Lula e Cleitinho: governador “ameaçado” com obras ouve que só tem que ficar quietinho
Em Juiz de Fora, presidente disse que Minas vira "cemitério de obras paralisadas" se ele perder; à noite, governador eleito reafirmou apoio a Flávio Bolsonaro.

A troca de recados entre Lula e Cleitinho chegou ao palanque nesta sexta-feira (16), em Juiz de Fora (MG). No discurso que encerrou uma caminhada de campanha na cidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), “não precisa me apoiar” e “só tem que ficar quietinho”. Na mesma fala, avisou que as obras federais no estado vão parar se ele perder o segundo turno.
A frase saiu em tom de brincadeira, no meio de elogios ao adversário. “Eu tenho certeza que o Cleitinho é esperto. Ele não precisa me apoiar, só tem que ficar quietinho, porque ele só tem a ganhar no final das eleições”, disse Lula. Cleitinho apoia Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista na votação de 25 de outubro, e respondeu na mesma noite que continua com o candidato do PL.
O que Lula disse sobre Cleitinho em Juiz de Fora
Lula começou pelo resultado de 4 de outubro, quando Cleitinho foi eleito governador de Minas no primeiro turno, com 55,4% dos votos válidos, contra 26,3% de Patrus Ananias (PT). “Elegeu um governador. Não foi o nosso, mas elegeu um governador. E a vontade do povo tem que ser respeitada”, afirmou. Em outro trecho, chamou Cleitinho de “governador do povo mineiro”.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Antes de Juiz de Fora, o presidente participou em Brasília da promulgação da emenda constitucional que acaba com a escala 6×1 e usou o tema contra Flávio no palanque. Depois, seguiu para outro ato de campanha em Ipatinga, no Vale do Aço. A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), e a senadora eleita Marília Campos (PT) acompanharam o discurso.
Obras paradas: o trecho lido como “ameaça”
O que mais repercutiu veio logo depois do afago. Lula ligou o futuro dos investimentos federais em Minas ao resultado do segundo turno e disse que a reeleição dele é a única chance de Cleitinho reconstruir o estado. “Se a gente não ganhar, tudo que está investido em Minas Gerais vai ser paralisado. Isso aqui vai ficar um cemitério de obras paralisadas”, declarou.
Foi essa combinação, o pedido para que o governador eleito fique “quietinho” e o aviso de que as obras param sem a vitória do PT, que colunas e sites de oposição passaram a tratar como ameaça a Cleitinho e ao estado. Lula não anunciou corte de verba nem falou em punir o governador. O que ele disse é que as obras seriam paralisadas caso perca a eleição. No mesmo discurso, culpou o ex-governador Romeu Zema (Novo), que deixou o cargo em março para disputar a Presidência, pelo que chamou de estrago a ser recuperado em Minas.
Lula e Cleitinho em lados opostos no 2º turno
Cleitinho não ficou quieto. Em vídeo publicado nas redes sociais na noite de sexta, o governador eleito reafirmou o apoio a Flávio Bolsonaro. “Desde janeiro desse ano que eu já me posicionei, que eu estou apoiando o Flávio Bolsonaro”, disse. Ele atribuiu a escolha à identificação com a direita e à gratidão a Jair Bolsonaro, que o apoiou na eleição para o Senado.
Alpha for MenNo vídeo, Cleitinho contou que fez dois pedidos a Flávio: apoio ao fim da escala 6×1 e que parte das prestações da dívida de Minas com a União, que ele calcula em R$ 200 bilhões, volte ao estado. “Que essas prestações pudessem ser revertidas para Minas Gerais em obras de infraestrutura, segurança pública, saúde”, afirmou. Segundo ele, Flávio assumiu o compromisso, e não houve pedido de cargo nem de ministério. Cleitinho disse ainda que, seja quem for o eleito, vai a Brasília conversar com o próximo presidente sobre as contas de Minas.
A situação fiscal do estado pesa sobre a transição. A Folha já mostrou que o caixa curto em janeiro põe em dúvida o pagamento dos servidores logo no começo do novo governo, que toma posse em 6 de janeiro de 2027. Na Assembleia, Cleitinho sinalizou neutralidade na disputa pela presidência da ALMG.

Como Juiz de Fora, Minas e Patrocínio votaram
Lula escolheu para o recado uma das poucas grandes cidades mineiras em que venceu no primeiro turno. Em Juiz de Fora, teve 49,58% dos votos válidos, contra 41,53% de Flávio, segundo o TSE. Entre as dez maiores cidades de Minas, foi a única vitória do petista. No estado, Flávio terminou à frente, com 48,24% contra 43,33%.
Em Patrocínio, a distância foi bem maior. Flávio teve 61,18% dos votos válidos, contra 30,44% de Lula, e Cleitinho fez 71,47% para governador, com 34.144 votos, acima dos 55,4% que teve no estado. Na cidade, Lula e Cleitinho tiveram desempenhos opostos: o petista ficou abaixo da média mineira, e o governador eleito, bem acima dela.
O resultado de cada local está na votação por escola em Patrocínio, e o voto da cidade para governador e senador está neste levantamento.
O que acontece até 25 de outubro
O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula será no domingo, 25 de outubro.
Se o petista for reeleito, Lula e Cleitinho vão negociar a partir de janeiro as obras federais e a dívida de Minas com a União. Se Flávio vencer, o governador eleito diz que já tem o compromisso do candidato do PL de trocar as prestações por obras.
Cleitinho não disputa mais nada nesta eleição, mas Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país, e os dois candidatos seguem em campanha no estado. As sondagens dos institutos estão reunidas na página de pesquisas do segundo turno, e a contagem dos votos no dia 25 terá apuração em tempo real na Folha. Os números oficiais do primeiro turno estão no site de resultados do TSE.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






