Obras paralisadas: Flávio cobra Lula no debate da Globo com dado do TCU de 2025
Na abertura do debate, Flávio citou 11,5 mil obras paradas no atual governo. O painel do TCU registra 11.469 em abril de 2025, sem apontar um governo responsável.

Flávio Bolsonaro (PL) abriu o debate da Globo, na noite desta sexta-feira (23), com uma pergunta a Lula (PT) sobre obras paralisadas. Ele disse que o Tribunal de Contas da União (TCU) “acaba de soltar um relatório” com “mais de 11 mil e 500 obras paralisadas do atual governo”. O número bate com o painel do TCU, mas o tribunal não atribui as paradas a um governo específico, e o levantamento mais recente que a Folha localizou é de julho de 2025.
O que Flávio disse na abertura
O candidato do PL começou cumprimentando o público e o adversário. Em seguida, usou o tempo para comparar os dois governos. “Nós pegamos o Brasil lá em 2019 com cerca de 14 mil obras inacabadas”, afirmou. “E, apesar de todos os problemas, a gente entregou o Brasil com um pouco mais de 8 mil obras inacabadas.”
Depois citou o TCU e concluiu que “o Brasil voltou a ser um grande cemitério de obras”. Fechou com a pergunta: como Lula pretende entregar a infraestrutura mostrada no mapa do estúdio, se “em quatro anos não entregou as obras necessárias”. O bloco tinha como tema infraestrutura e exportação, e o cronômetro de cada candidato partia de três minutos.
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O que o TCU mostra sobre obras paralisadas
O TCU mantém um painel de obras financiadas com recursos federais. Na edição de 2024, divulgada em 4 de dezembro de 2024, o tribunal contou 11.941 obras paralisadas, o equivalente a 52% das contratações vigentes. Na atualização de 30 de julho de 2025, com dados até abril daquele ano, eram 11.469 paradas entre 22.621 mapeadas, ou 50,7%. É desse patamar, de cerca de 11,5 mil, que vem o número usado por Flávio.
A fala pede três ressalvas. A primeira é que o TCU não diz de qual governo é cada obra: o painel reúne contratos com dinheiro federal em todo o país, listados por estado, e a nota do tribunal não aponta um responsável. A segunda é o recorte temporal, já que o dado mais novo que a Folha encontrou tem quase um ano e não é de 2026. A terceira é que educação e saúde concentravam 72,6% das paradas em 2024, com Maranhão, Bahia e Pará à frente da lista.
E os 14 mil de 2019?
A cifra do início do governo anterior também tem lastro no TCU. Em 2019, a auditoria do tribunal (Acórdão 1.079/2019) identificou ao menos 14.403 contratos de obras com situação “paralisado” nos bancos de dados federais, num universo de cerca de 38 mil contratos e valor aproximado de R$ 144 bilhões. Comparar com os números atuais exige cuidado, porque o universo mapeado mudou de tamanho entre as edições. Já os “pouco mais de 8 mil” ao fim do mandato de 2022 não aparecem em nenhum levantamento do TCU que a Folha tenha localizado, e o dado segue sem confirmação.
A Folha não tinha, até a publicação desta matéria, a resposta de Lula a essa pergunta.
Alpha for MenOnde está a disputa
É o último debate antes da votação de domingo (25). A pesquisa Quaest de quarta-feira (21) trouxe Flávio com 45% e Lula com 44%, e o PoderData de quinta (22) deu 51% a 49%. A chegada do candidato ao estúdio foi tema da matéria sobre Flávio no debate da Globo, e a confirmação de Lula foi contada em outra reportagem da Folha.
Os números de obras paralisadas estão na nota do TCU de julho de 2025. Quem quiser acompanhar a contagem dos votos no domingo pode usar a página de apuração da Folha de Patrocínio.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






