O Hospital Santa Casa de Patrocínio divulgou nesta quinta-feira (20) uma nota oficial negando qualquer negligência no atendimento prestado à paciente Nayara Oliveira Silva, que morreu enquanto estava internada na unidade. Segundo a instituição, o caso é apurado pela Polícia Civil de Minas Gerais desde o óbito, e toda a documentação médica e as imagens do sistema de segurança já foram entregues à corporação.

A morte da paciente já havia sido noticiada pela Folha de Patrocínio há cerca de uma semana, quando o falecimento foi confirmado sem que as circunstâncias fossem detalhadas. Agora, diante da repercussão do caso e da apuração policial em curso, o hospital voltou a se manifestar publicamente para reforçar sua versão dos fatos e explicar os limites do que pode divulgar.

O que diz a nota da Santa Casa de Patrocínio

No comunicado, a Santa Casa de Patrocínio afirma que a paciente “foi corretamente amparada em todo o momento da internação, sendo acompanhada de perto pelos respectivos profissionais de saúde”. A instituição diz ainda que atendeu a todas as solicitações dos órgãos públicos competentes e que, dentro de sua responsabilidade institucional, buscou prestar auxílio à família de Nayara desde o início do processo.

O hospital reforça que agiu “em total respeito à família da paciente, buscando amenizar a dor de todos os envolvidos” e defende que o momento exige serenidade e respeito à privacidade da paciente falecida e de seus parentes. Por isso, segundo a nota, a instituição não vai divulgar dados sensíveis do caso, citando a legislação de proteção de dados (LGPD) e o sigilo médico como limites éticos e legais para qualquer nova informação.

Investigação da Polícia Civil

De acordo com a Santa Casa de Patrocínio, a Polícia Civil de Minas Gerais já iniciou o trabalho necroscópico do caso, que ainda não foi concluído porque o material biológico coletado precisou ser enviado para a capital do estado, onde são elaborados os laudos periciais. O hospital afirma que a documentação médica completa da paciente e as imagens do circuito de segurança interno já estão em posse da corporação para a análise necessária.

A instituição diz que, assim que a apuração da Polícia Civil for concluída, poderá se manifestar novamente sobre o caso, sempre respeitando os limites legais do sigilo médico. Até lá, segundo o comunicado, não haverá novos posicionamentos públicos, “exatamente em respeito à dor dos familiares e ao sigilo ético exigido ao caso”.

Fachada do Centro Médico Santa Casa de Patrocínio, unidade de saúde em Patrocínio, MG
Fachada do Centro Médico Santa Casa de Patrocínio, em Patrocínio (MG). Foto: Divulgação/HSCP

Relembre o caso

Nayara Oliveira Silva (o nome também aparece grafado como “Naiara” em registros anteriores) teve a morte confirmada em agosto, gerando comoção em Patrocínio e repercussão nas redes sociais da cidade. À época, familiares e conhecidos prestaram homenagens à paciente, e a Folha de Patrocínio noticiou o falecimento com base em nota divulgada pela funerária responsável. Desde então, o caso passou a ser tratado como uma apuração formal pela Polícia Civil, o que levou a Santa Casa de Patrocínio a se posicionar novamente de forma mais detalhada sobre os cuidados prestados durante a internação.

Sigilo médico e LGPD: o que a lei permite divulgar

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) classifica informações de saúde como dados pessoais sensíveis, sujeitos a regras mais rígidas de tratamento e divulgação do que dados comuns. Prontuários, laudos, diagnósticos e demais registros clínicos de um paciente só podem ser compartilhados publicamente em hipóteses bastante restritas, geralmente mediante autorização da família ou determinação judicial. É esse arcabouço legal, somado ao Código de Ética Médica, que a Santa Casa de Patrocínio cita como justificativa para não detalhar publicamente os aspectos clínicos do caso enquanto a investigação da Polícia Civil estiver em curso.

Na prática, isso significa que a instituição pode confirmar fatos gerais, como a existência da apuração e a entrega de documentos às autoridades, sem expor informações específicas sobre o histórico médico da paciente, o que só poderia ser tornado público pela própria Polícia Civil ou pelo Ministério Público, caso e quando o inquérito for concluído.

O que se sabe até agora

Até a publicação desta matéria, a Polícia Civil de Minas Gerais não havia divulgado um posicionamento público detalhado sobre o andamento da apuração envolvendo a morte de Nayara Oliveira Silva. A Santa Casa de Patrocínio, por sua vez, mantém a posição de que agiu corretamente durante todo o período de internação e afirma estar colaborando integralmente com as autoridades. A Folha de Patrocínio vai acompanhar o desdobramento do caso e atualizar esta cobertura assim que houver novas informações oficiais.