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Extratos de Lulinha: os R$ 19,5 milhões de 2022 a 2026 voltam à campanha a quatro dias do 2º turno

Dados vieram da quebra de sigilo da CPMI do INSS, divulgados em março e suspensos por Dino; incluem R$ 721 mil depositados por Lula e são contestados pela defesa.

Lula e o filho Fábio Luís lado a lado em foto de arquivo; os extratos de Lulinha voltaram à campanha
Lula e o filho Fábio Luís lado a lado em foto de arquivo; os extratos de Lulinha voltaram à campanha

São 1.531 operações bancárias em quatro anos, que somam R$ 19,5 milhões entre entradas e saídas. Os extratos de Lulinha, como é conhecido Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT), foram obtidos pela CPMI do INSS e vieram a público em 5 de março. Desde esta quarta-feira (21), os números voltaram a circular nas redes, a quatro dias do 2º turno. O motivo é a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) sobre quem abre os sigilos da própria família.

A soma de R$ 19,5 milhões não equivale a lucro nem a saldo em conta: ela junta o que entrou, o que saiu e as transferências entre contas do próprio Lulinha, de janeiro de 2022 a 30 de janeiro de 2026. A defesa diz que as fontes de renda são legais e que o vazamento foi crime. Lulinha não foi denunciado nem condenado por nenhum crime ligado a esses dados.

O que os extratos de Lulinha mostram

Segundo os dados da quebra de sigilo divulgados em março, a conta teve R$ 9,77 milhões em créditos e R$ 9,75 milhões em débitos no período. O ano de maior movimento foi 2024, com R$ 7,27 milhões. Em 2022, o primeiro ano coberto, foram R$ 4,6 milhões.

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Boa parte das entradas não veio de terceiros. Resgates de fundos de investimento somaram R$ 4,4 milhões dos créditos. Os registros também mostram:

  • três depósitos do próprio presidente Lula, num total de R$ 721 mil: o maior, de R$ 384 mil, em julho de 2022, e os outros dois em dezembro de 2023;
  • um cheque de R$ 157 mil assinado por Paulo Okamotto, diretor do Instituto Lula, depositado no mesmo dia de um dos repasses do pai, em dezembro de 2023;
  • 17 transferências, que somam R$ 704 mil, para Jonas Suassuna Filho, ex-sócio de Lulinha e dono do sítio de Atibaia (SP) frequentado pelo presidente;
  • 15 transferências, que somam R$ 750 mil, para Kalil Bittar, outro ex-sócio, entre janeiro de 2024 e outubro de 2025;
  • créditos de uma empresa que tem como sócia Renata de Abreu Moreira, mulher de Lulinha.
Senador Carlos Viana dá entrevista no Senado no dia da votação que originou os extratos de Lulinha
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, no dia em que a comissão aprovou a quebra dos sigilos de Lulinha, em 26 de fevereiro. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

De onde vieram os dados

A CPMI do INSS aprovou a quebra dos sigilos de Lulinha em 26 de fevereiro, dentro de um pacote de 87 requerimentos votados de uma vez. O pedido foi do relator, deputado Alfredo Gaspar, e citava menções ao nome de Lulinha em mensagens de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso sob suspeita de operar as fraudes nos descontos de aposentadorias. A comissão é presidida pelo senador mineiro Carlos Viana (Podemos-MG). Governistas contestaram a votação, e a sessão terminou em briga entre parlamentares.

Os extratos de Lulinha chegaram à comissão, e o conteúdo vazou na semana seguinte. Horas depois da divulgação, no mesmo 5 de março, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a quebra. Para ele, pedidos de quebra de sigilo precisam ser votados um a um, com justificativa para cada investigado. A decisão, contada na reportagem da Folha sobre a entrega dos sigilos de Lulinha a Mendonça, tirou os dados das mãos da CPMI, mas não apagou o que já tinha sido publicado.

Antes disso, em janeiro, o ministro André Mendonça já tinha autorizado, a pedido da Polícia Federal, uma quebra de sigilo de Lulinha em outra frente. Ela não foi atingida pela decisão de Dino. Hoje, o filho do presidente é citado em inquéritos da PF sobre suspeita de tráfico de influência, tema do relatório da PF sobre Lulinha.

O que diz a defesa

Em março, a defesa afirmou que não teve acesso aos extratos de Lulinha e que não podia confirmar se os dados existiam nem se estavam corretos. Classificou o vazamento, “se ocorreu”, como crime grave e disse que procuraria o STF, o Congresso e a PF para punir os responsáveis.

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Sobre a origem do dinheiro, os advogados citaram as empresas de Lulinha, entre elas a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia, além do aluguel de um imóvel em São Paulo. Os repasses do pai foram explicados como adiantamento de herança. A defesa também falou em devolução de custos, empréstimo a uma empresa e pagamento de cotas, e lembrou que a soma das movimentações não representa valor líquido. O PT afirmou na época que os extratos não mostram nenhuma transação entre Lulinha e o Careca do INSS.

Por que os extratos de Lulinha voltaram agora

Os números reapareceram no meio da troca de desafios entre os candidatos. Na terça (20), Lula entregou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para abrir os sigilos dele, de Janja e dos filhos por oito anos, com a condição de Flávio fazer o mesmo. Nesta quarta, Flávio respondeu com uma petição em que aceita o desafio, mas exige os dados de Lulinha desde 2003, das empresas ligadas a ele e do Instituto Lula.

Do lado de Lulinha, a defesa informou na segunda (19) que ele entregou por conta própria os dados fiscais, bancários e telemáticos a Mendonça. A PF, por sua vez, pediu mais prazo para concluir as investigações. Até a publicação desta reportagem, Mendonça não havia decidido sobre o pedido, e nenhum dado novo das contas de Lulinha tinha sido divulgado oficialmente.

Em Patrocínio (MG), Flávio teve 61,18% dos votos válidos no 1º turno, e Lula, 30,44%, segundo o TSE. A votação do 2º turno é no domingo (25), das 8h às 17h. Os números de cada instituto estão na página de pesquisas do 2º turno, e a contagem dos votos será acompanhada na apuração em tempo real.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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