Novo em Minas: 21 lideranças pedem troca no comando e citam Patrocínio na carta
A carta cita a saída do prefeito Gustavo Brasileiro. No TSE, o partido teve 88 votos para deputado federal em Patrocínio e não elegeu nenhum por Minas.

Vinte e uma lideranças do Novo em Minas Gerais, atuais e antigas, entre elas seis vereadores em exercício, mandaram ao presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, uma carta que pede a reestruturação do diretório estadual e a entrega do comando a “lideranças independentes”. Segundo os signatários, o documento foi assinado eletronicamente nos dias 8 e 9 de outubro. O texto põe na conta da direção estadual, presidida por Christopher Laguna, o encolhimento do partido nas urnas e a saída de nomes que tinham voto.
Patrocínio (MG) está entre os exemplos citados. Segundo o que foi divulgado da carta, o hoje prefeito Gustavo Brasileiro, que teve cerca de 24 mil votos para deputado estadual em 2022, deixou o Novo enquanto Romeu Zema e Mateus Simões apoiavam o grupo adversário, e depois venceu a eleição municipal. A íntegra do documento não foi divulgada. A Folha conferiu no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os números atribuídos a ele, e em dois pontos o que foi divulgado não bate com o tribunal.

O que a carta pede
Os signatários pedem quatro mudanças: um novo comando estadual, mais gente do interior na direção, autonomia para os diretórios municipais e a preparação antecipada de candidaturas próprias a vereador, prefeito e deputado. O argumento central é que a direção estadual “subordinou as decisões do partido ao projeto de candidatura de Simões ao Palácio Tiradentes”.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.A carta conta que, até a filiação de Simões ao PSD, a direção negava que ele fosse sair, e que as lideranças municipais “souberam da mudança pela imprensa”.
O grupo também diz que o diretório manteve o apoio a Simões em troca da indicação do vice. O posto acabou com outro partido: na noite de 5 de agosto, a federação União Brasil-PP oficializou Danilo de Castro, do União Brasil, como vice de Simões. Pelo acordo divulgado na época, o Novo, que ficaria com a vaga, recebeu em troca o apoio de Simões a Superman, candidato do partido ao Senado. Simões terminou a disputa pelo governo em quarto lugar, com 530.292 votos (4,65% dos válidos), segundo o TSE. Em Patrocínio, ficou com 2,38%.
Os seis vereadores do Novo em Minas que assinam a carta são Wenderson Arlei (Itaúna), Rian Pereira (Nova Era), Paulo Henrique Caixeta (Patos de Minas), João Alfredo Góes (Unaí), Alexandre Souza (Santa Rita do Sapucaí) e Valteir Geraldo (Crucilândia). Da região, também aparece Professor Jair, de Monte Carmelo.
Os números do Novo em Minas, conferidos no TSE
A carta compara os 461.859 votos do Novo em Minas para deputado federal em 2018 com os 71.867 deste ano. Em 2018, o Novo elegeu dois deputados federais pelo estado, Tiago Mitraud e Lucas Gonzalez. Em 2026, o painel de resultados do TSE soma 71.870 votos, três a mais que a carta: 66.164 dados a candidatos e 5.706 à legenda. Nenhum deputado federal foi eleito. Para uma cadeira em Minas, o quociente eleitoral deste ano foi de 214.720 votos, cerca de três vezes o que o partido teve. O candidato mais votado da legenda foi Braulio Lara, com 16.072 votos.
Alpha for MenNa Assembleia, o resultado do Novo em Minas foi outro. O partido somou 290.469 votos para deputado estadual e elegeu dois nomes: Dr. Maurício, com 64.692, e Zé Laviola, com 62.970. Para o Senado, Marco Antônio Superman teve 1.895.603 votos (9,24%) e não se elegeu.
Quem saiu e o que o tribunal registra
A carta lista nomes que deixaram o Novo entre março e abril de 2026, quando se montava a chapa de deputado federal. Os números de dois deles batem com o TSE:
- Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis eleito pelo Novo, teve 126.248 votos e se elegeu deputado federal pelo Republicanos;
- Rafhael de Paulo, candidato a prefeito de Unaí em 2024, teve 38.738 votos para deputado estadual pelo PL e ficou como suplente.
O terceiro não bate. Pelo que foi divulgado da carta, Juninho Sinonô, candidato a prefeito de Sete Lagoas em 2024, concorreu a deputado estadual pelo Republicanos. No TSE, ele aparece como candidato a deputado federal, com 9.475 votos, e ficou como suplente.
O caso de Patrocínio no registro oficial
O DivulgaCand, sistema de candidaturas do TSE, mostra Gustavo Brasileiro como candidato a deputado estadual pelo Novo em 2022, quando ficou como suplente. Em 2024, ele aparece eleito prefeito de Patrocínio pelo DC, e não pelo Republicanos, como diz o que foi divulgado da carta. O Republicanos é o partido do vice, Maurício Cunha.
O DivulgaCand registra ainda que o próprio Novo fez parte da coligação que elegeu Brasileiro, a Uma Patrocínio para Todos, ao lado de Republicanos, PDT, Podemos, PSB, PSD, Avante e Solidariedade. A Folha não encontrou registro público de apoio de Zema ou Simões ao adversário dele em 2024.
Em 2026, o Novo quase não teve voto para deputado na cidade. Dos 48.486 votos válidos para deputado federal em Patrocínio, os candidatos e a legenda do partido somaram 88, menos de 0,2%. Para deputado estadual foram 155. Na mesma eleição, o candidato do partido ao Senado foi bem: Superman teve 14.294 votos na cidade, 16,90% dos válidos, quase o dobro do percentual que fez no estado, como a Folha mostrou na matéria sobre em quem Patrocínio votou para governador e senador.
A região aparece em outro ponto do documento. Segundo os signatários, a direção estadual não agiu para manter no partido Luís Eduardo Falcão, reeleito prefeito de Patos de Minas, que foi para o Republicanos e se elegeu vice-governador na chapa de Cleitinho. A carta também diz que o diretório estadual vetou uma candidatura própria em Araxá.
O que diz a direção estadual
Em declaração à imprensa, Christopher Laguna afirmou que a carta não chegou oficialmente a ele, porque foi endereçada ao presidente nacional, e pôs em dúvida o peso do grupo: “Nós temos 300 municípios e temos 20 assinaturas”. Ele disse que o partido é democrático e que se manifestar é direito dos filiados. Pelas contas de Laguna, Minas concentra 30% dos mandatos do Novo no país, com 95 vereadores, sete prefeitos, 11 vice-prefeitos e os dois deputados estaduais.
Até a publicação desta matéria, a Folha não encontrou manifestação pública de Eduardo Ribeiro nem da direção nacional sobre o pedido das lideranças do Novo em Minas. O site oficial do diretório estadual também não trazia nota sobre a carta.
A próxima eleição municipal, em 2028
O pedido de candidaturas próprias mira a eleição municipal de 2028, quando Patrocínio e as outras 852 cidades mineiras escolhem prefeito e vereadores de novo. A Folha comparou o resultado de cada partido na Câmara na matéria sobre as bancadas da Câmara em 2027. Os números por candidato e por cidade estão no painel de resultados do TSE.
Correção (16/10, 20h05): a versão anterior informava que o vice de Simões foi anunciado em 6 de agosto. O anúncio foi na noite de 5 de agosto. O texto também atribuía à própria carta duas informações que não batem com o TSE; a íntegra do documento não foi divulgada, e as divergências se referem ao que foi divulgado dela. Esta versão inclui ainda que o Novo integrou a coligação que elegeu Gustavo Brasileiro em 2024.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






