Um vídeo de câmera de segurança que mostra a agressão em Patrocínio de um homem contra uma mulher passou a circular nas redes sociais da cidade nesta terça-feira (16). As imagens têm data e hora gravadas pelo próprio equipamento: 14 de setembro, às 15h20. A Folha de Patrocínio procurou confirmação oficial sobre o caso e, até a publicação desta reportagem, não obteve resposta da Polícia Militar nem da Polícia Civil.

O que o vídeo da agressão em Patrocínio mostra
As imagens são de uma câmera fixa, em plano aberto, voltada para uma rua residencial com calçada e canteiro. Nelas aparecem duas pessoas e um carro branco. O homem agride a mulher na via, e em seguida o veículo faz uma manobra na direção dela.
A distância da câmera não permite reconhecer rostos. A Folha optou por publicar o trecho sem qualquer aproximação de imagem, exatamente como o equipamento registrou, e sem áudio.
O endereço apontado por quem divulgou as imagens é o bairro Jardim Vitória. A reportagem não conseguiu confirmar de forma independente a rua exata nem se houve atendimento policial no dia.
O que ainda não está confirmado
Esta é a parte que precisa ficar clara para o leitor. Circula junto com o vídeo o nome de Renato Dornelas, morador do povoado de São Benedito, apontado como o homem que aparece nas imagens. Segundo a publicação que divulgou o caso, ele seria ex-companheiro da vítima e pai dos filhos dela, e as autoridades já o estariam procurando.
Nada disso tem confirmação oficial até agora. Sobre a agressão em Patrocínio registrada no vídeo, não há boletim de ocorrência divulgado, nota da Polícia Militar, nota da Polícia Civil ou registro de mandado que a Folha tenha conseguido verificar. A reportagem seguirá procurando as duas corporações e atualizará esta matéria assim que houver posição oficial.
A Folha publica o nome porque ele já circula amplamente na cidade, e registra ao mesmo tempo que **a identificação não foi confirmada por nenhuma autoridade** e que ninguém foi indiciado, preso ou condenado por este caso até o momento.
O que a lei prevê nesses casos
A Lei 11.340/2006, a Lei Maria da Penha, trata a violência contra a mulher no contexto doméstico e familiar como caso de ação penal pública. Isso significa que o processo não depende de a vítima apresentar queixa: uma vez que a autoridade toma conhecimento do fato, a apuração corre por conta do Estado.
A lei prevê medidas protetivas de urgência, que o juiz pode conceder em até 48 horas, entre elas o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação da vítima e a suspensão do porte de arma. Descumprir medida protetiva é crime autônomo, com pena de três meses a dois anos, previsto no artigo 24-A.
Quando há tentativa de atropelamento, a conduta pode ser enquadrada como tentativa de feminicídio, a depender do que a investigação apurar sobre a intenção. O feminicídio é qualificadora do homicídio desde 2015 e, desde 2024, passou a ser tipo penal autônomo, com pena de 20 a 40 anos.
Onde buscar ajuda em Patrocínio
Mulheres em situação de violência em Patrocínio podem procurar a Delegacia de Polícia Civil do município, que registra a ocorrência e pode solicitar medida protetiva de urgência ao juízo. O atendimento é feito independentemente de a agressão ter sido filmada ou não.
O Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, funciona 24 horas, é gratuito, atende de qualquer telefone e aceita denúncia anônima. Em emergência, com risco imediato, o caminho é o 190 da Polícia Militar.
A denúncia também pode ser feita por terceiros, e foi o que aconteceu no caso desta agressão em Patrocínio: a cena chegou ao conhecimento público por uma câmera de rua, não pela vítima. Vizinho, parente ou quem presenciar a cena pode acionar o 190 ou o 180 sem se identificar. Em casos de violência doméstica, é comum que a própria vítima não consiga denunciar, e a informação de quem está por perto costuma ser o que inicia a apuração.
Por que a Folha publicou o vídeo desta agressão em Patrocínio
A decisão de publicar imagens de violência nunca é automática nesta redação. Neste caso pesaram três pontos: o registro é de câmera fixa, em plano aberto, sem close e sem rosto reconhecível; o material já circulava amplamente na cidade antes desta publicação; e a divulgação do flagrante é o que costuma pressionar por apuração oficial em casos que, de outro modo, não sairiam do boletim.
O vídeo foi publicado sem áudio e sem edição que aproxime ou destaque a vítima. A Folha de Patrocínio não divulga imagem, nome ou endereço da mulher agredida, e pede que quem tiver o material em mãos faça o mesmo.
Outros casos acompanhados pela reportagem estão reunidos na editoria Policial do site.
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