Expocacer embarca 1.080 sacas de café para EUA e Reino Unido
Primeiros contêineres da safra 2026/27 saem de Patrocínio com lotes de quatro selos que contam a história do produtor, para vender a torrefadores no exterior.

A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), de Patrocínio, embarcou em setembro os primeiros contêineres da safra 2026/27 para os centros de distribuição que mantém nos Estados Unidos e no Reino Unido. A remessa soma 1.080 sacas de 60 quilos: 760 para o hub americano e 320 para o britânico, segundo a própria cooperativa, em comunicado divulgado nesta quarta-feira (30).
Os lotes foram escolhidos para mostrar de onde vem o café, quem o produziu e o que o diferencia dos outros. Ficam à disposição de torrefadores, cafeterias e distribuidores que queiram provar o Cerrado Mineiro e fechar negócio.
Quatro selos para cada lote
A oferta comercial se organiza em quatro “labels”, ou selos, que a cooperativa usa para classificar cada lote pelo atributo que melhor o define. O primeiro, Origin, destaca a procedência e a consistência do café, ligado à região do Cerrado Mineiro. O One aproxima o comprador de uma propriedade e de um produtor específicos, com a história de quem plantou. O Plot trata do que torna o café singular: o talhão, a variedade, o processo de preparo ou o perfil na xícara. E o Impact liga o lote aos programas sociais e ambientais da Expocacer.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Um mesmo café pode reunir vários atributos, explica Sandra Moraes, gerente de Cafés Especiais da cooperativa. A proposta, diz ela, é dar protagonismo ao que melhor traduz a identidade do lote, e esse protagonista costuma ser o produtor. “Queremos nos conectar com o mercado mundial ofertando não somente um café especial, mas toda história e origem que dão identidade a cada lote”, afirma.
Entre as iniciativas que o selo Impact pode carregar estão a agricultura regenerativa, a produção de baixo carbono, projetos com mulheres e a sucessão familiar, que busca manter jovens na atividade da família.

Dois hubs, dois mercados
O hub dos Estados Unidos foi aberto em 2024, e o do Reino Unido, em Londres, foi inaugurado em fevereiro de 2025. A ideia dessas bases é manter café da Expocacer em armazéns no exterior, em nome da cooperativa, para entrega imediata, em microlotes ou em qualquer quantidade. O comprador não precisa esperar o café atravessar o oceano.
Agora, a Expocacer usa essa estrutura para fazer vitrine. Segundo Sandra Moraes, o objetivo é “aproximar nossos cooperados dos principais compradores internacionais”, dar visibilidade ao trabalho de cada um e gerar valor a mais por meio de oportunidades comerciais. A cooperativa fala em “eventual geração de demanda”, ou seja, a remessa é uma aposta, não uma venda fechada.
O tamanho da Expocacer
Com sede em Patrocínio, a Expocacer faturou mais de R$ 3 bilhões em 2025 e reúne mais de 800 produtores associados. Para 2026, projeta cerca de 2,8 milhões de sacas de café arábica na área em que atua. A safra do Cerrado Mineiro deve ser grande: a Folha já mostrou que a safra de café bate recorde e o Cerrado Mineiro colhe 86% a mais.
Em 2024, a cooperativa registrou alta de 41% nas exportações, com mais de 550 mil sacas vendidas ao mercado externo e faturamento de cerca de R$ 840 milhões. Hoje, segundo ela, o café de seus cooperados chega a mais de 35 países.
Regenerativo e certificado
A base técnica dos lotes “Impact” está nas certificações. A cooperativa tem 19,4 mil hectares de café certificados em cafeicultura regenerativa e outros 29 mil hectares conduzidos sob manejo regenerativo. Foi a primeira cooperativa do mundo a receber a certificação de Agricultura Regenerativa da Regenagri, concedida pela Control Union após auditoria independente. Recentemente, também passou por auditorias da Rainforest Alliance e validou processos e propriedades cooperadas nos padrões SAS e RAS da organização.
Para o comprador estrangeiro, o selo é uma garantia a mais. Um lote que chega com o nome do produtor, o talhão e as práticas de cultivo tende a ser mais fácil de vender, e de vender por um preço melhor, do que o café comum negociado por tipo e peneira.
O que muda para o produtor de Patrocínio
Para o cafeicultor da região, a notícia mostra um caminho além da cotação do dia. Nesta semana, a saca de arábica na tabela da Expocacer em Patrocínio ficou em R$ 1.730, a mais alta entre as praças acompanhadas, como a Folha noticiou ao mostrar que o café de Patrocínio lidera a tabela do físico. O preço, porém, depende da bolsa de Nova York, e quem vende só commodity sofre com cada oscilação. Lotes com identidade própria abrem a chance de negociar acima do mercado.
A primeira remessa tem pouco mais de mil sacas, uma fração do que a cooperativa movimenta, e a demanda ainda precisa aparecer. A Expocacer, que na semana passada confirmou que Flávia Madureira assume a presidência em novembro, não informou preços nem os compradores já contatados, e o resultado dessa vitrine só aparece nos próximos meses.
Mais informações no comunicado da Expocacer.
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