A Colômbia começou nesta semana a colheita principal de café da safra 2026/27, e a expectativa é modesta: volume parecido com o do ciclo anterior, que já tinha sido fraco, e qualidade um pouco abaixo do normal. A safra colombiana mais enxuta chega bem no momento em que o Cerrado Mineiro, região que tem Patrocínio como maior produtor do país, fecha uma colheita recorde e amplia a fatia brasileira no mercado internacional.

Segundo projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) repassada pela agência Reuters, a safra colombiana 2026/27 deve somar 13,4 milhões de sacas de 60 kg, ante 12,5 milhões na temporada 2025/26. O crescimento existe, mas é considerado tímido para o segundo maior produtor mundial de café arábica.

Por que a safra colombiana veio mais fraca

Oscar Hurtado, diretor global de pesquisa de produção da trading suíça Sucafina, atribuiu o resultado a um padrão climático que não deu trégua à lavoura ao longo do ano. “Tivemos chuvas intensas ao longo do primeiro trimestre; depois, o padrão mudou para uma seca moderada durante o segundo e o terceiro trimestres. Esse tipo de oscilação não dá à safra muito espaço para se recuperar”, afirmou, em nota divulgada pela Reuters.

Parte dos produtores colombianos ainda lida com danos deixados por um terremoto que atingiu regiões cafeeiras do país. Algumas áreas também registraram infestação de insetos, o que pesou no resultado final. Hurtado disse esperar que a qualidade se mantenha em nível exportável, “embora um pouco abaixo da safra principal anterior”. Volumes maiores só devem aparecer entre novembro e dezembro, segundo ele, e o teste de verdade para a lavoura colombiana vem na safra seguinte, a chamada Mitaca, quando o fenômeno El Niño deve atingir o pico. Os números completos, com a fala de Hurtado na íntegra, estão na reportagem da Forbes Agro, com informações da Reuters.

Cerrado Mineiro fecha colheita quase pronta

Grãos de café colhidos estendidos para secagem em terreiro no Cerrado Mineiro, contraste com a safra colombiana mais fraca
Café colhido secando em terreiro na área da Expocacer, no Cerrado Mineiro. Foto: Divulgação/Expocacer

O cenário no Cerrado Mineiro é o oposto. Levantamento da Expocacer, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado sediada em Patrocínio, já apontava a colheita do arábica em 99% da área monitorada em meados de setembro, um dos ritmos mais adiantados dos últimos anos. A própria cooperativa projeta 2,859 milhões de sacas na sua área de atuação neste ciclo, como a Folha já mostrou na cobertura da colheita chegando a 99%. Em agosto, o Brasil também bateu recorde histórico de exportação para o mês: foram 4,16 milhões de sacas embarcadas, alta de 31% sobre o mesmo período de 2025, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Uma safra brasileira robusta ao lado de uma colheita colombiana mais tímida tende a reforçar a posição do país, e da região produtora que tem Patrocínio à frente, na disputa por contratos internacionais que exigem regularidade de fornecimento. Isso não é automático: o mercado de café reage a dezenas de variáveis ao mesmo tempo, do câmbio aos estoques nas bolsas de Nova York e Londres. Mas analistas do setor já apontam essa combinação como um dos fatores que sustentam a demanda por café brasileiro nos próximos meses, justamente quando a oferta colombiana perde força.

O que isso significa para o produtor de Patrocínio

Para o cafeicultor da região, o momento também marca a virada para o próximo ciclo. As chuvas de 26 de agosto e 2 de setembro já estimularam uma nova florada no Cerrado Mineiro, que soma em média 33% do potencial total e deve definir parte da safra 2027/28. É a mesma janela em que a Sucafina projeta o teste de verdade para a lavoura colombiana, sob risco de um El Niño mais forte. Os cafeicultores da Colômbia entram num período de incerteza climática enquanto o Cerrado Mineiro já trabalha a floração do próximo ciclo com a colheita atual praticamente encerrada.

A cotação do café arábica no indicador Cepea/Esalq fechou a sexta-feira (18) a R$ 1.546,58 a saca de 60 kg, com alta pontual de 0,30% no dia. O preço segue pressionado pela oferta ampliada do Brasil, mas tende a reagir a qualquer sinal mais concreto de aperto na oferta mundial, incluindo notícias como a da safra colombiana mais fraca.

Agrônomos da Expocacer recomendam, para esta fase, priorizar o fim da colheita onde ainda falta, o manejo fitossanitário para proteger a nova florada e a irrigação conforme a umidade do solo. São cuidados que valem tanto para o produtor de Patrocínio quanto, guardadas as diferenças de clima, para o colega colombiano que agora tenta reagir num ciclo mais difícil.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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