Pettersen responde Simões sobre acusação de propina de R$ 10 milhões
Deputado do Republicanos diz que a conversa nunca aconteceu, admite ter repassado um contato sobre consignados e anuncia ação contra o governador.

O deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos) negou a acusação do governador Mateus Simões (PSD) e anunciou que vai à Justiça. Pettersen responde Simões depois de o candidato à reeleição afirmar, no debate da TV Globo entre candidatos ao Governo de Minas, que o parlamentar lhe ofereceu R$ 10 milhões para facilitar um contrato do Estado. Segundo a assessoria do deputado, a conversa nunca aconteceu.
Pettersen é presidente estadual do Republicanos e aliado do senador Cleitinho Azevedo, também candidato ao Governo. As versões abaixo são as dos envolvidos. Até a publicação desta matéria, nenhuma autoridade havia confirmado a oferta nem a negativa.
O que Simões disse no debate
A acusação surgiu depois de uma pergunta de Cleitinho no debate, segundo o BH 24 Horas. Simões afirmou que o aliado do adversário tentou lhe oferecer R$ 10 milhões “no meio de um casamento” para que ele facilitasse um contrato. O governador disse que não atendeu ao pedido e que levou o fato às autoridades.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Em reportagem publicada depois pelo Estado de Minas, o governador deu mais detalhes. De acordo com ele, o contrato era de um sistema de gestão de empréstimos consignados, e a conversa teria ocorrido em 23 de novembro de 2024, num casamento em Trancoso, no sul da Bahia. Simões também contou que Pettersen havia intermediado, meses antes, o contato dele com um representante de uma empresa do setor, e que cortou as tratativas depois da abordagem.
O governador afirmou ainda que relatou o episódio à Controladoria-Geral do Estado (CGE) em dezembro de 2024, num almoço com o controlador e o secretário-geral do órgão. O portal O Fator informou que a CGE arquivou o caso por falta de contratação e de testemunhas, o que, segundo a reportagem, impediu a abertura de uma apuração formal.

Como Pettersen responde Simões
Em nota enviada pela assessoria e publicada pelo Estado de Minas na quarta-feira (30), o deputado classificou as acusações como falsas e inverídicas. Ele questionou por que o governador, se tivesse recebido uma oferta de propina, não acionou as autoridades na hora, já que teria, nas palavras da nota, o dever de agir com os rigores da lei.
Pettersen disse que vai cobrar na Justiça documentos que comprovem o protocolo da denúncia citada por Simões e que pretende acionar o governador por calúnia, difamação e danos morais. Ele admitiu ter intermediado um contato sobre o sistema de consignados, mas deu outra versão: segundo ele, Simões teria pedido que ele procurasse alguém ou uma empresa, e ele só repassou o contato que recebeu.
O comentário no Instagram e a proposta de vice
Por escrito, Pettersen responde Simões também no Instagram. Em comentário numa publicação, noticiado pelo Estado de Minas, o deputado escreveu que a única conversa entre os dois foi um convite do governador para que ele fosse seu vice, numa composição que tiraria Cleitinho da disputa. Pettersen disse que recusou. No mesmo comentário, afirmou ter recusado também uma “outra proposta” que, segundo ele, Simões lhe fez no casamento, “porque sou heterossexual”. O trecho é uma afirmação do deputado, sem prova apresentada. A Folha não localizou manifestação de Simões sobre essa parte do comentário.
Reação política e o que vem agora
O caso já chegou ao campo político. Segundo o portal Rede 98, o candidato Alexandre Kalil pediu ao Ministério Público de Minas Gerais informações sobre a acusação de Simões. A Folha não encontrou manifestação do MPMG sobre o pedido.
Como a disputa vai às urnas no domingo (4), a troca de acusações entre o governo e o grupo de Cleitinho ocupa a reta final da campanha. A disputa por direito de resposta entre Falcão e Simões, decidida pelo TRE-MG em 28 de setembro, mostra o tom da campanha. Já a passagem de Cleitinho pelo Triângulo abriu a reta final na região.
Se o deputado cumprir o que anunciou, Pettersen responde Simões nos tribunais, e a discussão passa do debate para o Judiciário, onde caberá a Simões apresentar o que tem sobre o episódio e ao deputado, comprovar a versão que deu. Até lá, as duas partes sustentam o que dizem sem que nenhuma autoridade tenha confirmado qualquer delas.
A Folha segue acompanhando o caso e publica novas manifestações do governador e do deputado quando houver.
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