Vídeo de moradores sem água na região de Irecê circula sem local nem data confirmados; fontes falam em 25 dias, e não em 30
A legenda cita mais de 30 dias sem abastecimento e protestos na Bahia. A única contagem achada nas fontes é de 25 dias em Salobro, e a Embasa não respondeu sobre o vídeo.

Um vídeo de cerca de 20 segundos circula nas redes como retrato da falta de água na região de Irecê, na Bahia: segundo a legenda, comunidades estariam há mais de 30 dias sem abastecimento regular e protestando. As imagens mostram uma mulher falando a um repórter, ao lado de um caminhão-tanque, numa rua de casas. A Folha não conseguiu confirmar onde nem quando o vídeo foi gravado, e não achou fonte que sustente os “mais de 30 dias” nem os protestos citados na legenda. O que existe de confirmado na região é outra coisa: reclamações antigas contra a Embasa, um caso de 25 dias sem água em Salobro e prefeitos cobrando a empresa.
Quem gravou o vídeo e o que as imagens mostram
A legenda que acompanha o vídeo atribui o material à Sociedade ON e ao Irecê Notícias, e é com esse crédito que a Folha o descreve: imagens de Sociedade ON e Irecê Notícias, segundo a legenda de quem o divulgou. A Folha não encontrou, nos dois veículos, a reportagem original, por isso não pode dizer em que condições a gravação foi feita.
A cena mostra uma mulher de vestido estampado que fala com um repórter de microfone na mão. Atrás dela está parado um caminhão-tanque, e há outras pessoas e uma criança na rua. O texto que aparece na tela fala em “população se revolta com falta de água no Nordeste” e em moradores que cobram providências. Não há placa, nome de rua, bairro ou cidade visível, e o áudio quase não permite entender o que é dito. Sem isso, o vídeo sozinho não prova que a gravação é de Irecê.
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O que as fontes confirmam sobre a falta de água na região de Irecê
Em 3 de agosto, um veículo local registrou aumento das reclamações contra a Embasa em municípios da região de Irecê, com queixas de falta de abastecimento, demora para resolver os problemas e ausência de respostas. O caso mais crítico era o do distrito de Salobro, em Canarana, onde moradores diziam estar há 25 dias sem água nas torneiras. Esse é o único número de dias que apareceu nas fontes consultadas, e ele é menor do que os “mais de 30” da legenda.
Em 21 de outubro, prefeitos de Souto Soares, Mulungu do Morro, Barro Alto e Canarana se reuniram com a Embasa, na sede da empresa em Irecê, para tratar do abastecimento. O texto que registrou a reunião não traz causa, prazo nem decisão. Em fevereiro, o deputado estadual Pedro Tavares, do União Brasil, cobrou soluções da Embasa e investimentos do governo da Bahia para a região, citando os distritos de Queimada Nova, em Jussara, e Floresta, em João Dourado, entre os mais afetados. Ele defendeu a interligação das bacias do Rio Verde e do São Francisco para reforçar a Barragem de Mirorós.
O que a Embasa disse
Nenhuma das reportagens mais recentes traz resposta da Embasa sobre os protestos citados no vídeo. Em relação a Salobro, a empresa informou ao veículo local, na ocasião, que a maior parte dos imóveis tinha voltado a receber água depois de um reparo emergencial numa adutora. Segundo a Embasa, o vazamento ficou difícil de alcançar porque a área estava alagada, e o sistema vinha tendo problemas operacionais sucessivos nas duas semanas anteriores. A empresa avisou que as partes mais altas do distrito poderiam demorar mais a normalizar. A Folha não encontrou nota atual da Embasa sobre o caso do vídeo.
Por que a data e o local importam
Vídeo de falta de água é um tipo de conteúdo que circula por meses e muda de cidade conforme quem compartilha. Um vídeo sem data e sem local pode ser antigo ou de outra região do Nordeste, e a legenda de um repost não substitui uma checagem. Por isso a Folha registra o crédito que consta na legenda, informa o que viu e deixa claro o que não foi confirmado. Se os veículos citados ou a Embasa confirmarem o local e a data, a reportagem será atualizada.
Alpha for MenEm Patrocínio, o tema do abastecimento também aparece na agenda do DAEPA. A Folha mostrou o reservatório do DAEPA, que guarda 250 mil litros, e já registrou paralisações pontuais, como a que atingiu o Morada Nova e o Dona Diva e o retorno do abastecimento depois da troca de bombas.
O que ainda falta saber
Faltam a confirmação do local e da data do vídeo, a reportagem original da Sociedade ON e do Irecê Notícias, o número real de dias sem água e a posição da Embasa sobre as comunidades que aparecem nas imagens. Informações sobre o abastecimento na Bahia ficam no site da Embasa.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.




