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Política

Câmara cria nova comissão processante no caso Danilo Rezende

Emerson Preto preside, Lé Pedreiro é relator e Mário Gaia, membro. Veja a linha do tempo do afastamento à liminar e um mapa mental dos dois processos que cercam o prefeito.

Danilo Rezende em círculo ao lado dos três vereadores da nova comissão processante de Três Marias
Danilo Rezende em círculo ao lado dos três vereadores da nova comissão processante de Três Marias

Uma nova comissão processante entrou no caso de Danilo Rezende na Câmara Municipal de Três Marias (MG). A composição foi divulgada nesta quarta-feira (14): o vereador Emerson Preto é o presidente, Lé Pedreiro é o relator e Mário Gaia é o membro. A Folha não teve acesso ao ato que criou o colegiado e as informações divulgadas não dizem se ele vai refazer a votação suspensa pela Justiça ou analisar outra denúncia.

O caso corre em duas pistas ao mesmo tempo, uma na Câmara e outra no Judiciário. Danilo Barbosa Rezende (Republicanos), médico natural de Patrocínio (MG), foi eleito prefeito de Três Marias em 2024. Está afastado do cargo desde 10 de junho, teve o mandato cassado em 4 de setembro e, desde 1º de outubro, tem uma liminar que suspende essa cassação. Ninguém foi condenado em nenhum dos processos. A defesa nega irregularidades.

Quem integra a nova comissão processante

Os três vereadores que integram a nova comissão processante da Câmara de Três Marias
Integrantes da nova comissão processante, segundo a divulgação. Foto: Reprodução

Segundo o que foi divulgado, a nova comissão processante tem três vereadores. Emerson Preto assume a presidência, Lé Pedreiro fica com a relatoria e Mário Gaia completa o grupo como membro. O relator é quem prepara o parecer que depois vai ao plenário.

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Lé Pedreiro é o nome pelo qual o vereador Marcos Aurélio Rodrigues dos Santos é conhecido na cidade. Ele já fazia parte da comissão anterior, sorteada em 22 de junho, ao lado de Flávio Rodrigues, o Neném Tatu, e de Getúlio Vargas. Aquela comissão assinou, em 1º de setembro, o parecer que embasou a cassação por 11 votos a 0.

Linha do tempo do caso Danilo Rezende

A sequência abaixo mostra onde a nova comissão processante se encaixa.

Janeiro: procurador deixa o cargo e a Câmara instala CPI

O procurador-geral do município, Bruno Rafael Souza Nascimento, deixou o cargo em janeiro e apresentou denúncia contra o prefeito. Entre os pontos citados estavam suspeita de nepotismo, a contratação de uma empresa de fachada para serviços de motonivelamento e o uso direcionado de verbas de publicidade institucional. Em 27 de janeiro, a Câmara instalou uma CPI para apurar as acusações. Danilo respondeu, em nota, que os fatos seriam esclarecidos nas instâncias competentes.

Junho: Operação Hipócrates, afastamento e primeira comissão

Em 9 de junho, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Polícia Civil cumpriram 30 mandados de busca e apreensão na Operação Hipócrates, que apura fraude em um contrato de R$ 3,78 milhões para o transporte escolar rural, entre outras suspeitas. No dia seguinte, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) afastou Danilo do cargo e o proibiu de acessar prédios da administração municipal. O vice, José Augusto (Avante), assumiu o comando da cidade.

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Em 19 de junho, Bruno Rafael protocolou a denúncia que deu origem ao processo de cassação. Três dias depois, a Câmara aprovou a abertura e sorteou a primeira comissão processante.

Agosto: TJMG mantém o afastamento e o STJ dá prazo

A comissão ouviu testemunhas em audiências nos dias 12, 13 e 19 de agosto. Na esfera judicial, o TJMG manteve o afastamento em 18 de agosto, por decisão unânime da 6ª Câmara Criminal. Em 26 de agosto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) mandou o tribunal mineiro reavaliar a medida em até 90 dias e vetou a renovação automática com base apenas nas mesmas suspeitas. O STJ não decidiu se Danilo é ou não responsável pelos fatos.

Setembro: a cassação por 11 a 0

Em 4 de setembro, os 11 vereadores votaram pela condenação nas duas infrações apuradas e pela cassação. Danilo não foi à sessão e chamou o julgamento de “essencialmente político”. O parecer da comissão, de 15 páginas, registrava notificações ao longo do processo. José Augusto assumiu em definitivo. Em 24 de setembro, o desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga negou o primeiro pedido para suspender a cassação.

Outubro: liminar e posição do MP

Em 1º de outubro, o mesmo desembargador, da 19ª Câmara Cível do TJMG, suspendeu em caráter liminar os efeitos do decreto legislativo que cassou o mandato. Segundo trechos divulgados da decisão, duas acusações foram votadas em um único quesito. A Câmara sustenta que a votação foi nominal e que os dois terços exigidos foram atingidos para cada infração. Em 13 de outubro, o MPMG defendeu, segundo o resumo divulgado, que o afastamento cautelar continue valendo, como a Folha mostrou em matéria sobre a volta de Danilo à Prefeitura.

Mapa mental: dois processos e um prefeito

O mapa abaixo reúne o caso em uma só imagem. De um lado fica a frente política, que corre na Câmara e agora tem uma nova comissão processante. Do outro, a frente judicial, em que o afastamento cautelar não depende da cassação.

Mapa mental com os dois processos do caso Danilo Rezende e a nova comissão processante
Mapa mental do caso Danilo Rezende. Arte: Folha de Patrocínio

A cassação por infração político-administrativa segue o Decreto-Lei 201, de 1967, que prevê a votação em plenário e exige dois terços dos vereadores. O afastamento, por outro lado, é uma medida cautelar da investigação criminal da Operação Hipócrates. Por isso, mesmo que a cassação caia, a volta de Danilo à Prefeitura ainda depende de o afastamento deixar de valer.

O que ainda não se sabe sobre a nova comissão processante

As informações divulgadas deixam perguntas em aberto. A Folha não confirmou a data em que a nova comissão processante foi criada nem o documento que a instituiu. Também não está claro se o colegiado vai repetir a votação que a liminar suspendeu, corrigindo o quesito apontado pelo desembargador, ou se parte de uma nova denúncia. Outro ponto sem resposta é o prazo: o Decreto-Lei 201 fixa 90 dias, a contar da notificação do acusado, para a comissão concluir o processo.

Também falta saber se Danilo reassumiu o cargo depois da liminar. A Folha noticiou em 6 de outubro que a decisão mandava o prefeito retomar o comando, mas não confirmou que isso tenha acontecido. A Folha segue atrás dessas respostas e atualiza esta matéria quando houver novidade sobre a nova comissão processante.

O caso segue em duas frentes: o mérito da cassação será analisado pelo TJMG, e o prazo de 90 dias do STJ para reavaliar o afastamento termina, pela conta da redação, perto do fim de novembro. Até lá, quem despacha na Prefeitura de Três Marias é o vice, José Augusto.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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