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Restrição ao Veritá: instituto diz que posts foram ocultados

Nota diz que posts com Flávio Bolsonaro (51,56%) e Lula (48,44%) ficaram visíveis por minutos; o instituto afirma não saber o motivo e promete voltar a publicar.

Flávio Bolsonaro e Lula ao lado do logotipo do Instituto Veritá, em imagem sobre a restrição ao Veritá
Flávio Bolsonaro e Lula ao lado do logotipo do Instituto Veritá, em imagem sobre a restrição ao Veritá

O Instituto Veritá diz que as duas publicações com a pesquisa do segundo turno presidencial, postadas na noite de segunda-feira (5), saíram da vista do público poucos minutos depois de irem ao ar. A restrição ao Veritá aparece em nota assinada por Adriano Silvoni, publicada no perfil do instituto no Instagram, e até agora não tem explicação oficial.

Segundo o texto, as postagens estavam previstas para as 20h e foram ao ar às 20h06 e às 20h35. Em seguida, passaram a aparecer só para os administradores da conta. Nesse intervalo curto, o instituto afirma que os informativos somaram cerca de meio milhão de visualizações em menos de dez minutos. “Ainda não sabemos o motivo da restrição”, diz a nota.

Nota do Instituto Veritá sobre a restrição ao Veritá nas publicações com a pesquisa do segundo turno
Nota assinada por Adriano Silvoni, publicada no perfil do Instituto Veritá no Instagram. Imagem: reprodução

O que o Veritá diz ter publicado

Os dados fazem parte da última rodada de pesquisas do instituto. De acordo com a nota, as publicações traziam os registros das 27 unidades da Federação, além de amostra, período, margem de erro, intervalo de confiança e as demais informações que a legislação eleitoral exige. O levantamento dá a Flávio Bolsonaro (PL) 51,56% dos votos válidos no segundo turno e a Lula (PT) 48,44%, uma diferença de 3,12 pontos percentuais. A metodologia, com 40.500 entrevistas feitas entre 26 de setembro e 2 de outubro, está detalhada na matéria Pesquisa Veritá nacional, e o recorte mineiro do mesmo instituto saiu em Pesquisa Veritá em Minas.

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O instituto afirma que atua em eleições desde 1996 e que jamais infringiria de propósito a legislação que diz conhecer e respeitar. A nota promete voltar a publicar os dados sobre o voto do eleitor brasileiro assim que for possível.

A restrição ao Veritá e o acerto no primeiro turno

O comunicado também faz um balanço do primeiro turno, realizado no domingo (4). O Veritá diz ter acertado a ordem dos quatro primeiros candidatos. No arredondamento para uma casa decimal, afirma que três resultados tiveram diferença de 0,0 ponto percentual em relação ao resultado oficial, e apenas um, de 0,1 ponto. Reproduções do balanço na imprensa citam 47% para Flávio e 45% para Lula nas projeções do instituto, contra 47,03% e 45,16% nas urnas, segundo o site Aliados Brasil.

Acertar o resultado de uma eleição não valida as outras pesquisas do instituto, porque cada levantamento tem amostra, período e método próprios. A Folha trata o balanço como informação do próprio Veritá, sem conferência independente.

O histórico do instituto na Justiça Eleitoral

A nota não menciona decisões judiciais, mas o contexto pesa na leitura. Em 2026, o Veritá teve pesquisas barradas por tribunais regionais eleitorais em 13 estados e no Distrito Federal, de acordo com coluna de Demétrio Vecchioli, do Metrópoles. Os casos citam amostras com excesso de eleitores com ensino superior, como em Sergipe (31,1% da amostra, contra 12,82% do eleitorado), entrevistas concentradas na capital no Espírito Santo e, no Amazonas, 62% da amostra com dados duplicados em série. O TRE do Rio Grande do Norte aplicou multa de R$ 58 mil por reincidência.

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Ao comentar essas decisões, segundo a coluna, Silvoni disse que “cada juiz tem um entendimento” e que, no fim, o instituto mostra e acerta, citando resultados de 2018, 2022 e 2024. Todas as decisões se referem a pesquisas estaduais específicas. Nas fontes consultadas, a Folha não localizou decisão da Justiça Eleitoral sobre a pesquisa nacional do segundo turno, nem posicionamento da Meta, dona do Instagram, sobre a restrição ao Veritá.

O que as regras dizem e o que falta saber

Pela Lei das Eleições (Lei 9.504/1997), toda pesquisa de opinião sobre eleições ou candidatos feita para conhecimento público precisa ser registrada na Justiça Eleitoral até cinco dias antes da divulgação. O eleitor que quiser conferir os números de qualquer levantamento pode consultar o registro pelo número informado na própria pesquisa.

Restrição de conteúdo em rede social não é, por si só, decisão da Justiça Eleitoral. Plataformas aplicam regras próprias de moderação e podem limitar a exibição de um post por critérios automáticos. A nota do Veritá fala em restrição. A palavra censura aparece em postagens que repercutiram o caso, não no comunicado. Até o instituto ou a plataforma dizerem o que motivou a limitação, qualquer explicação é conjectura.

A Folha atualiza esta matéria caso a Meta, o instituto ou a Justiça Eleitoral se manifestem sobre a restrição ao Veritá.


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