O Ministério Público de Minas Gerais abriu, em 17 de agosto, um novo inquérito das ambulâncias que revive o caso de fraude na compra de dez veículos adaptados para a saúde de Patrocínio. O procedimento cita o ex-prefeito Deiró Marra e mais seis representados, o mesmo grupo de nomes e a mesma empresa que já aparecia na denúncia criminal protocolada em julho.

Desta vez, porém, o caso corre pela área de Patrimônio Público, num rito civil que corre em paralelo ao processo criminal já em andamento na 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Deiró Marra durante entrevista sobre o inquérito das ambulâncias em Patrocínio
Deiró Marra concede entrevista sobre o caso das ambulâncias. Foto: Reprodução/Mais1Online

O que diz o novo inquérito das ambulâncias

O Inquérito Civil nº 04.16.0481.0427918.2026-78 foi instaurado em 17 de agosto de 2026 pela promotora Larissa Camapum de Souza, da comarca de Patrocínio, na área de atuação Patrimônio Público (Cível). O representante do procedimento é o próprio Município de Patrocínio, e os representados são Deiró Moreira Marra, Luiz Eduardo Salomão Mendonça, Cristiane Castro Alves, Samantha Nunes Silva, Flávio Endrigo Ribeiro, Confiança Veículos Patrocínio Ltda e Rinaldo Santos de Freitas.

A publicação no Diário Oficial do MPMG registra apenas a abertura do procedimento, sem descrever o fato investigado. Ainda assim, a composição dos nomes e da empresa citada aponta fortemente para uma continuidade do caso das ambulâncias, desta vez pela via cível, que costuma buscar o ressarcimento de valores ao cofre público em paralelo à responsabilização criminal.

Quem são os citados no inquérito das ambulâncias

Apuração da Folha de Patrocínio em fontes públicas encontrou uma correspondência quase completa entre os nomes do novo inquérito e os seis denunciados criminalmente em julho, que o MPMG havia descrito apenas por função, sem divulgar nomes.

Luiz Eduardo Salomão Mendonça ocupou a Secretaria Municipal de Saúde de Patrocínio durante a gestão de Deiró Marra, incluindo o período da pandemia. Cristiane Castro Alves atuou como pregoeira substituta da Prefeitura em processos licitatórios de 2021 a 2023, entre eles o pregão questionado. Samantha Nunes Silva é sócia-administradora da empresa vencedora da licitação desde a fundação, em 2019, enquanto Flávio Endrigo Ribeiro entrou na sociedade em fevereiro deste ano, também como sócio-administrador, segundo dados públicos da Receita Federal.

A Confiança Veículos Patrocínio Ltda, favorecida pelo edital segundo a denúncia do MPMG, aparece hoje na Receita Federal sob a razão social Confiança Serviços Financeiros e Cobranças Ltda, com o mesmo CNPJ. Um terceiro sócio da empresa, Geraldo Magela Teixeira, não consta entre os representados do novo inquérito. Já o papel de Rinaldo Santos de Freitas no caso não foi confirmado pela reportagem até a publicação desta matéria.

Relembre o caso das ambulâncias de Patrocínio

A denúncia criminal, protocolada pelo MPMG em 14 de julho, trata do Processo Licitatório nº 236/2022, dentro do Pregão Presencial nº 186/2022, aberto para a compra de dez veículos adaptados como ambulâncias para a rede municipal de saúde. Segundo o órgão, o edital continha uma cláusula que exigia assistência técnica num raio máximo de 100 quilômetros de Patrocínio, o que eliminou cinco concorrentes e favoreceu a Confiança Veículos Patrocínio de antemão.

A empresa vencedora não ofereceu o menor preço entre as propostas, de acordo com a apuração do MPMG, o que caracterizaria o direcionamento da licitação. O prejuízo estimado ao erário foi de R$ 280 mil à época, atualizado para R$ 419.393,79 até junho de 2026. Os seis denunciados respondem por fraude em licitação, falsidade ideológica e responsabilidade do prefeito por desvio de recursos públicos.

O que esperar do inquérito das ambulâncias daqui para a frente

Procedimentos administrativos na área de Patrimônio Público costumam apurar se houve dano ao erário e, quando confirmado, embasar uma ação civil pública de improbidade administrativa, com pedido de ressarcimento integral e possível perda de bens ou suspensão de direitos políticos dos responsáveis. Esse rito é independente do processo criminal, que segue tramitando na 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça e ainda aguarda decisão sobre o recebimento da denúncia.

Até a publicação desta matéria, nenhuma das partes citadas no novo inquérito havia se manifestado publicamente sobre o procedimento. Deiró Marra já negou irregularidades na condução da licitação das ambulâncias em manifestações anteriores sobre a denúncia criminal.

Nota de transparência

A Folha de Patrocínio informa que o proprietário deste veículo é parte em processos judiciais envolvendo Deiró Marra. Essa relação não interferiu na apuração desta matéria, que se baseia em documentos públicos do Diário Oficial do MPMG e em dados públicos da Receita Federal, mas o leitor tem o direito de conhecê-la antes de formar sua própria opinião sobre o caso.

Esta reportagem é um desdobramento da cobertura anterior sobre a denúncia formal do caso das ambulâncias. A nota oficial do MPMG sobre a denúncia criminal pode ser conferida na página oficial do Ministério Público de Minas Gerais. A Folha de Patrocínio segue acompanhando os próximos passos do inquérito das ambulâncias.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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