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Aposentadoria de Lula: Waack vê 1º turno como divisor de águas

Em análise na CNN Brasil, o jornalista diz que a soma de rejeição e a força da centro-direita no Congresso dificultam a vitória de Lula em 25 de outubro.

Jornalista William Waack em estúdio da CNN Brasil durante comentário sobre a aposentadoria de Lula
Jornalista William Waack em estúdio da CNN Brasil durante comentário sobre a aposentadoria de Lula

Para o jornalista William Waack, a aposentadoria de Lula (PT) está perto. Ao vivo na CNN Brasil, ele disse que o primeiro turno deixou o presidente “à beira da aposentadoria”. O comentário foi ao ar por volta das 22h de domingo (4), na noite em que Flávio Bolsonaro (PL) e o petista se classificaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. A Folha reproduz o trecho em vídeo e resume abaixo o que o comentarista afirmou, separando a opinião dele dos números oficiais da votação.

Análise de William Waack sobre o primeiro turno, exibida pela CNN Brasil. Imagens: CNN Brasil.

O que Waack disse sobre a aposentadoria de Lula

Na avaliação do comentarista, a aposentadoria de Lula passou a ser um cenário concreto porque o presidente chega ao segundo turno em “inferioridade numérica”. Waack citou três fatores que, juntos, tornariam a vitória “muito difícil” e o governo, caso ela aconteça, ainda mais complicado.

O primeiro é a soma de rejeição ao presidente com a desaprovação do terceiro mandato. O segundo é o tamanho da bancada de centro-direita no Legislativo, que ele chamou de “enorme maioria”. O terceiro, mais controverso, é a atuação da cúpula do Judiciário, que, segundo o comentarista, tomou decisões políticas para tentar garantir a reeleição de um presidente que, de acordo com as urnas, é menos popular que o adversário.

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Waack também inseriu o resultado brasileiro numa tendência mundial de desencanto com quem está no poder, mas disse que o caso daqui tem um traço “muito brasileiro”, justamente o papel atribuído ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele disse não saber como ficará a crise institucional depois dessa atuação do tribunal.

Os números do primeiro turno

Os dados oficiais ajudam a medir o alcance da frase. Segundo o resumo publicado pelo Senado Federal, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com cerca de 47% dos votos válidos, o equivalente a 56,1 milhões de votos. Lula ficou com cerca de 45%, ou 53,8 milhões. A diferença entre os dois é de aproximadamente 2,2 milhões de votos, ou perto de dois pontos percentuais.

Os demais candidatos somaram o restante: Augusto Cury (Avante) teve 2,89% e Renan Santos (Missão), 2,25%. O comparecimento foi de 78,92%, com abstenção de 21,08%. Os votos em branco chegaram a 1,84% e os nulos, a 2,93%. Os números detalhados da apuração estão no site do TSE.

Uma diferença de dois pontos é curta para quem precisa recuperar votos em três semanas, mas está longe de ser uma vantagem decidida. O segundo turno é uma eleição nova, e a transferência dos eleitores que votaram em outros candidatos, além dos que se abstiveram, pesa no resultado final.

William Waack comenta na CNN Brasil a aposentadoria de Lula depois do primeiro turno
William Waack durante a análise do primeiro turno na CNN Brasil. Imagem: reprodução/CNN Brasil.

Rejeição e Congresso pesam na leitura de Waack

A rejeição de Lula já aparecia nas pesquisas antes do primeiro turno. Um levantamento da Gerp, publicado pela Folha, mostrou a rejeição do presidente em 50%, contra 42% de Flávio Bolsonaro. É esse tipo de dado que sustenta o argumento do comentarista sobre o limite de crescimento de um candidato que busca o terceiro mandato.

Na leitura de Waack, a aposentadoria de Lula não depende só do segundo turno. O argumento sobre o Congresso vai além da eleição. Mesmo que Lula vença em 25 de outubro, Waack avalia que governar com uma maioria de centro-direita no Legislativo seria ainda mais difícil. No raciocínio dele, tanto a vitória no segundo turno quanto a capacidade de governar depois dela estão em risco.

Crítica ao STF é opinião do comentarista

A afirmação de que ministros do STF operaram decisões políticas para favorecer a reeleição é uma avaliação de Waack, apresentada em um programa de análise. Ela não foi apurada nem confirmada pela Folha, e o trecho divulgado não traz resposta do tribunal nem da campanha do presidente. O debate sobre o papel do Supremo na política tem rendido outras matérias no site, como a que trata da fala de Lula sobre o STF no podcast Flow.

Também cabe ressalva sobre as projeções. Waack falou na noite da votação, com a apuração recém-concluída, e disse que as consequências ainda eram “imprevisíveis”. Pesquisas e análises feitas nesse momento costumam mudar nos dias seguintes, quando entram em cena os apoios declarados, a propaganda eleitoral e os debates.

Fim de ciclo político, segundo o comentarista

No fim da fala, Waack disse que o resultado do primeiro turno é um “divisor de águas” e que, possivelmente, indica o fim de um ciclo político de 41 anos. No trecho exibido, ele não detalha a que período se refere. O comentarista não fez uma previsão firme sobre o desfecho de 25 de outubro e usou o advérbio “possivelmente” nas duas vezes em que falou do ciclo.

A aposentadoria de Lula, portanto, é por enquanto uma avaliação de comentarista, e não um fato. O que está confirmado é o calendário: os dois candidatos entram agora em uma campanha de três semanas, e o eleitor volta às urnas em 25 de outubro. A Folha acompanha o segundo turno e vai publicar os resultados e os desdobramentos da disputa.

Com informações da CNN Brasil, do Tribunal Superior Eleitoral e do Senado Federal.


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