A pesquisa Quaest de setembro divulgada pelo Genial, em parceria com a Globo, mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT) num cenário de segundo turno pela primeira vez desde o início da corrida presidencial de 2026. O levantamento, registrado no TSE sob o número BR-03607/2026, ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de setembro e aponta 42% para Flávio contra 40% para Lula. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que configura empate técnico, mas é a primeira vez que o petista aparece atrás no número absoluto.

O resultado circulou nas redes horas depois de sair, e não demorou para aparecer distorcido. Um post no Instagram do perfil @purofatos atribuiu a Flávio Bolsonaro uma “média de pesquisas” de 50,1%, sem citar instituto, data ou registro no TSE. O post ainda usou o número para vender um boné de campanha, pedindo aos seguidores que comentassem a palavra “boné” para receber o link de compra. Não existe, até a publicação desta reportagem, nenhum agregador ou pesquisa oficial com esse percentual: a pesquisa Quaest de setembro, que é a mais recente e a que deu origem à repercussão, marca 42% para o senador.

O que diz a pesquisa Quaest de setembro

A pesquisa Quaest de setembro não é a única a mostrar a disputa cada vez mais apertada. Nos dias que antecederam sua divulgação, outros institutos já vinham registrando a mesma tendência de aproximação, com variações que oscilam entre empate técnico e leve vantagem para o senador do PL:

  • DataTrends (12 a 14/09): Lula 44%, Flávio Bolsonaro 45%
  • Nexus/BTG (11 a 13/09): Lula 47%, Flávio Bolsonaro 46%
  • Indexa (10 a 13/09): Lula 43%, Flávio Bolsonaro 42%
  • CNT/MDA (9 a 13/09): Lula 47,3%, Flávio Bolsonaro 40%
  • DataFolha (8 a 11/09): Lula 46%, Flávio Bolsonaro 44%

Todas dentro da margem de erro, o que estatisticamente significa empate técnico em cada uma delas isoladamente. A pesquisa Quaest de setembro chamou atenção por ser, entre os institutos de peso nacional divulgados até aqui, o primeiro a colocar o número absoluto do senador acima do de Lula. O jornal O Tempo classificou o resultado como inédito na corrida.

Por que o número de 50,1% não se sustenta

Agregadores de pesquisas eleitorais, como o mantido pela BBC News Brasil e o lançado em agosto pela revista CartaCapital, calculam uma média ponderada de vários institutos para reduzir o ruído de pesquisas isoladas. Nenhum desses agregadores, checados até a publicação desta matéria, mostra Flávio Bolsonaro em 50,1%. A faixa que aparece nos levantamentos mais recentes fica entre 40% e 46% para o senador, e entre 40% e 47,3% para Lula, sempre dentro ou muito próxima da margem de erro.

A ausência de registro no TSE é outro sinal de alerta. Toda pesquisa eleitoral que pretende ter validade pública precisa ser registrada na Justiça Eleitoral, com metodologia, data de campo, número de entrevistados e margem de erro declarados. Foi assim que a Quaest de setembro pôde ser verificada, pelo número BR-03607/2026. Uma “média” sem instituto, sem metodologia e sem registro não tem como ser conferida, e por isso não deveria circular como se fosse um dado oficial da corrida presidencial.

Esse tipo de conteúdo, que mistura um número real da pesquisa Quaest de setembro com uma estatística fabricada e ainda usa a informação para vender produto por meio de pedido de comentário, já apareceu antes na disputa de 2026. Em agosto, a Folha de Patrocínio já havia checado um post que atribuía 71% de chance de vitória a Flávio Bolsonaro sem qualquer registro na Justiça Eleitoral. Era outra arte que circulou nas redes com uma cifra que nenhum instituto confirmou.

O que muda na corrida a partir de agora

Tecnicamente, nada muda: com dois pontos de diferença dentro de uma margem de erro de dois pontos, a pesquisa Quaest de setembro é empate estatístico, não virada. Muda o ambiente político em torno da disputa. É a primeira vez, entre os institutos de peso nacional, que o número absoluto favorece o candidato de oposição, e isso deve alimentar a narrativa de campanha do PL e pressionar a campanha de Lula a reagir nas próximas semanas.

Outros institutos devem divulgar novos números nos próximos dias, e setembro deve seguir movimentado no quadro eleitoral. A Folha de Patrocínio segue acompanhando as pesquisas registradas no TSE e evita repassar qualquer número sem instituto, data e registro público. Foi essa checagem que revelou a fragilidade da “média” atribuída a Flávio Bolsonaro nesta reportagem.

Lula durante o lançamento oficial da campanha de 2026, foco da pesquisa Quaest de setembro
Lula no lançamento oficial da campanha de 2026, em São Bernardo do Campo (SP). Foto: Ricardo Stuckert/Lula Oficial (CC BY-SA 4.0)

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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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