A filiação de Flávio ao Missão, registrada no sistema do TSE sem que o senador tivesse pedido a troca, agora é alvo de um inquérito aberto pelo Tribunal Superior Eleitoral. A corte negou que o caso tenha sido um ataque hacker e atribuiu o episódio ao uso indevido de credenciais de acesso ao sistema partidário.

O caso já vinha sendo acompanhado desde o início da semana, quando uma certidão do próprio TSE revelou que a filiação de Flávio ao Missão havia travado o registro de sua pré-candidatura à Presidência. Agora, com a abertura formal do inquérito, o tribunal busca identificar quem, dentro da estrutura do partido, movimentou o cadastro do senador sem o conhecimento dele.

A decisão foi tomada pelo presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, que enviou representação à Procuradoria-Geral Eleitoral e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária para identificar quem movimentou o cadastro do senador sem autorização.

O que mostra a certidão do TSE

Uma certidão histórica emitida pelo tribunal em 13 de agosto mostra que Flávio Bolsonaro aparece filiado ao PL desde 8 de dezembro de 2021, mas com status de desfiliado a partir de 12 de agosto de 2026, data em que passou a constar como filiado ao Missão. O senador nunca formalizou pedido de troca de partido, o que travou o registro de sua pré-candidatura à Presidência enquanto a situação não fosse corrigida.

É essa mudança repentina no cadastro que motivou o pedido de apuração. Antes da abertura do inquérito, a suspeita mais comum nas redes era de invasão do sistema partidário, hipótese que o próprio tribunal descartou na nota em que confirmou a filiação de Flávio ao Missão como resultado de acesso indevido, e não de um ataque externo.

Em nota, o TSE afirmou que a filiação ao Missão “não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária”, mas sim de “uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações”. Ou seja, segundo o tribunal, o acesso ao sistema foi feito por uma pessoa que já tinha login autorizado do partido Missão, não por invasão externa.

Prazo apertado para corrigir a filiação de Flávio ao Missão

O caso ganhou urgência porque o prazo final para o registro de candidaturas termina às 19h deste sábado, dia 15 de agosto. Até lá, a defesa de Flávio Bolsonaro precisa regularizar a filiação junto ao TSE para que a pré-candidatura à Presidência siga o rito normal, sem risco de impugnação por inconsistência partidária.

O imbróglio se soma a outros episódios que têm marcado a corrida presidencial de 2026, num cenário em que o PL, partido de origem do senador, e o Missão, legenda pequena que passou a figurar no cadastro sem autorização declarada, disputam narrativas sobre o ocorrido. O TSE não indicou, até a publicação desta matéria, se algum responsável já foi identificado dentro da estrutura do Missão.

Fachada do prédio-sede do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília, órgão que abriu inquérito sobre a filiação de Flávio ao Missão
Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, órgão responsável por apurar o caso da filiação ao Missão. Foto: Wikimedia Commons

Repercussão do caso

A situação alimentou debate político nas redes sociais, com aliados de Flávio Bolsonaro cobrando explicações do TSE sobre como um cadastro partidário pôde ser alterado sem o conhecimento do próprio filiado. Já apoiadores de partidos rivais usaram o episódio para questionar a segurança do sistema eleitoral às vésperas do fechamento das candidaturas para 2026.

O TSE reforçou que a apuração seguirá o rito da Polícia Judiciária vinculada ao tribunal, sem prazo estipulado publicamente para conclusão. Enquanto isso, a filiação de Flávio ao Missão segue sob a mesma certidão que travou o registro de sua pré-candidatura, tema que a Folha de Patrocínio já vinha acompanhando desde o primeiro sinal do problema no cadastro do tribunal.

Mais informações sobre o histórico do caso, incluindo o momento em que o bloqueio da candidatura foi detectado, estão disponíveis na cobertura anterior da Folha de Patrocínio sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro travada por troca de partido no TSE. Detalhes técnicos da nota oficial do tribunal podem ser conferidos na reportagem do O Tempo.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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