Qual capital tem a cesta básica mais cara? São Paulo lidera com R$ 922,51
O custo dos alimentos básicos subiu nas 27 capitais em setembro. Em Belo Horizonte, a cesta de R$ 802,99 consome 53,55% do salário mínimo líquido, segundo o Dieese.

A cesta básica mais cara do país em setembro foi a de São Paulo, que custou R$ 922,51, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita pelo Dieese em parceria com a Conab e divulgada na sexta-feira (9). O custo dos alimentos básicos subiu nas 27 capitais pesquisadas entre agosto e setembro, e a lista da cesta básica mais cara tem o Sudeste e o Sul no topo. Em Belo Horizonte, a cesta ficou em R$ 802,99, alta de 5,72% em um mês.
O trabalhador que recebe um salário mínimo de R$ 1.621 precisou destinar, em média, 50,21% da renda líquida para comprar a cesta nas 27 capitais. Em agosto, o percentual era de 48,46%. O tempo de trabalho necessário subiu de 98 horas e 37 minutos para 102 horas e 11 minutos.
Cesta básica mais cara: o ranking de setembro
As quatro capitais com os maiores custos ficaram acima de R$ 890. A tabela traz as cestas mais caras, a de Belo Horizonte e a mais barata do levantamento.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.| Capital | Valor da cesta | Variação em um mês |
|---|---|---|
| São Paulo | R$ 922,51 | 2,43% |
| Florianópolis | R$ 915,62 | 7,61% |
| Rio de Janeiro | R$ 913,46 | 7,32% |
| Cuiabá | R$ 891,24 | 4,66% |
| Porto Alegre | R$ 889,15 | 5,93% |
| Belo Horizonte | R$ 802,99 | 5,72% |
| Aracaju | R$ 587,76 | 2,94% |
Florianópolis teve a maior alta mensal entre as capitais mais caras, com 7,61%, seguida do Rio de Janeiro, com 7,32%. Na comparação com setembro de 2025, o custo da cesta foi maior em todas as capitais, com variações de 2,61%, em Boa Vista, a 15,14%, em Fortaleza. No acumulado do ano, entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, os aumentos ficaram entre 3,95%, em Campo Grande, e 16,76%, em Porto Velho.
Por que Aracaju aparece no fim da lista
As capitais do Norte e do Nordeste não entram na mesma régua. Nessas cidades a cesta leva menos carne, não inclui batata e traz farinha de mandioca no lugar da farinha de trigo. Por isso os menores valores, como os de Aracaju (R$ 587,76), Maceió (R$ 631,28), Salvador (R$ 634,67) e Natal (R$ 635,60), não podem ser comparados diretamente com os do Sul e do Sudeste. Para saber qual é a cesta básica mais cara de cada região, a comparação mais segura é a variação de cada capital ao longo do tempo.
Belo Horizonte: tomate e batata puxam a alta
Na lista da cesta básica mais cara do país, Belo Horizonte aparece na décima posição entre as 27 capitais. A cesta da capital mineira acumulou alta de 11,72% em 12 meses e de 11,02% desde dezembro de 2025. Entre agosto e setembro, nove dos 13 produtos ficaram mais caros. O tomate subiu 51,86% e a batata, 34,73%. O arroz agulhinha avançou 8,55% e a carne bovina de primeira, 2,21%.
Em quatro itens o preço caiu: banana (-11,24%), feijão carioca (-3,34%), café em pó (-1,90%) e manteiga (-1,35%). No ano, o tomate acumula alta de 96,44% na capital mineira, e o café em pó, queda de 18,87%.
O trabalhador de Belo Horizonte que ganha um salário mínimo precisou trabalhar 108 horas e 59 minutos para comprar a cesta em setembro, contra 103 horas e 05 minutos em agosto. A cesta consumiu 53,55% do salário mínimo líquido, acima da média das capitais.
Alpha for MenO que explica a alta dos alimentos
Segundo o Dieese, o clima e o cenário internacional pressionaram os preços. O índice de preços dos alimentos da FAO, órgão da ONU para a agricultura, subiu 1,5% em setembro e chegou a 136 pontos, o maior nível desde novembro de 2022, por causa de problemas de logística ligados a conflitos e de questões climáticas.
No varejo brasileiro, o tomate está entre os itens de maior alta. O preço subiu em 26 das 27 capitais entre agosto e setembro, porque as temperaturas baixas atrasaram a maturação do fruto e reduziram a oferta. A batata ficou mais cara em todas as cidades do Centro-Sul por causa das chuvas. O arroz agulhinha subiu em 24 capitais.
O café em pó caminhou no sentido contrário. O preço médio do quilo caiu em 25 das 27 capitais em setembro e diminuiu nas 27 em 12 meses, com quedas entre 9,30%, em Natal, e 24,50%, no Rio de Janeiro. O Dieese atribui o recuo à maior oferta e à perspectiva de uma boa safra.
O salário mínimo necessário
Com base na cesta básica mais cara, a de São Paulo, o Dieese calcula o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas. Em setembro, o valor estimado foi de R$ 7.750,01, ou 4,78 vezes o mínimo vigente, de R$ 1.621. Em agosto, o cálculo era de R$ 7.565,86, e em setembro de 2025, de R$ 7.075,83. Trata-se de uma estimativa técnica do instituto, e não do valor legal do salário mínimo.
O que este dado não diz
A pesquisa mede o preço médio de uma lista fixa de alimentos nas capitais e não representa o gasto real de cada família, que varia conforme o local de compra e os hábitos de consumo. Os números também não indicam o que acontecerá em outubro: o Dieese divulga o resultado de cada mês no começo do mês seguinte, e a edição de outubro mostrará se a pressão continua.
E em Patrocínio (MG)?
O Dieese não pesquisa Patrocínio nem outras cidades do interior. A referência de Minas Gerais é Belo Horizonte, e a alta de 5,72% na capital mostra o tamanho da pressão que o consumidor mineiro sentiu em setembro. A cesta básica mais cara do país, a de São Paulo, não diz o que acontece nas cidades do interior, mas a queda do café em pó pesa na região do maior produtor do país, e a Folha acompanha o assunto em preço do café cai quase 7% em setembro.
Para quem pesquisa preços, a Folha publicou o levantamento combustíveis em Patrocínio: etanol compensa em 16 de 17 postos. Na inflação oficial, o IPCA de setembro e a projeção do mercado para o ano estão em projeção da inflação de 2026 passa do teto da meta. O consumidor que encontrar preço abusivo, propaganda enganosa ou produto vencido pode registrar a queixa no Procon Municipal de Patrocínio.
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