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Política

Comissão Processante ‘dorme’ enquanto Danilo Rezende segue afastado

Instalada em janeiro para julgar a cassação de Danilo Rezende, a Comissão Processante da Câmara de Três Marias segue sem relatório sete meses depois.

Danilo Rezende, prefeito afastado de Três Marias, alvo de pedido de cassação avaliado pela Comissão Processante
Danilo Rezende, prefeito afastado de Três Marias, alvo de pedido de cassação avaliado pela Comissão Processante

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou nesta quarta-feira (26) que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) reavalie, em até 90 dias, o afastamento do prefeito de Três Marias, Danilo Barbosa Rezende (Republicanos). A decisão chega enquanto a Comissão Processante da Câmara Municipal segue sem concluir o julgamento do pedido de cassação contra ele. O prefeito segue fora do cargo por enquanto, mas a decisão do STJ impede que a medida seja renovada automaticamente com base apenas nas mesmas suspeitas já analisadas pela Justiça.

Danilo está afastado da prefeitura desde 10 de junho, quando a Operação Hipócrates, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), apontou suspeitas de fraude em contratos e lavagem de dinheiro na administração municipal. Para o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, relator no STJ, o TJMG apresentou elementos concretos para justificar o afastamento, mas a medida não pode ficar sem prazo definido indefinidamente, já que interfere diretamente em um mandato escolhido pelos eleitores.

Enquanto isso, a Comissão Processante segue devagar

A decisão do STJ trata do processo judicial contra Danilo Rezende. Mas existe uma segunda frente, política, que corre em paralelo e que quase não avança: a Comissão Processante formada na Câmara Municipal de Três Marias para julgar o pedido de cassação do mandato dele.

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A Câmara instalou a comissão em 27 de janeiro, depois que o ex-procurador-geral do município, Bruno Rafael Souza Nascimento, apresentou representação formal contra o prefeito por suspeita de nepotismo, contratação de empresa de fachada para motonivelamento e uso direcionado de verbas de publicidade institucional. De lá para cá, se passaram mais de sete meses sem que a Folha localizasse qualquer relatório final, votação ou desfecho público do processo.

Isso chama atenção porque o próprio Decreto-Lei 201/67, que rege a cassação de prefeitos, prevê prazo de 90 dias, contados da notificação do acusado, para a Comissão Processante concluir o julgamento. É prazo decadencial: a lei não prevê suspensão nem prorrogação, e o processo deveria ser arquivado (sem prejuízo de nova representação pelos mesmos fatos) se não for julgado dentro dele. Sete meses depois da instalação, mais que o dobro do prazo legal, o silêncio público sobre o andamento é, no mínimo, um problema de transparência que caberia à própria Câmara explicar.

Na avaliação desta redação, enquanto o Judiciário trata o caso Danilo Rezende com prazos claros e cobrança de agilidade, como mostra a decisão do STJ desta quarta, o mesmo rigor não tem aparecido do lado da Comissão Processante. Uma comissão criada para apurar com eficiência parece, até aqui, mais disposta a deixar o tempo passar do que a entregar um relatório aos moradores de Três Marias.

O que está em jogo nos dois processos

Os dois caminhos são independentes e podem ter desfechos diferentes. A ação cautelar no TJMG discute apenas se Danilo pode voltar a ocupar o cargo enquanto a investigação criminal da Operação Hipócrates segue em andamento. É essa ação que o STJ mandou reavaliar em 90 dias, vedando a renovação automática. Já a Comissão Processante da Câmara discute algo mais definitivo: se o mandato dele deve ser cassado, com base numa representação que trata de fatos anteriores à própria Operação Hipócrates.

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Um desfecho não substitui o outro. Mesmo que o TJMG autorize o retorno de Danilo ao cargo dentro dos 90 dias fixados pelo STJ, a Comissão Processante continuaria, em tese, com a obrigação de julgar o pedido de cassação relacionado à representação de janeiro, se é que ainda pode fazê-lo dentro do prazo que a própria lei estabelece.

Danilo Rezende, prefeito afastado de Três Marias, alvo de pedido de cassação na Comissão Processante
Danilo Barbosa Rezende, prefeito afastado de Três Marias. Foto: Redes Sociais/Divulgação

Entenda o caso

Danilo Rezende é médico e está no primeiro mandato à frente da prefeitura de Três Marias, cidade da Região Central de Minas Gerais. A Operação Hipócrates, deflagrada em junho pelo MPMG com apoio da Polícia Civil, investiga um contrato de transporte escolar rural fechado sem licitação, no valor estimado de R$ 3,78 milhões, além de suspeita de uso de pessoa interposta para explorar rotas em benefício do próprio prefeito. Trinta pessoas foram alvo de mandados de busca e apreensão na operação, entre Três Marias, Belo Horizonte e Patrocínio.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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