Café cai em Nova York e saca compra menos adubo no Cerrado
Expocacer segura a saca a R$ 1.670 em Patrocínio enquanto o Sul de Minas corta até 5,8%; Cepea diz que o adubo exige 19,4% mais café que em agosto.

O café cai em Nova York nesta quarta-feira (7) e devolve quase toda a alta da véspera. O contrato de dezembro do arábica fechou a 292,70 centavos de dólar por libra-peso, queda de 11,75 pontos, ou 3,86%. Na mesma manhã, o Cepea calculou que o cafeicultor precisa hoje de 19,4% mais café para comprar o mesmo adubo que comprava em agosto, justo quando começa a adubação da safra 2027/28.
A cotação atualizada está na página preço do café hoje em Patrocínio, com o indicador CEPEA/ESALQ, a bolsa de Nova York e o dólar.
Por que o café cai em Nova York
Os outros vencimentos acompanharam. Março de 2027 perdeu 10,95 pontos e terminou a 284,90 centavos, e maio recuou 10,80 pontos, para 281,70. Em Londres, onde se negocia o robusta, o contrato de novembro caiu US$ 105 por tonelada (2,92%) e fechou a US$ 3.485. Na B3, o arábica de dezembro recuou 2,49%, para US$ 362,75 por saca.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Na terça (6), o arábica tinha subido mais de 4% e passado dos 300 centavos, empurrado pela alta do real e pelo medo de seca no Brasil. Nesta quarta, o mercado voltou a olhar para a oferta. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) informou que o país exportou 3,93 milhões de sacas de café verde em setembro, o maior volume em 20 meses, como a Folha mostrou na matéria sobre as exportações de setembro.
Um relatório da corretora Price Futures, citado pelo portal Notícias Agrícolas, diz que a colheita brasileira está praticamente encerrada e que as chuvas chegaram no período esperado, o que favorece a próxima safra. O risco que continua no radar é o El Niño, que pode mudar o regime de chuvas e voltar a mexer com os preços.
Patrocínio segura o preço da saca
Mesmo quando o café cai em Nova York com essa força, o mercado físico demora a reagir, e a queda ainda não chegou à praça de Patrocínio. Na tabela do Notícias Agrícolas desta quarta, a Expocacer manteve o café tipo 6 bebida dura bica corrida a R$ 1.705 a saca, e o tipo 6/7 a R$ 1.670, sem variação sobre o dia anterior. O cereja descascado ficou em R$ 1.735.
No Sul de Minas, as cooperativas baixaram as ofertas. Em Varginha, a Minasul cortou o tipo 6 em 5,81%, para R$ 1.620. Em Machado, a Coopama recuou 4,60%, para R$ 1.660. A Coocacer, de Araguari, também no Cerrado Mineiro, baixou 2,94%, para R$ 1.650. Em Franca (SP), a Cocapec manteve R$ 1.650.
Alpha for MenO preço do físico costuma andar atrás da bolsa. Quando Nova York cai forte num dia, as cooperativas ajustam a tabela no pregão seguinte ou esperam para ver se a queda se confirma. Com o dólar em R$ 5,00, a cotação de dezembro equivale a cerca de R$ 1.936 por saca, ainda acima do que se paga no físico em todas as praças da tabela.

Adubo mais caro quando o café cai em Nova York
Para quem está na lavoura, o dado do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP) talvez pese mais que a bolsa. Com a volta das chuvas, os cafeicultores entram na fase de adubação da safra 2027/28. Pela conta do Cepea, que compara o indicador do arábica com o preço médio dos fertilizantes em São Paulo, o produtor precisa de 19,4% mais café em outubro para levar a mesma quantidade de adubo que levava em agosto.
Segundo o Cepea, boa parte dos produtores já comprou o adubo desta primeira aplicação. Mas uma nova aplicação deve ser feita até o fim do ano e no começo de 2027, e essa compra já está sendo planejada. Num dia em que o café cai em Nova York quase 4%, essa conta fica mais apertada, porque a saca passa a comprar menos adubo do que comprava há dois meses.
O indicador Cepea/Esalq do arábica fechou a terça (6) em R$ 1.568,95, praticamente estável. É uma referência de São Paulo, com base diferente da tabela das cooperativas, por isso os valores não batem com os de Patrocínio.
O que isso muda para o produtor de Patrocínio
Patrocínio é a terceira cidade do país em volume de café e a primeira em valor da produção, segundo o IBGE, como a Folha mostrou na matéria sobre a produção municipal. Na cidade fica a sede da Expocacer, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado, fundada em 1993. Para quem produz aqui, o mês de outubro junta duas decisões: vender o café que sobrou da safra 2026 e fechar a compra do adubo da próxima.
Quem ainda tem café estocado pode comparar o preço da saca com o custo do adubo antes de decidir. A troca direta, em que a cooperativa ou a revenda entrega o insumo em troca de sacas, é uma das formas de travar essa relação. Vale conversar com o técnico da cooperativa sobre a dose certa para cada talhão: adubo aplicado com análise de solo rende mais por real gasto.
O que observar nos próximos dias
Até o fim do mês, o preço deve seguir a chuva no Cerrado e no Sul de Minas, que define o pegamento da florada, e o câmbio, com o dólar perto de R$ 5,00. Os números de exportação de outubro também contam, porque mostram quanto café brasileiro ainda vai chegar ao mercado. A Folha acompanha as cotações do café todos os dias e volta ao assunto quando a tabela das cooperativas refletir a queda de Nova York.
Fontes: Cepea/Esalq, Secex, Price Futures e tabela do mercado físico do Notícias Agrícolas de 7/10.
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