Caso Ana Clara: Flávio diz no debate da Globo que confia que o PM acusado não atirou
O candidato do PL disse ter confiança de que o cabo acusado não deu o tiro que matou a menina de 5 anos em Niterói e lembrou que ele ainda não foi julgado.

Flávio Bolsonaro (PL) disse, no debate da Globo na noite desta sexta-feira (23), que tem “a confiança” de que o policial militar acusado de matar uma menina de 5 anos em Niterói (RJ) não foi o autor do disparo. O candidato citou o caso Ana Clara ao se dirigir à mãe da criança, que acompanhava o programa, e afirmou que o cabo “sequer foi julgado ainda”. O vídeo que circulou começa no meio da resposta, e a pergunta que a motivou não aparece nele.
O que Flávio disse no debate
Pelas imagens da transmissão, o candidato começa falando de um “território dominado por esses narco-terroristas que ele defende”. O vídeo não mostra a quem ele se refere com o “ele”, e a Folha só registra que a frase abre o trecho. Em seguida, Flávio se dirige à mãe de Ana Clara: “Eu quero falar para a senhora, prestar de verdade a minha solidariedade, por uma tragédia que aconteceu. Eu não consigo imaginar o que é perder uma filha de cinco anos de idade.”
O candidato disse ter uma filha de 14 e outra de 12 anos e afirmou que “era uma troca de tiros numa comunidade conflagrada”. Segundo ele, o que está fazendo é ajudar a mãe “a saber quem foi o autor desse disparo, porque eu tenho a confiança que não foi esse policial, ele sequer foi julgado ainda”. O trecho dura pouco mais de 34 segundos.
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O que se sabe sobre o caso Ana Clara
Ana Clara Gomes Machado tinha 5 anos e morreu em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade de Monan Pequeno, em Niterói, durante uma operação da Polícia Militar. Ela foi atingida por um tiro enquanto brincava na calçada de casa, ao lado do irmão de 2 anos. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou um cabo da PM por homicídio doloso e sustenta que o disparo partiu do fuzil dele.
A acusação afirma ainda que a perícia encontrou apenas munição de fuzil calibre 7,62 no local, sem estojos de pistola, o que contrariaria a versão de uma troca de tiros com criminosos armados. A defesa do policial sustenta o contrário: que houve confronto armado na comunidade. Essa divergência é o centro da disputa que o júri terá de resolver. A Folha não chama o policial de culpado, porque ele não foi julgado e responde ao processo como acusado.
O cabo foi preso em flagrante após a morte e, desde novembro de 2021, responde em liberdade, com medidas cautelares. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular, e os recursos da defesa para evitar o julgamento foram rejeitados, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Pelo que foi noticiado, o julgamento ainda não aconteceu, mais de cinco anos depois da morte da menina. A Folha não conferiu no processo qual é a data hoje marcada para o júri.
O papel de Flávio na defesa do policial
Em 2024, Flávio Bolsonaro passou a integrar a defesa do cabo e assinou um recurso ao STJ para tentar impedir que o caso fosse a júri. O pedido foi negado. O tema ganhou peso na campanha do segundo turno depois do debate da Band, em 18 de outubro, quando o presidente Lula (PT) o questionou sobre essa atuação. Na ocasião, segundo a cobertura do encontro, Flávio respondeu que o exercício da advocacia não deve ser criminalizado e que o policial ainda não tinha sido julgado.
Alpha for MenNo debate da Globo, a mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, esteve no estúdio. A Folha não confirmou quem a convidou. O trecho analisado aqui é a resposta de Flávio, e o vídeo não traz a fala dela nem a pergunta que o levou a falar do caso, por isso a reportagem não atribui a nenhum dos candidatos a origem do tema naquela noite.
O que dizem os dois lados
A leitura de Flávio é a de que o policial tem direito à presunção de inocência e de que, enquanto não houver júri, ninguém pode afirmar quem atirou. Já os críticos do candidato argumentam que um senador e candidato à Presidência não deveria atuar na defesa de um acusado de matar uma criança, enquanto o MPRJ sustenta, no processo, que houve homicídio. As posições se repetem na campanha, e nenhuma delas substitui a decisão do júri. O fato apurado, até agora, é que o julgamento não ocorreu.
Esta é a segunda vez em cinco dias que o assunto aparece num debate entre os dois. Para acompanhar o que mais foi dito na noite, veja a página dos debates do segundo turno, a checagem das falas do debate da Globo e a resposta de Lula na tréplica sobre o apelido de nove dedos. O resultado do domingo (25) sai na apuração em tempo real da Folha.
Informações sobre processos criminais podem ser consultadas nos portais do Ministério Público do Rio de Janeiro e do Tribunal de Justiça do estado.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






