O ministro André Mendonça pediu, na noite desta quinta-feira (3), o afastamento de Moraes do Supremo Tribunal Federal. O pedido foi verbal, dirigido ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, segundo apurou O Antagonista. Mendonça deve apresentar uma petição formal ainda nesta quinta, detalhando o que classifica como abusos do colega de tribunal.
O episódio é o capítulo mais recente de uma disputa que já dura meses entre os dois ministros e ganhou força nas últimas semanas, em meio à crise em torno das mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Por que Mendonça pediu o afastamento de Moraes
Segundo o noticiário sobre o caso, o pedido de afastamento de Moraes se apoia no fato de o ministro não ter explicado, até agora, mensagens trocadas com Vorcaro que foram encontradas pela Polícia Federal. Mendonça planeja incluir na petição formal um pedido de investigação sobre essa relação.
Não é a primeira vez que Mendonça tenta afastar o colega de um processo. Em abril de 2025, ele já havia votado, sozinho, pela retirada de Moraes do julgamento do inquérito sobre a tentativa de golpe de 2022, argumentando que o próprio Moraes seria um dos alvos diretos da trama golpista e por isso não poderia julgá-la com isenção. Na ocasião, outros cinco ministros votaram contra o pedido e Moraes seguiu como relator do caso.
As acusações de Moraes contra Mendonça
Antes mesmo do pedido de afastamento de Moraes se tornar público, o próprio Moraes já havia solicitado a Fachin a abertura de uma ação contra Mendonça, por suposta “improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos”, segundo o Diário do Centro do Mundo.
Relatórios da Polícia Federal citados pela imprensa apontam três frentes de suspeita contra Mendonça: interferência em atribuições da corporação, com pedidos de acesso antecipado a dados de investigações; participação em negociações de acordos de colaboração premiada ligados às operações Sem Desconto e Compliance Zero; e pressão para que fosse aberta uma investigação formal contra o próprio Moraes.
Segundo a Jovem Pan, Moraes também afirma que Mendonça manifestou a intenção de afastar cautelarmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sob a justificativa de uma “proximidade inadequada” dele com o presidente Lula, sem apresentar fatos concretos. Moraes diz ainda que Mendonça ameaçou transformar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em testemunha de um processo, por considerá-lo próximo do ministro Gilmar Mendes.

Um conflito que não é novo
A tensão entre os dois ministros já havia chegado perto de um confronto direto dois dias antes: no último dia 1º de setembro, Moraes e Mendonça quase se desentenderam fisicamente durante uma sessão no STF, depois de uma quebra de sigilo envolvendo mensagens do próprio Mendonça. O episódio, somado à disputa mais antiga sobre o julgamento do golpe de 2022, ajuda a explicar por que o pedido de afastamento de Moraes desta quinta-feira é lido como uma escalada, e não como um fato isolado.
O nome de Mendonça também apareceu ligado a Vorcaro por outro ângulo: ele já teve que apresentar notas fiscais de ternos para rebater a suspeita de ter recebido presentes do banqueiro, segundo reportagens publicadas nos últimos dias. O caso das mensagens entre Moraes e Vorcaro também motivou, na mesma semana, um pedido de prisão preventiva feito pelo deputado Nikolas Ferreira contra Moraes, em outro sinal de que a crise em torno do Banco Master passou a atravessar diferentes frentes dentro e fora do STF.
O pano de fundo é o mesmo em quase todos esses episódios: a quebra do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro até a intervenção do Banco Central, e a apuração sobre até que ponto ministros, autoridades policiais e o próprio Ministério Público tiveram algum tipo de contato com o banqueiro antes do colapso da instituição.
O que se sabe até agora
Até a publicação desta reportagem, a Presidência do STF não havia se manifestado publicamente sobre o pedido de afastamento de Moraes. A petição formal anunciada por Mendonça ainda não foi protocolada, e Moraes não respondeu diretamente às novas acusações do colega. A Folha de Patrocínio acompanha o caso e atualiza esta matéria conforme novas informações forem confirmadas.
Enquete: avalie a gestão do prefeito de Patrocínio

A Folha de Patrocínio quer ouvir você: como está sendo, na sua avaliação, este 1 ano e 6 meses de gestão do prefeito Gustavo Brasileiro à frente da Prefeitura de Patrocínio? Vote na enquete abaixo.

