Reverendo Roberto Brasileiro lembra infância de filho de ferreiro
No vídeo da ACIP/CDL para a Semana das Crianças, o pastor conta das compras de jacá, do coral da igreja e da calça rasgada que o mandou para trás.

A infância do reverendo Roberto Brasileiro teve compras de casa feitas em jacá de palha, um coral de igreja e uma calça rasgada que o mandou para o fundo do palco. O pastor de Patrocínio, de 75 anos, contou essas lembranças num vídeo de pouco mais de dois minutos que a ACIP/CDL Patrocínio publicou neste domingo (11), dentro da programação da Semana das Crianças.
Sentado diante de uma estante de livros, ele começa cumprimentando “as minhas crianças” e dizendo que é muito bom ser criança. A única coisa que gostaria de recuperar daquele tempo, afirma, é a chance de brincar, rir e pular com elas. O resto do depoimento conta uma infância bem diferente da de hoje.

O comprador oficial da casa
Segundo o reverendo Roberto Brasileiro, a infância dele começou com uma tarefa de gente grande: ele era o comprador oficial da casa. Naquela época, conta, os mantimentos vinham da zona rural de Patrocínio dentro de jacás, aqueles cestos redondos de palha que as crianças de hoje quase não conhecem. Ele ia buscar as compras na porta de um comércio antigo da cidade.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O pastor chama aquele período de época de empreender. Comprar o que faltava em casa era rotina para o menino, e as responsabilidades chegaram cedo. Ele não diz com que idade começou.
A calça rasgada e o coral da igreja
A segunda parte da história acontece dentro da igreja. O reverendo Roberto Brasileiro conta que sempre gostou de cantar, ainda que nunca tenha aprendido, e por isso entrou para o coral. No dia da apresentação, foi com a melhor roupa que tinha, arrumada com capricho. A calça, porém, tinha furos e partes rasgadas, que a mãe costurava para ficar apresentável.
Quando chegou, ele foi colocado na primeira fila. A diretora do coral olhou para a calça e disse que ninguém se apresentaria na frente com uma peça rasgada. O menino foi para trás. “Se fosse hoje, seria diferente”, comenta ele, no vídeo.
Foi ali, diz o pastor, que descobriu que uma criança pode sofrer bullying pela condição em que vive. Ele era de uma família muito pobre, de ferreiros. A experiência, segundo ele, despertou o olhar para as pessoas e o fez valorizar quem passa por situação parecida.
Alpha for MenReverendo Roberto Brasileiro: do filho de ferreiro ao Supremo Concílio
Do episódio do coral, o reverendo tira a conclusão que resume a carreira. Ele afirma que entendeu ali que a vocação dele era cuidar de pessoas, e que desenvolveu a teologia e chegou aonde chegou só para isso.
Nascido em 2 de junho de 1951, em Guimarânia, filho do ferreiro Alberto da Silva, Roberto Brasileiro se formou no Seminário Presbiteriano do Sul em 1975 e foi ordenado pastor em 1976. Desde 1983 é pastor efetivo da Igreja Presbiteriana do Bairro Constantino, em Patrocínio. Presidiu o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) por 24 anos, de 2002 a 2026, o mais longo mandato da história da denominação, e hoje integra a nova mesa como vice-presidente. Ele é pai do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro. A trajetória completa está na reportagem sobre o reverendo Roberto Brasileiro.
A mensagem para as crianças de hoje
No fim do vídeo, o reverendo deixa um recado direto para quem está crescendo agora. As experiências marcam a vida, diz ele, e a criança não pode desanimar nem fugir das coisas que aparecem pelo caminho. O que importa, segundo o pastor, é ser você mesmo, “esse menino vibrante, alegre, feliz”, e desenvolver o que Deus colocou em cada um.
A legenda do vídeo, publicada no perfil da ACIP/CDL no Instagram, diz que toda infância tem histórias que merecem ser lembradas. Segundo a entidade, a ideia é homenagear quem já foi criança e quem vive essa fase hoje, lembrando que brincar, sonhar, aprender e guardar boas histórias continua valendo.
A Semana das Crianças em Patrocínio
O depoimento do pastor faz parte dos vídeos que a ACIP/CDL preparou para a Semana das Crianças, com moradores contando como era ser criança na cidade. Na quinta-feira (8), a Folha mostrou outro relato da programação, o da superintendente do Hospital do Câncer, que passou a infância entre a rua, a garagem de casa e uma funerária: Andréia Ribeiro, do Hospital do Câncer, conta sua infância de paquita em Patrocínio.
A data também teve festa. O evento Aventuri reuniu 301 crianças em Patrocínio, e a festa gratuita do Dia das Crianças, com shows até o meio-dia, está marcada para o dia 24. A ACIP/CDL reúne lojistas e empresários da cidade e mantém os vídeos no próprio perfil no Instagram.
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