Lula rebate Flávio no debate da Globo: “Ele me chamou de nove dedos”, e Flávio pede desculpas
Na tréplica, Lula disse que Flávio o chamou assim e que ninguém ali conhece mais o mundo do trabalho. Flávio pediu desculpas depois de dizer que ele "tira com os nove dedos".

Atualização, 23/10, 23h30: a frase de Flávio que provocou a resposta de Lula foi dita ao criticar a carga tributária do governo: “Não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”. Lula respondeu que não vai permitir que “um miliciano” o chame de “nove dedos” e cobrou retratação. Flávio pediu desculpas em seguida: “Não queria te ofender. Te peço desculpas de verdade”.
Lula (PT) usou a tréplica no debate da Globo, na noite desta sexta-feira (23), para responder a Flávio Bolsonaro (PL) sobre o apelido “nove dedos”. “Ele me chamou de nove dedos, e eu quero que ele saiba de uma coisa”, disse o presidente, e completou: “Se tem alguém aqui nesse público que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu”. A resposta aconteceu no bloco de políticas sociais, com o cronômetro de Lula em 1min14s.
O que Lula disse na tréplica
Pelas imagens da transmissão, o mediador chamou o presidente para a tréplica e Lula afirmou que ia usar o tempo. Antes de chegar ao ponto, ele justificou a decisão: Flávio, segundo ele, havia dito “uma grande asneira” que ele “não vai levar para casa”. Em seguida veio a frase sobre o apelido.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O trecho que circulou termina com a defesa da própria trajetória: o presidente disse que, entre as pessoas presentes, quem mais conhece o mundo do trabalho é ele. A fala foi acompanhada de gestos largos e do dedo em riste, como mostram as imagens, e o vídeo corta antes de Lula concluir o raciocínio. A fala de Flávio que deu origem à resposta, e o pedido de desculpas que veio depois, estão na atualização acima e na seção a seguir.

De onde vem o apelido
“Nove dedos” é um apelido antigo de Lula, repetido por adversários há décadas. Ele perdeu o dedo mindinho da mão esquerda num acidente de trabalho em uma metalúrgica, em 1964, quando era operário em São Paulo. Foi com esse histórico que o presidente sustentou a frase sobre o mundo do trabalho. A resposta virou defesa da própria biografia, e não só réplica a uma ofensa.
No debate, o tema entrou no bloco de políticas sociais, o mesmo em que o cronômetro mostrava Flávio com 2min36s e Lula com 1min14s no momento do trecho. O tempo de cada candidato aparece na tela durante todo o programa.
A biografia operária como argumento
Lula foi metalúrgico em São Bernardo do Campo (SP) antes de entrar na política e presidiu o sindicato da categoria entre 1975 e 1980, na época das greves do ABC. A origem operária aparece nas campanhas dele desde as primeiras disputas pela Presidência, e a tréplica de sexta mobilizou exatamente esse repertório. Flávio, senador pelo Rio de Janeiro desde 2019, chegou ao debate com outro discurso: na entrada do estúdio, falou em “dois caminhos” para o Brasil, como a Folha mostrou na matéria sobre a chegada de Flávio ao debate da Globo.
Alpha for MenO bloco de políticas sociais, em que a troca aconteceu, é um dos mais sensíveis para os dois lados: mexe com programas de renda, emprego e custo de vida. É nele que cada candidato tenta mostrar quem entende melhor a rotina de quem trabalha, e foi esse o terreno em que o presidente decidiu responder pessoalmente ao adversário.
A frase de Flávio e o pedido de desculpas
Segundo o registro do debate, Flávio fez o trocadilho com a expressão popular “dar com uma mão e tirar com a outra” ao falar de impostos e do salário mínimo, que hoje é de R$ 1.621. A referência ao dedo mindinho que Lula perdeu foi o que provocou a reação do presidente, que lembrou ter perdido o dedo aos 17 anos, trabalhando à noite, e disse que não permitiria ser chamado assim. Lula também disse que Flávio “não sabe o que é carteira de trabalho” e que o primeiro emprego dele foi no gabinete do pai.
A palavra “miliciano” foi dita por Lula, e a Folha a reproduz como fala do candidato, sem confirmação independente. Flávio respondeu pedindo desculpas na sequência. O vídeo desta matéria é o da tréplica de Lula, e a Folha não tem a gravação da fala de Flávio.
O debate e a reta final
O confronto desta sexta foi o último antes da votação de domingo (25). A pesquisa Quaest de quarta-feira (21) deu 45% a Flávio e 44% a Lula, e o PoderData de quinta (22) trouxe 51% a 49%. Com a disputa nesse nível, cada troca entre os dois ganha eco nas redes, como aconteceu com o trecho de Lula.
A Folha cobriu outros momentos da noite. Flávio abriu o debate cobrando o presidente sobre as obras paralisadas, falou de preços na inflação no debate da Globo e perguntou quem governa o país, se ele ou o Google. O resumo de todos os debates do segundo turno está na página dos debates do segundo turno.
No domingo, a votação segue o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, e a contagem pode ser acompanhada na página de apuração da Folha de Patrocínio.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






