Clubes do interior contestam patrocínio do governo a clubes da capital
Athletic, Villa Nova, Betim, Itabirito e Democrata assinam manifesto contra os R$ 32 milhões de estatais; o contrato começa em 2027 e entrou no debate eleitoral.

Cinco clubes do interior de Minas assinaram um manifesto contra o patrocínio do governo a clubes da capital. O documento reclama da concentração de dinheiro público em Atlético, Cruzeiro e América e pede critérios iguais para todo o futebol mineiro, segundo o jornal O Tempo.
O que dizem os clubes do interior
Assinam o manifesto Athletic, Villa Nova, Betim, Itabirito e Democrata de Sete Lagoas. O texto afirma que “Minas não é só a capital” e lembra que o futebol existe nos 853 municípios do estado. Os clubes pedem diálogo mediado com o governo estadual, critérios objetivos para a distribuição de recursos e a inclusão de equipes das divisões de acesso e do futebol feminino.
O ponto central da reclamação é a regra do jogo. Para os signatários, um patrocínio público que beneficia só os três maiores clubes de Belo Horizonte deixa de fora quem disputa campeonatos estaduais com orçamentos muito menores.
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O governo de Minas anunciou, em 29 de setembro, um pacote de R$ 32 milhões de patrocínio, pago por estatais como Cemig e Codemig. Atlético e Cruzeiro recebem R$ 15 milhões cada, e o América, R$ 2 milhões. Segundo O Tempo, o contrato começa a valer em 2027 e prevê contrapartidas sociais.
A distância entre os valores chama atenção: os R$ 15 milhões destinados a cada um dos dois maiores clubes correspondem a mais de sete vezes o repasse ao América, e nenhum clube do interior aparece na divisão anunciada pelo governo.
A justificativa é compensar a perda de receita com as casas de apostas. O Tempo calcula que o valor equivale a cerca de um terço do que os clubes recebiam das bets: R$ 60 milhões do Atlético com a H2bet, R$ 43 milhões do Cruzeiro com a Betnacional e R$ 4 milhões do América com a Bet Bra. A reportagem também cita a proibição federal de propaganda de apostas a partir de 6 de outubro de 2026. A Folha já mostrou o manifesto de Atlético, Cruzeiro e América sobre as bets e o custo do fim das bets para o Corinthians.

A disputa eleitoral em torno do patrocínio do governo a clubes
O anúncio caiu a cinco dias do primeiro turno e entrou no debate entre os candidatos ao governo. De acordo com O Tempo, Gabriel Azevedo (MDB) chamou a medida de “absurdo” e de “medida de desespero” e questionou os critérios usados para escolher os clubes. Alexandre Kalil (PDT), ex-presidente do Atlético, classificou o anúncio como “ato político detestável” e destacou que o contrato só vale no próximo mandato. Cleitinho Azevedo (Republicanos) falou em “populismo” em época de eleição.
O governador e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), respondeu que o dinheiro não sai de saúde, de educação nem de assistência social. Também disse não defender a volta das bets. As falas são das pessoas citadas e não foram confirmadas de forma independente pela Folha.
O que ainda está em aberto
O manifesto dos cinco clubes não traz um valor pedido nem um critério específico, e a reportagem de O Tempo não cita resposta do governo ao documento. Também não está claro como as divisões de acesso e o futebol feminino poderiam entrar num eventual novo desenho do patrocínio. Como o contrato só começa em 2027, a definição final tende a ficar para o governo que tomar posse em janeiro, seja qual for o resultado da eleição.
A disputa mostra uma tensão antiga do futebol mineiro: clubes grandes, com torcida e mídia, atraem patrocínio de empresas e de estatais, enquanto os do interior tendem a depender de verbas menores. O patrocínio do governo a clubes, num ano em que as bets saem de cena, expõe essa diferença de forma mais visível.
Com informações de O Tempo.
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