A Justiça Eleitoral de Minas Gerais rejeitou o pedido da deputada estadual Maria Clara Marra para remover a reportagem da Folha de Patrocínio sobre os R$ 10 milhões que não chegaram ao Hospital de Amor de Patrocínio, por não identificar indício de inverdade ou ofensa. A matéria foi uma das 11 levadas ao TRE-MG pela própria parlamentar, que pediu a remoção de todo o conjunto; o relator manteve dez no ar, incluindo o levantamento sobre a promessa de campanha não cumprida.

Marra entrou com ação de direito de resposta contra a Folha em agosto (processo TRE-MG 0602659-53.2026). Em 6 de setembro, a decisão de mérito julgou o pedido parcialmente procedente: apenas uma matéria, sobre a composição visual de uma foto em outra reportagem, gerou direito de resposta. Todas as demais, entre elas a do Hospital de Amor, seguem publicadas sem qualquer ressalva.

Logotipo do Hospital de Amor, contexto dos R$ 10 milhões que não chegaram ao Hospital de Amor de Patrocínio mantidos no ar pela Justiça Eleitoral
Hospital de Amor, rede de hospitais oncológicos. Imagem: Hospital de Amor/Divulgação

O que a Justiça Eleitoral decidiu sobre a reportagem

Na decisão, o relator analisou cada uma das 11 matérias separadamente. Sobre as dez mantidas no ar, entre elas a do Hospital de Amor, o texto diz que elas têm “substrato informativo identificável” e que Marra discordou do enfoque das reportagens sem apontar nenhum dado falso. O magistrado também negou o pedido para obrigar a Folha a consultar previamente a assessoria da deputada antes de publicar matérias sobre ela, e classificou como “controle prévio incompatível com a liberdade de imprensa” o pedido para proibir novas publicações no futuro.

Os R$ 10 milhões que não chegaram ao Hospital de Amor de Patrocínio, ponto por ponto

Cinco dias antes do segundo turno da eleição municipal de 2024, Maria Clara Marra subiu ao palco ao lado do governador Romeu Zema e anunciou R$ 10 milhões em emenda estadual para o Hospital do Câncer de Patrocínio, hoje Hospital de Amor. Um levantamento completo das 369 indicações de emendas estaduais feitas por ela entre 2023 e 2026, no Painel de Emendas Estaduais da Controladoria-Geral do Estado, não encontra nenhum real destinado à instituição.

A busca cobriu os quatro anos completos de bases do painel, usando os termos “Hospital do Câncer”, “Hospital de Amor” e “mamógrafo” para Patrocínio, e não teve resultado em nenhum deles. A decisão de setembro não trouxe nenhuma explicação nova sobre o destino do valor anunciado no palco em 2024.

Além do Hospital de Amor, as outras nove matérias mantidas pela Justiça tratam de temas como emendas parlamentares, patrimônio, gastos totais com verba indenizatória, sobretaxas de aluguel de veículos, combustível e ausência de pedágios na prestação de contas. Todas seguem publicadas no site sem qualquer alteração determinada pela Justiça Eleitoral.

A Folha de Patrocínio já havia detalhado os R$ 10 milhões que não chegaram ao Hospital de Amor de Patrocínio, com base no Painel de Emendas Estaduais da Controladoria-Geral do Estado, que segue disponível para consulta pública.

Nota de transparência

O redator-chefe da Folha de Patrocínio respondeu a duas ações de direito de resposta movidas por Maria Clara Marra na Justiça Eleitoral de Minas Gerais (processos TRE-MG nº 0602659-53.2026, sobre as 11 matérias tratadas nesta reportagem, e nº 0602687-21.2026, sobre outra publicação). As duas foram julgadas parcialmente procedentes e nenhum dos lados recorreu. Essa relação não interferiu na apuração desta reportagem, que se baseia na decisão de mérito do processo 0602659-53.2026, proferida em 6 de setembro de 2026, e nos dados públicos do Painel de Emendas Estaduais da Controladoria-Geral do Estado.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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