Redes sociais e visto americano: EUA checam “antiamericanismo” desde 2025, e projeto que deporta defensores do comunismo segue parado
Regra do USCIS de agosto de 2025 pesa contra quem promove ideologias antiamericanas; o projeto de Chip Roy, de abril, quer deportar e tirar a cidadania de comunistas e socialistas.

Quem pede visto ou algum benefício de imigração nos Estados Unidos já tem as redes sociais examinadas em busca do que o governo de Donald Trump chama de “atividade antiamericana”. A regra sobre redes sociais e visto americano está em vigor desde 19 de agosto de 2025 no Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS). No Congresso, o deputado republicano Chip Roy apresentou em abril um projeto que vai além: deportar, retirar a cidadania e barrar a entrada de estrangeiros ligados ao comunismo, ao socialismo ou ao islamismo radical. Esse texto, porém, ainda não foi votado.
As duas medidas voltaram a circular nas redes neste fim de semana como se fossem novas. A checagem de redes sociais já vale há mais de um ano e foi ampliada em etapas. O projeto de Roy está parado na Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes desde que foi apresentado.
O que já vale sobre redes sociais e visto americano
Em comunicado de 19 de agosto de 2025, o USCIS mudou o manual que orienta os servidores na análise de pedidos como residência permanente, o green card, e naturalização. Nos pedidos em que o servidor tem margem para decidir, apoiar ou promover ideologias “antiamericanas” ou terroristas passou a contar como “um fator extremamente negativo”. O órgão também ampliou os tipos de pedido que passam pela triagem de redes sociais e incluiu nessa triagem a busca por atividade antiamericana. A regra valeu na hora, inclusive para os pedidos que já estavam em análise.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.“Os benefícios da América não devem ser dados a quem despreza o país e promove ideologias antiamericanas”, disse na época o porta-voz do USCIS, Matthew Tragesser. O comunicado não define o que é antiamericano, e essa é a principal crítica de organizações de defesa das liberdades civis. Para o Brennan Center, centro de estudos ligado à Universidade de Nova York, a falta de definição abre espaço para punir opiniões protegidas pela liberdade de expressão.
No Departamento de Estado, que emite os vistos nos consulados, a revisão da presença online começou em junho de 2025 com estudantes e intercambistas, que precisam deixar os perfis públicos antes da entrevista. Em dezembro do mesmo ano, a exigência chegou aos vistos de trabalho H-1B e, em 30 de março de 2026, a mais de uma dezena de outras categorias, segundo escritórios de advocacia de imigração que acompanham as regras.

O projeto de Chip Roy
O texto foi apresentado em 20 de abril de 2026 com o nome de Lei de Medidas contra Adeptos Perigosos do Marxismo e Islamistas Nocivos. A sigla em inglês forma “MAMDANI”, referência a Zohran Mamdani, prefeito de Nova York, cidadão naturalizado e filiado aos Socialistas Democráticos da América. Pelo comunicado do gabinete de Roy, o projeto permite deportar, desnaturalizar, negar a cidadania e barrar a entrada de estrangeiros que sejam membros de partidos socialistas, comunistas, do Partido Comunista Chinês ou de partidos islamistas fundamentalistas, e também de quem defenda essas ideologias.
“Ao mirar a Aliança Vermelho-Verde, esta lei traz novas ferramentas para reagir”, afirmou Roy, que é do Texas, no lançamento. Deputados democratas reagiram dizendo que o texto não resistiria na Justiça, porque a Primeira Emenda da Constituição americana protege a liberdade de opinião e de associação. Para virar lei, o projeto precisa passar pela comissão, pelo plenário da Câmara e pelo Senado, e depois ser sancionado por Trump.
Alpha for MenO papel do ICE
O USCIS decide os pedidos de residência e cidadania, e os consulados decidem os vistos. Quem prende e deporta é o ICE, a agência de imigração e alfândega, que ganhou peso no segundo mandato de Trump com operações em cidades como Chicago, Los Angeles e Nova York. Um imigrante que tenha o pedido negado e fique sem documento regular pode entrar na mira dessas operações. Se o projeto de Roy for aprovado, a filiação ou a defesa de uma ideologia passaria a ser, por si só, motivo para abrir um processo de deportação.
O que muda para o brasileiro
Para o turista brasileiro, o formulário de pedido de visto, o DS-160, já pede os nomes de usuário nas redes sociais dos últimos cinco anos desde 2019. A exigência de deixar o perfil público, por enquanto, vale para estudantes, intercambistas, trabalhadores temporários e as categorias incluídas em março. Quem mora nos Estados Unidos e pede green card ou cidadania é quem passa pelo crivo do USCIS. A relação entre os dois governos também anda tensa: até o fim de outubro, Trump não tinha reconhecido publicamente a vitória de Lula, como mostrou a reportagem sobre Trump e a eleição do Brasil, e o senador Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o fim de outubro, como contou a matéria sobre a live de Flávio Bolsonaro. Os editoriais americanos sobre o caso Flávio foram tema da reportagem sobre o WSJ e do Washington Post.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






