Júri de Patos de Minas condena Brayan Rosa de Oliveira a 20 anos pela morte do técnico de enfermagem Kennedy
MP apontou motivação homofóbica e três qualificadoras; réu segurou a vítima enquanto um adolescente de 17 anos dava a facada. Defesa vai recorrer ao TJMG.
O júri de Patos de Minas condenou Brayan Rosa de Oliveira a 20 anos de reclusão pela morte do técnico de enfermagem Kennedy Rodrigues Campos, de 26 anos, morto com uma facada no pescoço em fevereiro, dentro do apartamento onde morava, no bairro Sorriso. O julgamento ocupou a terça-feira (6) inteira no Fórum Olympio Borges, e o resultado saiu no começo da noite. A defesa vai recorrer, e o réu continua preso.
Os sete jurados acolheram a tese do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que acusou Brayan de homicídio qualificado. Segundo a denúncia, ele segurou Kennedy e tapou a boca da vítima enquanto um adolescente de 17 anos dava o golpe de faca. O adolescente não é identificado, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente.
A sessão no júri de Patos de Minas
A sessão começou de manhã, com o depoimento das testemunhas, e seguiu à tarde com os debates entre acusação e defesa. O MPMG sustentou três qualificadoras: motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Na acusação, a promotoria disse que os dois envolvidos decidiram matar Kennedy por se revoltarem com o interesse dele em ter relações com eles, o que, para o MP, revela motivação homofóbica.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.A defesa pediu a absolvição por falta de provas. Os jurados não aceitaram o argumento. Brayan também foi denunciado por corrupção de menores, por ter agido junto com um adolescente. A pena de 20 anos anunciada na terça se refere ao homicídio qualificado.
A mãe de Kennedy, Elizete Rodrigues, e a irmã, Karen Rodrigues, esperaram desde cedo na porta do fórum, vestidas de branco, com alguns amigos dele. Depois da sentença, a mãe disse que esperava uma pena maior, mas que sentiu alívio com a condenação. Karen afirmou que a justiça foi feita. Antes do julgamento, a família tinha descrito Kennedy como um rapaz trabalhador, dedicado e independente, e a mãe contou que, desde fevereiro, precisa de remédio para dormir e para controlar a ansiedade.
Como foi o crime no bairro Sorriso
Kennedy foi morto na madrugada de 10 de fevereiro de 2026, no apartamento em que vivia, no segundo andar de um prédio da rua São Geraldo. Uma vizinha ouviu barulho de briga durante a noite e, de manhã, viu manchas de sangue pela janela. Ela chamou a Polícia Militar, que encontrou o técnico de enfermagem já sem vida, no quarto.
No mesmo dia, as polícias Militar e Civil localizaram os dois suspeitos: Brayan, então com 19 anos, e o adolescente. Segundo a polícia, os dois negaram no começo e depois confessaram. Disseram que tinham sido chamados por Kennedy para beber no apartamento. Já naquela época a Polícia Civil não descartava a hipótese de homofobia, que acabou entrando na denúncia do Ministério Público.
Alpha for MenO que muda com a condenação
O Tribunal do Júri é o órgão que julga crimes dolosos contra a vida, como o homicídio, conforme a Constituição. No júri de Patos de Minas, quem decide se o réu é culpado são sete cidadãos sorteados, e o juiz presidente calcula a pena a partir da resposta deles. Pelo artigo 121 do Código Penal, o homicídio qualificado tem pena de 12 a 30 anos de reclusão.
A defesa pode apelar ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Pela lei, a apelação contra decisão do júri não permite que os desembargadores troquem a decisão dos jurados por outra. Se entenderem que o veredito contrariou as provas dos autos, eles podem mandar o réu a um novo júri. Também podem rever a pena ou corrigir erro do juiz.
O adolescente não passa pelo júri de Patos de Minas. Quem tem menos de 18 anos responde por ato infracional na Justiça da Infância e da Juventude, e o processo corre em segredo. As medidas previstas no ECA vão de advertência a internação, que não passa de três anos.
Homofobia e a decisão do STF
Em 2019, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a homofobia e a transfobia se enquadram na Lei do Racismo até que o Congresso aprove uma lei própria. Num homicídio, a motivação por preconceito costuma ser tratada como motivo torpe, uma das qualificadoras que fizeram a pena de Brayan partir de 12 anos, e não de 6, como no homicídio simples.
Ainda cabe recurso contra a decisão do júri de Patos de Minas, e a Folha acompanha o caso. Outras ocorrências do Alto Paranaíba estão na seção Policial da Folha. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo 181 ou à Polícia Militar, pelo 190.
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