminar, barrar o acesso de Marçal ao fundo eleitoral, ao horário de rádio e TV, aos debates e a atos de propaganda até o julgamento definitivo do registro. O mérito ainda não foi julgado, então o registro não foi deferido nem indeferido: a candidatura segue sub judice.

Contexto: em abril, Marçal tinha 2,1%

Na pesquisa Veritá de abril, registrada como BR-02476/2026 e feita com 40.500 entrevistas entre 13 de março e 4 de abril, Marçal, então filiado ao União Brasil, tinha 2,1% no primeiro turno, com Flávio Bolsonaro em 35,9% e Lula em 33,2%. O salto para 5,2% em quatro meses coincide com a volta dele ao PRTB e com a exposição em torno da disputa judicial pelo registro.

Os números da Veritá ainda precisam ser comparados com os de outros institutos. A Folha já mostrou por que institutos diferentes chegam a resultados tão distintos para Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, de empate técnico a quase dez pontos de vantagem. Amostra, método de coleta e o chamado “house effect” de cada instituto pesam no resultado, e a pesquisa Veritá não é exceção. Os números acima se referem ao período de 16 a 20 de agosto, com o registro de Marçal ainda pendente de julgamento no TSE.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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