A Justiça Eleitoral de Minas Gerais determinou, nesta terça-feira (22/9), a remoção de um vídeo contra Falcão publicado pelo governador de Minas Gerais e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD). Na gravação, feita em 18 de setembro no perfil oficial do candidato no Instagram, Simões afirma que Luís Eduardo Falcão Ferreira, candidato a vice-governador na chapa de Cleitinho (Republicanos), “responde a CPI sobre fraudes na saúde”, uma comissão que, segundo o próprio relator, não trata Falcão como investigado.

A decisão foi proferida em caráter liminar pelo juiz auxiliar Jair Francisco dos Santos, relator do caso no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), dentro de um pedido de direito de resposta apresentado pela coligação Minas É do Povo (Republicanos/PODE) e pelo próprio Falcão. Os autores da ação sustentam que a frase usada por Simões é inverídica e pode continuar influenciando eleitores enquanto a publicação estiver disponível.

Vídeo contra Falcão: o que motivou a decisão

No vídeo, Simões questiona as escolhas feitas por Cleitinho para compor a chapa adversária ao governo de Minas. “Você escolheu para vice uma pessoa que responde a CPI sobre fraudes na saúde”, diz o candidato na gravação, referindo-se à CPI nº 02/2026, aberta pela Câmara Municipal de Patos de Minas para apurar contratos do município com o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Paranaíba (Cisalp), consórcio público que atende dezenas de cidades da região, entre elas Patos de Minas desde 2019.

Para contestar a afirmação, a defesa de Falcão apresentou ao TRE-MG uma declaração assinada pelo vereador Paulo Augusto Corrêa, relator da CPI da Saúde em Patos de Minas. Detalhes do processo, levantados pelo Patos Notícias, mostram que, de acordo com o documento, depois de consultar os registros oficiais da comissão, Falcão “não figura como investigado no âmbito da CPI nº 02/2026”. Na decisão, o juiz Jair Francisco dos Santos ressaltou que o período analisado pela CPI coincide com os anos em que Falcão foi prefeito de Patos de Minas, mas isso, isoladamente, não faz dele um investigado pela comissão.

“Existe documento proveniente do próprio relator da Comissão Parlamentar de Inquérito que contraria objetivamente a afirmação transmitida ao eleitorado”, registrou o magistrado ao autorizar a retirada do conteúdo. Falcão foi prefeito de Patos de Minas antes de se lançar candidato a vice na chapa de Cleitinho, um dos principais adversários de Simões na corrida ao governo de Minas.

Mateus Simões fala em coletiva de imprensa antes do vídeo contra Falcão
Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

Meta tem 24 horas e Simões ainda pode se defender

A decisão que manda retirar o vídeo contra Falcão obriga a Meta Platforms Brasil, responsável pelo Instagram e pelo Facebook, a tornar a publicação indisponível em até 24 horas a partir do recebimento da ordem judicial. Em caso de descumprimento, o TRE-MG fixou multa diária de R$ 2 mil. Mateus Simões também foi citado para apresentar defesa no prazo de um dia, e depois disso o Ministério Público Eleitoral deverá se manifestar no mesmo prazo.

O próprio juiz relator fez uma ressalva importante: a decisão tem caráter estritamente cautelar e não representa o julgamento definitivo do pedido de direito de resposta. Simões ainda poderá apresentar, durante sua defesa, documentos ou outros elementos que demonstrem situação diferente da descrita pelo relator da CPI. O mérito do pedido de direito de resposta segue em análise na Justiça Eleitoral mineira.

Não é a primeira vez que a Justiça Eleitoral interfere na propaganda de Simões nesta campanha. Nas últimas semanas, o TRE-MG já suspendeu outras peças eleitorais do governador, em decisões que também atingiram adversários como Cleitinho, Op. Roscoe e Patrus Ananias. O ambiente eleitoral em Minas Gerais tem sido marcado por disputas judiciais quase diárias entre as principais candidaturas ao governo do estado.

O episódio acontece em meio a uma disputa acirrada pelo governo de Minas, com Simões e Cleitinho na ponta das pesquisas e trocando acusações praticamente todos os dias de campanha. Para o eleitorado do Alto Paranaíba, região onde Patos de Minas é um dos maiores polos, a pouco mais de 100 km de Patrocínio, o episódio ganha um componente extra: a CPI citada na disputa apura contratos de saúde de um município vizinho, ligados a um consórcio que atende parte do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba. Enquanto o mérito do direito de resposta não é julgado, a defesa de Simões ainda pode recorrer da decisão liminar sobre o vídeo contra Falcão.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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