Flávio zerou em 106 urnas, que deram 14.860 votos a Lula; 65 ficam no Norte
O Amazonas tem urnas zeradas em 13 cidades. As 106 são menos de 0,03% das seções do país, e a vantagem de Lula na eleição foi de 4,4 milhões de votos.

Atualização 27/10, 23h: O deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (Novo-PR) publicou um vídeo ironizando as 106 urnas sem voto para Flávio e afirmou que nelas não houve voto branco nem nulo. O dado divulgado traz só os votos de Lula, e a Folha não encontrou a contagem de brancos e nulos dessas seções. O vídeo e a checagem do que ele diz estão mais abaixo.
Flávio zerou em 106 urnas no segundo turno de domingo (25): o senador Flávio Bolsonaro (PL) não teve nenhum voto nessas seções, onde Lula (PT) somou 14.860. O número saiu de um levantamento da Paris Group com os votos por seção divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e passou a circular nesta terça-feira (27). Das 106 urnas, 65 ficam na região Norte, e o Amazonas tem seções zeradas em 13 cidades.
As urnas sem nenhum voto para Flávio são uma fração mínima do total: menos de 0,03% das seções do país. Lula venceu a eleição com 64.255.969 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.002 de Flávio (48,21%), uma diferença de 4.429.967 votos. Os 14.860 votos dessas urnas equivalem a 0,34% dessa vantagem.
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Depois do Norte, com 65 urnas, vem o Nordeste, com 29. O Centro-Oeste tem 6, e o Sudeste e o Sul, 3 cada. No Amazonas, as seções sem voto para o senador ficam no interior do estado, em cidades como Tabatinga, Maués, Parintins, Benjamin Constant e São Gabriel da Cachoeira, esta última com uma das maiores populações indígenas do país.
Um levantamento independente, que cruzou os boletins de urna com o endereço de cada local de votação, indica que 68 das 106 urnas ficam em aldeias, escolas ou comunidades indígenas, e outras 29 em povoados rurais e comunidades ribeirinhas. A Folha não conseguiu refazer essa classificação urna por urna até a publicação desta matéria.

Lula também zerou em algumas urnas
O caso inverso também aparece. O mesmo levantamento independente aponta quatro urnas em que Lula não teve nenhum voto: duas no Rio Grande do Sul, em Arroio do Padre e Cândido Godói, e duas no Pará, em Jacareacanga e Chaves. Nelas, Flávio somou 296 votos. Esse dado também não foi refeito pela Folha até a publicação.
Alpha for MenArroio do Padre e Cândido Godói são municípios pequenos do interior gaúcho. Jacareacanga fica no sudoeste do Pará, e Chaves, no arquipélago do Marajó.
O vídeo de Chiquini sobre as 106 urnas
Advogado criminalista, Chiquini foi o deputado federal mais votado do Paraná, com 425.399 votos, e na noite da eleição prometeu “a maior oposição”, como a Folha contou em discurso de Chiquini. Ele gravou o vídeo nesta terça-feira (27) e o publicou nas redes sociais com a legenda “Uau, o Lula é realmente o bichão”. Em pouco mais de dois minutos, diz em tom de ironia que Lula “é um ser a ser estudado” e que o petista “é unânime em 106 locais de votação”.
A média que ele calcula confere: 14.860 votos divididos por 106 urnas dão cerca de 140 votos de Lula por seção. Outras afirmações do vídeo não batem com os números disponíveis.
Chiquini diz que nessas seções não houve voto branco nem nulo e que “os 15 mil votos foram tudo no Lula”. O levantamento informa os votos de Lula, mas não traz o comparecimento nem os brancos e nulos de cada urna. Ele também cita a correção de um jornal que divulgou o número. A primeira versão do título dizia que as urnas somaram quase 15 mil votos, sem o nome de Lula, e a versão corrigida incluiu o nome. A correção trata só dessa omissão e não fala de brancos e nulos.
No vídeo, Chiquini afirma ainda que Lula cresceu 3 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Pelos totais do TSE, o aumento foi bem maior. Lula passou de 53.879.538 votos em 4 de outubro para 64.255.969 no domingo, cerca de 10,4 milhões a mais, enquanto Flávio foi de 56.104.503 para 59.826.002, um ganho de 3,7 milhões. Em Santa Catarina, estado que Chiquini cita, Lula ganhou 291 mil votos entre os turnos, pela totalização da Justiça Eleitoral, e ainda assim perdeu para Flávio por 69,42% a 30,58%.
Urna zerada é sinal de fraude?
Nenhuma das fontes consultadas aponta irregularidade nessas seções, e o TSE não tinha comentado o levantamento até a publicação desta matéria. Urna com zero voto para um candidato não é, sozinha, indício de fraude: o resultado de cada seção depende de quem vota ali, e o caso inverso apontado no levantamento, com Lula zerado no interior gaúcho e paraense, mostra o mesmo fenômeno do outro lado. Os boletins de urna de todas as seções são públicos e podem ser conferidos no portal Resultados do TSE.
O resultado do segundo turno já foi alvo de contestação. O deputado Kim Kataguiri pediu a anulação da votação, como a Folha mostrou em Kim Kataguiri pede anulação do 2º turno, e o empresário Elon Musk disse que “a conta não fecha”, em reportagem sobre Musk questiona vitória de Lula. Donald Trump também insinuou fraude, sem provas, como a Folha relatou em Trump insinua fraude na eleição do Brasil. Até agora, nenhum tribunal apontou fraude.

As cidades que viraram do 1º para o 2º turno
Além de mostrar que Flávio zerou em 106 urnas, o levantamento da Paris Group encontrou 211 municípios em que Flávio liderou o primeiro turno e Lula venceu o segundo. Minas Gerais tem 76 deles.
Em presídios, outro ponto que entrou na discussão, Lula teve 72% dos votos, como a Folha mostrou em votos nos presídios.
Como conferir o resultado de uma urna
Qualquer eleitor pode consultar o resultado de cada seção. No portal de resultados do TSE, é possível escolher o estado, o município, a zona e a seção e ver o boletim daquela urna. O boletim também é impresso ao fim da votação e afixado na porta da seção, com um código QR que pode ser lido pelo aplicativo Boletim na Mão, da Justiça Eleitoral, para comparar o papel com o que foi divulgado na internet.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






