A verba indenizatória de Jean Freire, deputado estadual de Minas Gerais pelo PT, somou R$ 1.125.062,93 entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, segundo dados abertos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Uma parte relevante desse valor foi parar em apenas três fornecedores, dois deles sediados nas cidades que formam o reduto eleitoral do parlamentar.

O que a verba indenizatória de Jean Freire mostra

Levantamento feito pela Folha de Patrocínio a partir da API de dados abertos da ALMG mostra que o gasto do deputado cresceu ano a ano: R$ 318.910,52 em 2023, R$ 396.149,03 em 2024 e R$ 410.003,38 em 2025. A maior fatia do dinheiro, R$ 445.969,85, foi para locação de veículos, quase toda ela concentrada num único fornecedor, a Locadora de Veículos Floresta Ltda, de Belo Horizonte.

Não há, nesses três anos de verba indenizatória de Jean Freire, nenhuma glosa ou irregularidade formal registrada pela própria ALMG nos meses consultados pela reportagem. A verba indenizatória é de uso discricionário do parlamentar, dentro de categorias predefinidas pela própria Casa, e não passa por processo de licitação.

Os dois contratos fixos de R$ 5 mil por mês

Chama atenção o padrão de dois contratos de valor fixo mensal, pagos por longos períodos: a IPS Assessoria e Consultoria Pública em Educação, de Pedra Azul, recebeu R$ 5.000 por mês em 29 dos 36 meses analisados, somando R$ 145.000. Já o escritório Guilherme de Castro Henriques Advocacia, de Teófilo Otoni, recebeu o mesmo valor mensal entre abril e dezembro de 2024, um total de R$ 45.000, interrompido a partir de 2025.

Pedra Azul e Teófilo Otoni ficam no Vale do Jequitinhonha e no Vale do Mucuri, região onde Jean Freire construiu sua carreira política, primeiro como vereador em Itaobim e depois como deputado estadual. A Folha de Patrocínio não encontrou, nos quadros societários dessas duas empresas, nenhum sobrenome que coincida com o do deputado ou de familiares próximos.

O que a Justiça mostra sobre o deputado

A apuração da Folha de Patrocínio consultou o sistema de consulta pública do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e a Consulta Pública Unificada da Justiça Eleitoral. Foram localizados dois processos cíveis: um deles, movido pela Fundação Educacional Lucas Machado contra o deputado e a esposa dele, terminou em acordo homologado em agosto de 2024 e foi arquivado logo em seguida. O outro é uma ação de servidão movida pela Copasa contra 64 proprietários de terras em Medina, entre os quais está o nome de Jean Freire, num processo típico de instalação de infraestrutura de saneamento.

Também foram localizadas duas notícias de irregularidade em propaganda eleitoral, registradas na campanha de 2022, uma delas por suposto uso de alto-falante fora das regras e outra por inobservância de limite. Esse tipo de registro é o estágio mais preliminar de uma denúncia eleitoral: não equivale a multa nem a condenação, e o teor completo dos dois processos não pôde ser acessado pela reportagem, que esbarrou em verificação de segurança do próprio sistema do Tribunal Superior Eleitoral. Não foi localizado nenhum processo criminal ou ação de improbidade administrativa contra o deputado.

Quem é Jean Freire

Jean Mark Freire Silva é médico, com registro regular no Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais na especialidade de cirurgia geral. Está no terceiro mandato consecutivo como deputado estadual, eleito pela primeira vez em 2014, e ocupa hoje a vice-liderança de bloco na ALMG e a vice-presidência estadual do PT em Minas Gerais.

Como a apuração foi feita

Os dados de verba indenizatória vêm diretamente da plataforma de dados abertos da ALMG, consultada mês a mês entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025. Os processos judiciais foram checados nos sistemas de consulta pública do TJMG e da Justiça Eleitoral. Toda a reconstituição da verba indenizatória de Jean Freire neste texto veio de fonte primária oficial, sem intermediação de terceiros.


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