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Política

Entenda o TAC da Sigma Lithium com o governo de Minas

Mineradora retoma atividades no Vale do Jequitinhonha após pagar ajustes e multa por irregularidades ambientais; acordo é contestado na Justiça por comunidades quilombolas.

Complexo industrial da Sigma Lithium no Vale do Jequitinhonha, alvo do TAC da Sigma Lithium com Minas Gerais
Complexo industrial da Sigma Lithium no Vale do Jequitinhonha, alvo do TAC da Sigma Lithium com Minas Gerais

A mineradora Sigma Lithium anunciou na noite da última sexta-feira (21) a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta com o governo de Minas Gerais. O TAC da Sigma Lithium permite à empresa retomar as operações no Complexo Grota do Cirilo, entre os municípios de Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha, semanas depois de a Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) ter embargado as duas cavas onde a companhia extrai lítio.

O que motivou a suspensão das licenças da Sigma Lithium

A Feam suspendeu as licenças da mineradora em julho, depois que técnicos do órgão identificaram uma série de irregularidades em relatório de 73 páginas e autos de infração assinados nos dias 8 e 10 daquele mês. Entre os problemas apontados estão intervenções em cursos d’água sem autorização ambiental, supressão irregular de vegetação e extração de água subterrânea fora das condições da licença. Imagens de satélite analisadas pelos técnicos também mostraram que a empresa já operava as cavas Norte, em Itinga, e Sul, em Itinga e Araçuaí, antes de obter a licença definitiva do conselho estadual.

O que diz o TAC da Sigma Lithium assinado com Minas Gerais

Pelo acordo, a Sigma Lithium está autorizada a retomar as operações nas áreas cobertas pelo termo, desde que cumpra as medidas de adequação e os prazos combinados. Em comunicado a investidores, a empresa informou que os ajustes devem custar cerca de US$ 1 milhão, além de uma multa de US$ 540 mil referente a infrações cometidas entre 2013 e 2022. Procurada pelo portal O Fator, a Feam confirmou a assinatura e afirmou que o documento revoga parcialmente a suspensão das atividades, “condicionada ao cumprimento das medidas de adequação, dos prazos e das demais obrigações estabelecidas”. O órgão também informou que as defesas administrativas apresentadas pela empresa nos autos de infração seguem o fluxo normal de análise, respeitando a ordem cronológica de recebimento.

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Vista aérea do complexo Grota do Cirilo, da Sigma Lithium, em Araçuaí e Itinga
Complexo Grota do Cirilo, entre Araçuaí e Itinga, onde a Sigma Lithium retomou operações após o TAC. Crédito: Gil Leonardi/Imprensa MG.

Negociação avançou sem os técnicos que decretaram o embargo

Segundo apurou o portal O Fator, a negociação do TAC da Sigma Lithium não passou pelos técnicos da Feam no Vale do Jequitinhonha, os mesmos que assinaram os autos de infração e decretaram a suspensão. A elaboração do documento ficou a cargo do alto escalão do órgão, principalmente das chefias da diretoria de Gestão Regional e da gerência de Suporte Técnico. O veículo também relatou que a diretora de Gestão Regional da Feam, Kamila Esteves Leal, foi exonerada em 18 de agosto e reconduzida ao cargo já no dia seguinte, episódio que reforça a percepção de que a negociação concentrou decisões fora da equipe técnica que apurou as irregularidades.

Comunidades quilombolas contestam o TAC da Sigma Lithium na Justiça

Enquanto as tratativas avançavam, a Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, a N’Golo, recorreu à Justiça Federal pedindo a suspensão das negociações. A entidade protocolou o pedido em 27 de julho na Vara Federal Cível de Teófilo Otoni, seis dias depois de as conversas entre a Sigma Lithium e o governo estadual terem começado, e argumenta que qualquer acordo deveria ser firmado somente após uma Consulta Livre, Prévia e Informada às comunidades quilombolas afetadas pela mineração. Até a publicação desta matéria, não havia confirmação pública sobre o desfecho desse pedido nem sobre se a consulta chegou a ser realizada antes da assinatura do TAC.

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Por que o Vale do Jequitinhonha virou aposta do lítio em Minas

A região de Araçuaí e Itinga é hoje um dos principais polos de mineração de lítio do país, batizada por parte da imprensa de “Vale do Lítio” pela concentração de projetos ligados à cadeia de baterias e veículos elétricos. Municípios mineiros já disputam espaço nesse tipo de receita mineral: em cobertura anterior, a Folha de Patrocínio mostrou como royalties de mineração da Vale podem render bilhões a cidades de Minas Gerais, num setor que combina peso econômico relevante com histórico de conflitos ambientais e questionamentos de comunidades locais, como o que agora envolve o TAC da Sigma Lithium.

Até a publicação desta matéria, a manifestação pública da Sigma Lithium sobre o caso se limitava ao comunicado enviado a investidores na sexta-feira, sem menção direta à ação movida pela Federação N’Golo.


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