Acusado de feminicídio é preso escondido na garagem de um primo em Patos de Minas
Ele fugiu na moto do filho da vítima rumo à BR-365 e escapou de um cerco antes de ser achado à noite no bairro Gramado; a Polícia Civil conduz a investigação.

O acusado de feminicídio contra Rosineide Bispo dos Santos, de 39 anos, foi preso na noite desta terça-feira (6) em Patos de Minas. Segundo a Polícia Militar, Maurício Lopes estava escondido na garagem da casa de um primo, no bairro Gramado, e foi detido sem oferecer resistência, horas depois de a mulher ser encontrada morta dentro de casa, no bairro Padre Eustáquio.
Levado para a Delegacia de Plantão, o suspeito confessou ter estrangulado a companheira durante uma briga, de acordo com o tenente João Paulo Sousa, da PM. A versão foi dada pelo próprio preso aos policiais e ainda será analisada pela Polícia Civil, responsável pela investigação.
A Folha noticiou a morte na noite de terça, quando o companheiro ainda era procurado. Os primeiros detalhes do caso estão na reportagem Feminicídio em Patos de Minas: mulher de 39 anos é achada morta em casa.
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Pelo relato da Polícia Militar, o acusado de feminicídio deixou a casa logo depois do crime em uma motocicleta que pertencia ao filho da vítima e seguiu na direção da BR-365. Uma guarnição chegou a avistar a moto, mas ele conseguiu escapar. A PM montou um cerco na região e, no fim da tarde, recebeu a informação de que o suspeito estaria descendo a rodovia nas proximidades de um restaurante às margens da BR-365. A equipe foi até o ponto indicado e não o encontrou.
A localização veio já à noite. Os militares chegaram a uma casa no bairro Gramado que, segundo a corporação, pertence a um primo de Maurício, o único parente que ele tem na cidade. O imóvel foi cercado e o suspeito, achado na garagem. Ele foi levado à delegacia em uma viatura do 15º Batalhão da PM.

O que o suspeito contou aos policiais
Ainda segundo o tenente João Paulo Sousa, Maurício disse que vivia com Rosineide havia cerca de um mês. Na manhã de terça, ele saiu para trabalhar e os dois começaram a discutir por mensagens no celular. Pelo relato do preso, ela pediu que ele fosse embora e disse que já estava com outra pessoa.
O homem afirmou à PM que voltou à casa para buscar seus pertences e que a discussão recomeçou ali. Ele contou que houve agressões dos dois lados e que, no confronto, os dois se seguraram pelo pescoço, até que ele a enforcou. É a versão do acusado de feminicídio, sem confirmação independente até agora. A perícia da Polícia Civil, acionada ainda na tarde de terça, é que vai apontar a causa da morte e a dinâmica do crime.
As informações preliminares repassadas à polícia no dia do crime indicavam que, depois de matar a mulher, o suspeito teria ido ao trabalho e contado o que fez a um colega. Essa testemunha avistou uma viatura e avisou os militares. Na casa, os peritos também recolheram um alicate com marcas de sangue encontrado perto do corpo, segundo as primeiras informações da ocorrência. Equipes da Casa da Mulher e do Conselho Tutelar estiveram no local para apoiar o atendimento e a família. Rosineide deixou filhos.
O que acontece agora
O acusado de feminicídio deve responder pela morte de Rosineide. Cabe à Polícia Civil concluir o inquérito, ouvir testemunhas, juntar o laudo da perícia e encaminhar o caso ao Ministério Público, que decide se oferece denúncia. Como toda pessoa presa, ele passa por audiência de custódia, em que a Justiça avalia se a prisão é mantida. Até o julgamento, Maurício é tratado como suspeito.
Desde a Lei 14.994, de outubro de 2024, o feminicídio é um crime autônomo no Código Penal, com pena de 20 a 40 anos de reclusão. A tipificação vale quando a mulher é morta por razões da condição do sexo feminino, o que inclui a violência doméstica e familiar. Se a acusação vai ser de feminicídio é algo que só se define ao fim da investigação e da análise do Ministério Público.
Onde pedir ajuda
Não é o primeiro caso de violência contra a mulher em Patos neste ano. Em setembro, a Folha registrou o caso de um homem que descumpriu medida protetiva e invadiu a casa da ex com uma faca, também em Patos. Em Patrocínio, a campanha Sinal Vermelho permite que a vítima peça socorro em farmácias e outros estabelecimentos mostrando um X vermelho na mão.
Quem sofre ou presencia violência doméstica pode ligar para o Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher do governo federal, que funciona 24 horas, é gratuita e aceita denúncia anônima. Em situação de risco imediato, o número é o 190, da Polícia Militar. A Lei Maria da Penha garante medidas protetivas de urgência, que podem ser pedidas em qualquer delegacia.
Outras ocorrências da região estão na editoria Policial da Folha.
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