Seis pesquisas divulgadas nos últimos meses testaram um possível segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro em 2026, e os resultados variam de um empate técnico a uma vantagem de quase dez pontos para o presidente. A distância entre os números de um instituto e outro levanta uma pergunta simples: por que institutos sérios, medindo a mesma eleição quase ao mesmo tempo, chegam a conclusões tão diferentes?
O que mostra cada pesquisa
Levantando os dados mais recentes de cada instituto, o cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro aparece assim:

| Instituto | Data | Lula | Flávio Bolsonaro | Diferença |
|---|---|---|---|---|
| BTG/Nexus | 03/08/2026 | 46% | 45% | 1 ponto (empate técnico) |
| Gerp | 11/08/2026 | 45% | 43% | 2 pontos (empate técnico) |
| Datafolha | 03/2026 | 46% | 43% | 3 pontos |
| Meio/Ideia | 07/2026 | 45% | 40% | 5 pontos |
| Genial/Quaest | 2026 | favorito | – | 7 pontos |
| AtlasIntel | 29/07/2026 | favorito | – | 6,3 pontos |
A Folha de Patrocínio já detalhou o levantamento da Gerp, com 2.400 eleitores ouvidos e margem de erro de 2 pontos. Segundo o Poder360, a pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.002 eleitores entre 31 de julho e 2 de agosto, com margem de erro também de 2 pontos.

Por que os números sobre Lula e Flávio Bolsonaro variam tanto
A primeira explicação é metodológica. Institutos diferentes usam técnicas diferentes de coleta: entrevistas por telefone, presenciais ou por painel on-line produzem públicos distintos, com taxas de resposta e perfis de eleitor que não são idênticos. A composição da amostra por renda também pesa: pesquisadores já apontaram que a divergência entre institutos costuma se concentrar justamente na faixa de dois a cinco salários mínimos, um grupo que oscila mais entre candidatos e é mais difícil de captar com precisão.
A segunda explicação é o tratamento dado a quem ainda não decidiu o voto ou não quis responder. Cada instituto tem um método próprio para alocar esses indecisos nas projeções finais, e essa escolha metodológica desloca o resultado publicado em um ou dois pontos, às vezes mais.
Soma-se a isso o timing: uma pesquisa feita em março, como a Datafolha, capta um momento político diferente de uma feita em agosto, como a BTG/Nexus. Entre uma data e outra, eventos como decisões judiciais, crises econômicas ou embates entre governo e oposição mudam a disposição do eleitorado, então nem toda divergência é erro de metodologia. Parte dela é apenas o retrato de momentos diferentes da corrida.
O que é o “house effect”
Cientistas políticos chamam de “house effect” a tendência sistemática de um instituto favorecer levemente um candidato específico, eleição após eleição, independentemente do cenário real. Um exemplo documentado pelo JOTA em ciclos eleitorais anteriores mostrou institutos com viés positivo de alguns pontos para candidatos específicos, de forma consistente ao longo de várias pesquisas seguidas. Esse viés não significa necessariamente má-fé: pode vir da própria metodologia de ponderação de cada casa, aplicada de forma constante.
Há ainda o efeito do “voto útil”, quando o eleitor entrevistado declara uma intenção de voto estratégica, não necessariamente sua preferência real, o que também empurra números de pesquisas feitas em momentos diferentes da campanha em direções distintas.
Como interpretar pesquisas eleitorais sobre Lula e Flávio Bolsonaro
A diferença entre um resultado de “empate técnico” e uma “vantagem de 7 pontos” muitas vezes cabe dentro da margem de erro somada ao house effect de cada instituto. Nenhuma pesquisa isolada prevê o resultado da eleição. O caminho mais seguro para acompanhar a corrida de 2026 é observar a tendência média de várias pesquisas ao longo do tempo, não o número de um único levantamento publicado numa manchete.
A Folha de Patrocínio segue acompanhando os principais institutos e já cobriu outros ângulos da disputa, como o questionamento sobre as chances de Lula no primeiro turno que circulou nas redes recentemente.
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