Consumo de carne bovina: cada brasileiro terá 2,3 kg a menos em 2026, projeta a Conab
A projeção é de 33,8 kg por habitante em 2026, contra 36,1 kg em 2025. Não é consumo medido: é a carne que sobra no país depois das exportações, e a Conab cita China, câmbio e rebanho.

O consumo de carne bovina por habitante deve cair em 2026: a projeção da Conab, a companhia nacional de abastecimento, é de que cada brasileiro tenha 33,8 quilos de carne bovina disponíveis no ano, contra 36,1 quilos em 2025. São 2,3 quilos a menos por pessoa, a primeira queda depois de dois anos seguidos de alta.
Um detalhe muda a leitura do número. O que a Conab projeta é a disponibilidade de carne por habitante, ou seja, o que sobra no país depois das exportações, e não o consumo medido nas casas. A queda que aparece nos títulos, de 6,6%, vem desse dado, e a explicação do órgão está no lado da oferta, e não no gosto do consumidor.
Os números da projeção da Conab
A projeção foi atualizada em agosto e voltou ao noticiário nesta terça-feira (3). Pela conta da Folha, com os valores arredondados de 36,1 e 33,8 quilos, a diferença é de 2,3 quilos, ou cerca de 6,4%. A cifra de 6,6%, que circula nas reportagens, provavelmente parte de números sem arredondamento. A Folha não teve acesso ao relatório original e, por isso, trata o percentual como o que foi divulgado, e a diferença em quilos como o dado mais firme.
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O que a Conab diz que explica a queda
Em nota, a Conab liga a queda às condições de oferta e de comercialização, e não a uma mudança estrutural na renda ou nos hábitos dos brasileiros. Dois fatores aparecem no centro da explicação: a demanda externa, em especial a da China, e a desvalorização do real. Com o real mais fraco, vender lá fora compensa mais para os frigoríficos, e o que fica no mercado interno é menor.
Há ainda o ciclo pecuário, que a Conab descreve como um fator que afeta a oferta de animais de forma temporária. Segundo o economista André Braz, da FGV Ibre, depois de uma fase de abates elevados os pecuaristas passam a segurar matrizes para recompor o rebanho, o que diminui o número de animais prontos para o abate no curto prazo. Ele avalia que essa oferta menor pode dificultar uma queda dos preços no mercado interno, sobretudo no fim do ano.
O que isso significa no prato e no bolso
Menos carne disponível e arroba em alta empurram o preço para cima, e o consumidor reage trocando de proteína, com mais frango, carne suína e ovos. A Folha mostrou, em a alta de 10,7% da picanha em 12 meses e o recorde da arroba do boi, como esse movimento já chega à gôndola. Na comparação entre capitais, a carne pesa na conta de a cesta básica mais cara do país.
O tema também tem peso político. A carne ficou no centro do debate desde a campanha de 2022, quando Lula prometeu que o brasileiro voltaria a comer picanha, e a promessa volta sempre que o preço sobe, como mostrou a Folha ao checar o vídeo de 2025 sobre o preço da carne que voltou a viralizar. A Conab não atribui a queda de 2026 a nenhuma política do governo: os fatores que ela cita são o mercado externo, o câmbio e o ciclo do rebanho.
Alpha for MenQuem perceber variação abusiva de preço, ou pagar por um corte diferente do que foi anunciado, pode registrar a reclamação no Procon Municipal de Patrocínio, que atende os consumidores da cidade. Para acompanhar o preço da arroba, vale olhar o indicador do Cepea, que mede o boi gordo em São Paulo, e os dados de inflação do IBGE, que mostram o que muda nos açougues.
O que ainda falta saber
A Folha não encontrou, até agora, o relatório original da Conab com a série completa. Também não há dado oficial de quanto da carne bovina brasileira vai para fora: o que a Conab traz é a conta final por habitante. A Folha atualiza esta reportagem quando houver o relatório completo ou nova projeção.
Ilustração gerada por IA (Gemini). Não é foto do fato.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.




