Erro das pesquisas: nenhuma das cinco previu Flávio na frente
Datafolha, Quaest, Atlas, CNT e Real Time Big Data davam Lula à frente. Na urna, Flávio fez 47,03% a 45,16%, e o desvio chegou a quase oito pontos.

Nenhuma das cinco pesquisas de presidente reunidas pelo Metrópoles apontou Flávio Bolsonaro (PL) na frente. A urna, no domingo (4), disse o contrário: o senador terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT), segundo o TSE. O erro das pesquisas virou assunto da segunda-feira (5), e os próprios institutos já tentam explicar a distância entre o que mediram e o que saiu das urnas.
O levantamento foi organizado pelo portal Metrópoles, que reuniu o último número de cada instituto e comparou com a apuração. A Folha conferiu o resultado oficial na própria cobertura do TSE e acrescenta abaixo o que outras sondagens, divulgadas nas semanas anteriores, mostravam.
O erro das pesquisas em números
Os números abaixo são os últimos divulgados por cada instituto antes da votação, conforme o Metrópoles. Em todos, Lula aparece à frente:
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- Quaest: Lula 46%, Flávio 45%
- Real Time Big Data: Lula 43%, Flávio 39%
- Atlas/Intel: Lula 47%, Flávio 44,1%
- CNT: Lula 47,8%, Flávio 42,1%
A vantagem de Lula ia de um ponto, no Quaest, a 5,7 pontos, na pesquisa CNT. Na apuração, o resultado se inverteu: Flávio ficou 1,87 ponto à frente, o que dá cerca de 2,2 milhões de votos de diferença, de acordo com o Metrópoles. A distância entre a previsão e o resultado, na diferença entre os dois candidatos, variou de aproximadamente três a quase oito pontos, dependendo do instituto.
Um cuidado na comparação: as pesquisas costumam divulgar os números em votos totais ou em votos válidos, e o TSE usa só os válidos. O Datafolha da véspera, por exemplo, trazia 45% para Lula e 40% para Flávio entre os votos válidos, segundo o jornal JB. A base muda a conta, mas não muda o sentido do erro.
Pesquisas menores já mostravam Flávio na frente
O erro das pesquisas não foi uniforme. A Folha publicou em setembro que a pesquisa Gerp dava a Flávio 40% e a Lula 37% no primeiro turno, e que o Veritá colocava Flávio com 43,95% e Lula com 41,51%. Eram institutos de menor alcance, mas acertaram o sinal da disputa que as grandes sondagens erraram.
Em Minas Gerais, o Veritá também apontava Flávio na frente, com 43,7% contra 40% de Lula, como a Folha mostrou na cobertura da pesquisa Veritá em Minas.
Governos estaduais também foram na contramão
O Metrópoles aponta que os desvios se repetiram nas disputas estaduais, com o Distrito Federal e o Rio de Janeiro citados como exemplos. No Distrito Federal, a maioria dos levantamentos recentes indicava vitória da governadora Celina Leão (PP) sobre o petista Leandro Grass ainda no primeiro turno. A apuração mostrou Celina com 49,9% dos votos válidos e Grass com 34,4%, e a disputa foi para o segundo turno.
O erro das pesquisas na explicação dos institutos
Segundo o Metrópoles, os institutos reconhecem a distância, mas minimizam o erro. Argumentam que pesquisa é um “retrato do momento” e não uma previsão, e citam um forte “voto útil de direita” em favor de Flávio Bolsonaro na última semana, que não teria dado tempo de aparecer nas sondagens. A explicação é plausível, mas não está comprovada: ainda não há estudo que meça quanto do desvio vem do voto útil e quanto vem de outros fatores, como o método de amostragem e o momento da coleta.
Toda pesquisa tem margem de erro, e como ela vale para cada candidato, a diferença entre os dois pode oscilar mais do que o número divulgado. Ainda assim, o fato de todas as cinco sondagens terem errado na mesma direção, subestimando Flávio, sugere uma causa comum e não só o acaso.
Como Patrocínio votou
Em Patrocínio, o resultado da urna foi mais folgado para Flávio do que a média do país. A Folha publicou que o senador teve 61,15% dos votos para presidente na cidade, contra 30,48% de Lula. Para o eleitor local, o debate sobre confiança nas pesquisas chega a menos de três semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O que muda até 25 de outubro
Com o segundo turno entre Lula e Flávio, novas pesquisas serão divulgadas nos próximos dias, e a confiança nos institutos tende a ser testada de novo. Até lá, vale ler cada número como uma estimativa com margem de erro e conferir sempre a data do trabalho de campo, a base de cálculo e o registro da pesquisa no TSE. O que decide a eleição é o voto, e o erro das pesquisas no primeiro turno mostrou que o resultado pode diferir do que as sondagens indicavam.
Com informações do Metrópoles, do TSE e da cobertura da Folha de Patrocínio. Imagem: montagem com fotos de Flávio Bolsonaro (Senado Federal, CC BY-SA 4.0) e de Lula (Lula Oficial, CC BY-SA 4.0).
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