Vídeo de Lula e Maduro: montagem sugere que o presidente será capturado como o venezuelano, mas não há ação dos EUA contra ele
Lula disse "não se meta nas eleições do Brasil" em atos de 2026; Maduro, que desafiou os EUA em 2025, foi preso em janeiro e será julgado em junho de 2027.

Um vídeo de 38 segundos que circula nas redes junta uma fala de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra os Estados Unidos, o desafio que Nicolás Maduro fez aos americanos em 2025 e as imagens do venezuelano preso, com a frase “Trump is coming” (“Trump está chegando”) no fim. O vídeo de Lula e Maduro sugere que o presidente brasileiro terá o mesmo destino. Não há, porém, nenhuma ação, acusação ou anúncio do governo americano contra Lula.
A montagem foi compartilhada no Brasil com a informação de que “circula nos Estados Unidos”. A Folha não encontrou a origem do vídeo nem registro de que ele tenha sido divulgado por autoridade ou veículo americano. As legendas em inglês sobre as imagens (“2026 in Brazil”, “2025 in Venezuela”) não identificam autor.
O que Lula diz no vídeo de Lula e Maduro
No trecho de Lula, gravado num palanque à noite, ele diz que os americanos serão derrotados se vierem “se meter” no país e termina com “não se meta nas eleições do Brasil”. O recado a Donald Trump foi repetido por Lula várias vezes em 2026. Em junho, depois da reunião do G7 em Évian, na França, ele disse a jornalistas que Trump não deveria interferir na eleição brasileira, como registrou a Agência Brasil. Em setembro, voltou ao tema em atos de campanha em Ceilândia (DF) e em Belém (PA). O vídeo não informa em qual desses atos o trecho foi gravado.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.No dia 29 de outubro, Trump disse publicamente que Lula havia pedido a ele que não interferisse na eleição brasileira.

O desafio de Maduro e a prisão
O trecho de Maduro é de 2025. Em discurso, com legendas em português no vídeo, ele chama o adversário de “covarde” e o desafia: “Venha me buscar, aqui espero por você em Miraflores”, o palácio presidencial da Venezuela. Em janeiro de 2026, Maduro foi capturado em Caracas numa operação de forças americanas e levado a Nova York, onde responde por narcoterrorismo e tráfico de drogas. Ele se declarou inocente na primeira audiência, em 5 de janeiro, e está preso num centro de detenção federal no Brooklyn. O julgamento foi marcado por um juiz americano para 1º de junho de 2027.
A comparação com Lula não se apoia em nenhum fato equivalente. O Brasil não é alvo de acusação criminal americana contra o presidente, e não há operação militar anunciada. A tese de que uma ação contra Lula “seria mais fácil que a de Maduro” já circulou antes e foi verificada pela Folha na reportagem sobre a suposta operação da CIA no Brasil, e a de uma invasão, na matéria sobre a invasão do Brasil. Nenhuma das duas tinha documento ou anúncio por trás.
As afirmações da legenda que não se sustentam
O texto que acompanha o vídeo vai além da montagem e afirma que Flávio Bolsonaro (PL) “venceu as eleições no período normal, até as 17 horas”, e que o ministro Cristiano Zanin estendeu o horário de votação “como fez Maduro”. A primeira parte é falsa. Zanin de fato decidiu estender o horário de votação no dia 25 de outubro, mas o Tribunal Superior Eleitoral contou 34,3 mil votos depois das 17h em todo o Brasil, como mostrou a reportagem sobre os votos após as 17h. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, uma diferença de milhões de votos.
Alpha for MenA legenda diz ainda que Flávio “teve que ser resgatado pelos Estados Unidos para não ser morto”. Não há registro disso. O senador viajou aos Estados Unidos em 28 de outubro e, numa transmissão feita de Miami, disse que não fugiu do país, como contou a reportagem sobre a live de Flávio Bolsonaro.
A relação entre Brasil e Estados Unidos agora
A tensão entre os dois governos é real. Trump criticou a eleição brasileira depois do segundo turno, e a embaixada americana em Brasília não reconheceu publicamente a vitória de Lula até o fim de outubro. Críticas e falta de reconhecimento, porém, são atos diplomáticos, e não medidas contra o presidente. Até a publicação desta reportagem, nem a Casa Branca nem o Departamento de Justiça americano tinham anunciado qualquer investigação ou ação envolvendo Lula.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






