Áudio atribuído a sindicalista fala em adesivar ônibus em Salvador, mas não foi autenticado
A gravação de 2 minutos e 20 segundos cita garagens e divisão de tarefas. O Procon-BA diz que não houve adesivação generalizada, e a Prefeitura culpa os adesivos pelo atraso.

Um áudio atribuído a Fábio Primo, presidente do Sindicato dos Rodoviários de Salvador, circula desde quinta-feira (29) e fala em colar adesivos em ônibus que sairiam das garagens da capital baiana. As reportagens ligam a gravação ao segundo turno, em 25 de outubro, dia em que centenas de ônibus ficaram parados na cidade. A autenticidade do áudio não foi confirmada, e a Folha não conseguiu saber quem gravou nem quando. Abaixo estão a gravação, o que ela diz e o que as autoridades afirmam sobre o caso.
O que diz a gravação sobre adesivar ônibus em Salvador
A Folha ouviu o áudio inteiro. Um homem se dirige ao “agrupamento da CTB”, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, diz que o momento é “crucial” e pede que a central se responsabilize pelas garagens. Ele distribui as garagens G2, G5 e G6 entre pessoas indicadas pelo nome, que a Folha não cita porque não foi possível confirmar quem são, e diz que o material já está com alguns integrantes do grupo.
O homem afirma que só há material para um adesivo por carro, que deve ir na frente do veículo, em um lugar que não atrapalhe o motorista. Como o material não bastaria para toda a frota, ele orienta pedir ao operador da garagem o número dos carros que vão sair e colar apenas nesses. Na transcrição feita pela Folha, não aparece o nome de candidato nem de partido. As reportagens que divulgaram o áudio descrevem o material como adesivos de propaganda eleitoral.
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O que dizem o Procon e a Prefeitura
No dia 25, o Procon da Bahia contou 944 ônibus parados em nove garagens das empresas OT Trans e Integra Plataforma, sem equipes de plantão, e afirmou que não houve adesivação generalizada da frota. O órgão enviou na terça (27) um relatório à Polícia Federal, ao Ministério Público Eleitoral, ao TRE-BA e à Polícia Civil. Na quarta (28), a Procuradoria-Geral do Estado apresentou ao Ministério Público Federal uma notícia-crime que cita o prefeito Bruno Reis, o secretário de Mobilidade Pablo Souza e sócios das concessionárias, e pede a apuração da responsabilidade de cada um, sem atribuir culpa previamente. O resumo oficial está no portal do governo da Bahia.
A Prefeitura de Salvador tem outra versão. O prefeito Bruno Reis afirmou que a retirada de adesivos eleitorais encontrados em ônibus atrasou a operação, e a gestão disse que determinou a liberação dos veículos mesmo com o material e que o sistema se normalizou entre 10h e 10h30. A Prefeitura divulgou imagens em que pessoas aparecem colando adesivos em ao menos um ônibus. Elas mostram a ação em um veículo, mas não provam, sozinhas, que o número de ônibus adesivados explique a redução da frota.
O que a Justiça Eleitoral decidiu
A pedido da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), o presidente do TRE-BA, desembargador Maurício Kertzman Szporer, mandou restabelecer no domingo a frota integral, com multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento, e determinou a prisão em flagrante de Pablo Souza, que estava em Paris em missão oficial e não foi preso. Na segunda (26), com a votação encerrada, ele declarou cessada a situação de flagrante. Depois, mandou que a Prefeitura, a Semob e as concessionárias guardem e entreguem documentos como o plano de operação do dia 25 e as escalas dos motoristas. O caso foi enviado à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal.
O que o áudio prova e o que não prova
Se for autêntico, o áudio mostra uma organização para colar adesivos em ônibus que saíssem das garagens. A lei eleitoral proíbe propaganda em bens que dependem de permissão do poder público, e a Justiça Eleitoral costuma enquadrar ônibus do transporte coletivo nessa regra. Mas o próprio áudio diz que o material não bastava para todos os carros, e ele não informa quantos ônibus foram adesivados nem explica por que quase mil veículos ficaram parados. É o que a polícia, o Ministério Público e o TRE vão tentar esclarecer, com base nos documentos que as empresas e a Prefeitura devem apresentar.
Alpha for MenO Sindicato dos Rodoviários divulgou nota em que repudia a atribuição de responsabilidade pela retenção dos ônibus sem provas e pede a apuração dos fatos. A nota não trata do conteúdo do áudio nem da participação de Fábio Primo. A Folha não encontrou manifestação de Fábio Primo nem da CTB sobre a gravação. A cobertura do dia da votação está na reportagem sobre os crimes eleitorais no segundo turno, e o resultado, na matéria sobre a reeleição de Lula. A expectativa para o dia estava no resumo do segundo turno.
O que acompanhar
Os próximos passos são a análise da Polícia Federal e do MPF, a entrega dos documentos pedidos pelo TRE-BA e uma eventual perícia que diga se a voz do áudio é mesmo a de Fábio Primo. Até lá, a gravação é um indício que precisa de confirmação. A Folha atualiza esta reportagem quando houver resposta de Fábio Primo, da CTB ou das autoridades.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






