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Política

Ataques a manifestantes em Patos de Minas: advogadas acionam MP e notificam vereador

Três participantes de ato em Patos de Minas relatam ameaças, ofensas raciais e tentativas de demissão após exposição de imagens. Notificação ao vereador José Luiz foi enviada em 12 de outubro.

Manifestantes com bandeiras e cartazes na Avenida Getúlio Vargas, em Patos de Minas, cena que motivou a denúncia de ataques a manifestantes
Manifestantes com bandeiras e cartazes na Avenida Getúlio Vargas, em Patos de Minas, cena que motivou a denúncia de ataques a manifestantes

Três pessoas que participaram de um ato político em Patos de Minas (MG) decidiram ir à Justiça depois que imagens delas foram publicadas sem autorização e passaram a circular com ofensas e ameaças. As quatro advogadas que representam o grupo mandaram uma notificação extrajudicial ao vereador José Luiz Borges Junior no dia 12 de outubro, pedindo que ele retire as imagens do ar, e anunciaram que vão acionar o Ministério Público de Minas Gerais, o Ministério Público do Trabalho, a Câmara Municipal e a esfera cível.

O caso tem origem na confusão de 10 de outubro na Avenida Getúlio Vargas, no Centro de Patos de Minas, quando dois atos de campanha do segundo turno se cruzaram e houve empurrões perto da caminhonete em que estava o vereador. Depois do episódio, segundo as advogadas, os manifestantes passaram a ser alvo de comentários no Instagram e no TikTok e de mensagens em grupos de WhatsApp com incentivo à violência física, ofensas raciais e misóginas e divulgação de dados pessoais.

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Ataques a manifestantes: o que as advogadas apuraram

A defesa diz que parte das mensagens tinha um alvo específico: o emprego dos três. Houve tentativas de avisar os patrões sobre a participação no ato, com o objetivo de provocar demissões. Esse ponto já foi levado ao Ministério Público do Trabalho, porque discriminar um trabalhador por opinião política fere a Constituição e normas internacionais de proteção ao trabalho.

As provas dos ataques a manifestantes foram guardadas por capturas de tela certificadas, um procedimento técnico que registra data, hora e origem do conteúdo, e seguem para o Ministério Público. A expectativa das advogadas é que cada autor de publicação seja identificado e responda individualmente, na esfera criminal e na cível. Elas lembram que perfil anônimo ou com apelido não impede a identificação de quem publica conteúdo ilegal.

A nota das advogadas afirma que a liberdade de expressão não cobre ameaça, discriminação nem ataque à honra e à intimidade. O artigo 5º da Constituição Federal garante a livre manifestação do pensamento, mas veda o anonimato e assegura indenização por dano moral ou à imagem.

Homem de camisa amarela de costas diante de manifestantes com bandeiras vermelhas em Patos de Minas, no ato que gerou os ataques a manifestantes
Encontro dos dois atos na Avenida Getúlio Vargas, em Patos de Minas, em 10 de outubro. Foto: Reprodução

O que pediram ao vereador e à Câmara

A notificação extrajudicial é o primeiro passo formal contra os ataques a manifestantes. Nela, as advogadas pedem que o vereador pare de expor as imagens dos manifestantes e interrompa a cadeia de ataques que começou com a publicação. A Câmara Municipal de Patos de Minas também será acionada, o que pode abrir caminho para uma representação por quebra de decoro, cabendo à Casa decidir se há motivo para apurar a conduta do parlamentar.

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O vereador José Luiz, do Podemos, publicou um vídeo próprio após a confusão de 10 de outubro, em que afirmou ter sofrido uma tentativa de agressão. Ele não se feriu. A Folha mostrou na época que as imagens que circulam são curtas e não permitem dizer quem começou a briga, como está na matéria sobre a confusão entre os dois atos em Patos de Minas. Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública do vereador sobre a notificação.

Nova manifestação no domingo

O anúncio das medidas sai a três dias de um novo ato político em Patos de Minas, marcado para domingo, 18 de outubro, a uma semana do segundo turno. As advogadas pedem que as autoridades garantam a segurança de quem for às ruas e evitem novos ataques a manifestantes. A defesa diz que a atuação não tem motivação partidária e que o objetivo é assegurar o direito de qualquer cidadão de participar de manifestação pacífica sem sofrer violência ou intimidação.

Os nomes dos três manifestantes não foram divulgados, por segurança e privacidade. A nota é assinada por Luciana Cecília Morato, Kátia Mendes de Andrade, Daniele Carmo Nunes e Nayara Maria Oliveira Martins, todas inscritas na OAB de Minas Gerais.

O clima na reta final do segundo turno

Os ataques a manifestantes em Patos de Minas se somam a outros sinais de tensão na região às vésperas de 25 de outubro. Em Patrocínio, o 46º Batalhão da Polícia Militar montou um esquema com 253 militares para o dia da votação, como a Folha mostrou na matéria sobre a operação do 46º BPM nas eleições. Na disputa pelo governo de Minas, o TRE-MG já concedeu direito de resposta e mandou retirar vídeo de campanha do ar.

Para quem for a atos políticos nos próximos dias, a orientação das advogadas vale como alerta prático: quem sofrer ataque nas redes deve guardar prints com data e hora, anotar os perfis envolvidos e procurar a polícia ou o Ministério Público. Ameaça, injúria racial e divulgação de dados pessoais são crimes, e a Lei Geral de Proteção de Dados também se aplica a quem expõe informações de terceiros. A cobertura completa da disputa está na editoria de Política da Folha.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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