Uma arte que circula nas redes sociais reuniu, lado a lado, o retrato de todos os presidentes do Brasil desde a Proclamação da República, em 1889. O material lista 34 nomes, mas o número real de brasileiros que já ocuparam o cargo é maior: a peça viral deixa de fora ao menos seis figuras que passaram poucos dias ou meses no Palácio do Planalto, entre elas um presidente que ficou apenas três dias no poder.

Da Proclamação da República ao Brasil de hoje
A lista dos presidentes do Brasil começa em 15 de novembro de 1889, quando o marechal Deodoro da Fonseca assumiu o governo provisório logo depois de proclamar o fim da Monarquia. De lá para cá, o país passou por uma Primeira República dominada por oligarquias agrárias, pela era Vargas, por um período de ditadura militar entre 1964 e 1985 e pela redemocratização que trouxe José Sarney, em 1985, como o primeiro civil a ocupar o cargo depois de 21 anos de regime militar.
Nesse trajeto de mais de 130 anos, os presidentes do Brasil incluem nomes que se tornaram sinônimo de época: Getúlio Vargas, que dominou a política nacional por quase um quarto de século entre a Revolução de 1930 e seu suicídio em 1954; Juscelino Kubitschek, que construiu Brasília; e Luiz Inácio Lula da Silva, hoje o único a governar em três mandatos não consecutivos, iniciados em 2003, retomados em 2023.
Quantos presidentes o Brasil já teve, de fato
Contar os presidentes do Brasil parece simples, mas esconde uma armadilha comum em listas que circulam nas redes: separar quem governou de fato de quem apenas assinou um mandato-tampão. A arte viral que deu origem a esta reportagem numera 34 posições, pulando direto de Getúlio Vargas, em 1954, para Juscelino Kubitschek, em 1956, como se não tivesse havido ninguém no comando nesse intervalo.
Não é o caso. Entre a morte de Vargas e a posse de JK, o Brasil teve três presidentes em pouco mais de um ano: Café Filho, Carlos Luz e Nereu Ramos. Carlos Luz, sozinho, ocupou o cargo por apenas três dias, em novembro de 1955, antes de ser afastado pelo chamado “golpe preventivo” que garantiu a posse de Kubitschek. A mesma lista viral também não menciona Ranieri Mazzilli, que assumiu interinamente em dois momentos distintos: após a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, e novamente em 1964, no início do golpe militar. Somando essas passagens rápidas às 34 já contabilizadas na peça original, o Brasil chega a pelo menos 36 pessoas diferentes que já ocuparam a Presidência da República ao longo da história republicana, segundo o levantamento cronológico mantido pela Wikipédia com base em fontes históricas.
Recordes na Presidência da República
A lista dos presidentes do Brasil guarda recordes curiosos. Getúlio Vargas segue como o que mais tempo passou no cargo, somando cerca de 15 anos entre o período de 1930 a 1945 e o mandato eleito de 1951 a 1954. No outro extremo está Carlos Luz, com apenas três dias. Dilma Rousseff foi a primeira mulher a presidir o país, entre 2011 e 2016, mandato interrompido por um processo de impeachment em 2016. Jânio Quadros e Fernando Collor são os dois casos de renúncia no cargo, em 1961 e 1992, respectivamente. Já Afonso Pena, em 1909, e o próprio Getúlio Vargas, em 1954, morreram durante o mandato: o primeiro por doença, o segundo por suicídio, em episódio que marcou a história política do país.
Da ditadura à redemocratização
O período mais controverso na história dos presidentes do Brasil é o do regime militar, iniciado com a deposição de João Goulart em 1964 e mantido por cinco generais que se revezaram no comando até 1985: Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo. A abertura política gradual conduzida por Geisel e Figueiredo culminou na eleição indireta de Tancredo Neves em 1985, que morreu antes da posse e deu lugar ao seu vice, José Sarney. Desde então, o Brasil elege presidentes pelo voto direto, com a exceção da eleição indireta de 1985, consolidando a sequência mais longa de mandatos civis desde a redemocratização.
Por que esse tipo de conteúdo viraliza
Artes com a linha do tempo dos presidentes do Brasil são um formato recorrente nas redes sociais porque combinam dois ingredientes que funcionam bem para engajamento: memória afetiva (quem lembra de qual nome e época) e facilidade de compartilhamento em grupos de família e WhatsApp. O risco é que simplificações como a que motivou esta reportagem acabem apagando justamente os personagens mais curiosos da história política nacional: os presidentes de poucos dias, cujas histórias dizem tanto sobre crises institucionais quanto os mandatos mais longos.
A galeria oficial de presidentes está disponível no site do Palácio do Planalto, com biografias de cada um dos ocupantes do cargo. Enquanto isso, a política nacional segue movimentada: a Folha de Patrocínio acompanhou recentemente um post viral que questionava as chances de Lula no primeiro turno de 2026, mostrando como o debate sobre a Presidência da República segue tão vivo hoje quanto nos tempos de Deodoro da Fonseca.
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