Quem paga a dívida de mais de R$ 600 milhões da arena do Corinthians? Caixa, banco público, fecha sigilo
Termo de confidencialidade assinado em Brasília, com o ministro Boulos presente, deixa sob reserva proposta, valor e prazos da dívida com o banco público.

Quem paga a conta da arena do Corinthians? A pergunta ficou mais incômoda na sexta-feira (16), quando a Caixa Econômica Federal, um banco público, e o clube assinaram em Brasília um termo de confidencialidade para negociar a dívida do estádio, estimada em mais de R$ 600 milhões. A assinatura aconteceu a nove dias do segundo turno da eleição presidencial, com o ministro Guilherme Boulos entre os presentes, e o que está sendo discutido passou a correr em segredo.
O que foi assinado em Brasília
Pelo lado do clube, estavam o presidente Osmar Stabile e diretores. Pela Caixa, dirigentes do banco. Também participaram representantes da Gaviões da Fiel e o ministro Boulos. O documento permite que as duas partes troquem informações e propostas sob sigilo e não fixa acordo algum: não há negócio fechado.
Em nota conjunta, Caixa e Corinthians dizem que avançaram nas conversas sobre alternativas para melhorar a relação entre as duas partes e que as tratativas seguem em curso, em um ambiente de cooperação, responsabilidade legal e transparência. A nota não cita valor, proposta nem prazo. Transparência, no caso, é uma palavra que combina mal com um termo de sigilo.
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O financiamento da Neo Química Arena foi renegociado na gestão de Duílio Monteiro Alves e tem quitação prevista para 2041. Os números que circulam variam: o balanço do clube aponta cerca de R$ 630 milhões, e estimativas divulgadas nos últimos dias chegam a R$ 640 milhões e R$ 650 milhões. Há ainda uma multa de quase R$ 200 milhões ligada a atrasos nos pagamentos. Nem a Caixa nem o clube confirmaram o valor atualizado.
O sigilo, aliás, não é novidade. Em fevereiro de 2024, o presidente da Caixa, Carlos Vieira, já dizia que o banco mantinha acordo de confidencialidade com o Corinthians e que a conversa avançava de forma positiva. O clube havia apresentado uma proposta ao banco em novembro de 2023. Quase três anos depois, o público continua sem saber quanto o banco aceita receber.
O que está na mesa para a arena do Corinthians
A ideia mais comentada é a Caixa assumir os direitos de nome do estádio. Hoje, o contrato com a Hypera Pharma rende ao clube cerca de R$ 15 milhões por ano. O Corinthians avalia que o valor de mercado seria próximo de R$ 70 milhões anuais, número que serviria para abater a dívida. Também entram na conversa a centralização das operações bancárias do clube, o pagamento da folha salarial e produtos ligados ao programa Fiel Torcedor, além da revisão dos encargos e da cobrança da multa.
Em português claro: parte do pacote é rever as condições de uma dívida de mais de meio bilhão de reais com um banco controlado pela União. Negociar é legítimo, mas o dinheiro envolvido é de um banco público e, por isso, interessa também a quem não torce para o Corinthians.
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As perguntas sem resposta
Qual é o valor exato da dívida hoje? Quanto de juros e de multa a Caixa aceita perdoar? Quem calculou os R$ 70 milhões do naming rights, e por que o banco concordaria com esse número? O conselho de administração da Caixa já analisou a proposta? Nada disso foi informado, e nenhum prazo foi divulgado para um desfecho.
A Lei de Acesso à Informação alcança entidades controladas pela União, como a Caixa, embora preserve os sigilos bancário e comercial. Cabe ao banco explicar o que, nesse caso, pode e o que não pode ser público.
Eleição no clube e eleição no país
Segundo comunicado do Conselho Deliberativo, a eleição presidencial do Corinthians está marcada para 28 de novembro, com cinco chapas. Stabile não disputa, e o próximo presidente herda a negociação. No plano nacional, o segundo turno é no domingo (25).
Nada do que se sabe até agora liga a negociação ao calendário eleitoral: as conversas com a Caixa começaram em 2023, bem antes da campanha. Mas a assinatura de sexta-feira caiu a nove dias da votação, com um ministro do governo na sala, e é esse o motivo de o eleitor ter o direito de perguntar. O assunto conversa com outros que a Folha já tratou, como o custo do fim das bets para o patrocínio do clube, a discussão sobre patrocínio do governo a clubes e o debate sobre o pacote eleitoral de R$ 300 bilhões.
Até a publicação desta matéria, a Folha não encontrou valor oficial da dívida divulgado pela Caixa ou pelo Corinthians. Quando um dos dois informar números, a matéria será atualizada.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.




