A Menina da Bota é candidata a deputada federal por Minas Gerais nas eleições de 2026. Maria José Mendes, de 21 anos, oficializou a pré-candidatura pela federação União Brasil-PP durante convenção do partido em Belo Horizonte, na última segunda-feira (3).
Natural de Angelândia, no Vale do Jequitinhonha, e hoje moradora de Setubinha, a jovem ficou nacionalmente conhecida em 2024 por vídeos cantando e dançando de bota no quintal de casa. Hoje soma cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram.
Quem é a Menina da Bota
O apelido que deu nome à candidatura vem de um vídeo viral no qual Maria José aparece dançando ao som de uma música com o refrão “menina da bota”. Desde então, seu conteúdo nas redes retrata o cotidiano rural do Vale do Jequitinhonha, uma das regiões de menor renda per capita de Minas Gerais, quase sempre filmado com humor e linguagem direta, com ela usando as botas que deram origem ao apelido.
Na convenção de segunda-feira, a influenciadora manteve a estética que a tornou conhecida: chegou ao evento com uma jaqueta jeans personalizada, estampada com o desenho de uma bota e o nome “Menina da Bota” nas costas. A candidatura foi registrada ao lado de outros nomes da federação, de olho no pleito de outubro de 2026.
A federação União Brasil-PP tem usado a mesma convenção para fechar peças importantes da disputa em Minas Gerais neste ciclo eleitoral, incluindo o apoio à reeleição do governador Mateus Simões e a definição de candidaturas ao Senado. A entrada de Maria José Mendes na chapa de deputados federais segue a mesma lógica de ampliar o leque de nomes da federação, agora também na disputa proporcional.
O que muda até a eleição
O ato desta semana em Belo Horizonte é uma etapa partidária, não o registro oficial da candidatura. Convenções definem quem cada legenda vai levar às urnas, mas o cadastro formal junto à Justiça Eleitoral só acontece depois, dentro do prazo definido pelo calendário eleitoral do TSE para 2026. Até lá, o nome de Maria José Mendes segue como pré-candidata da federação União Brasil-PP.
A escolha de uma influenciadora sem histórico prévio em cargos públicos ou partidos não é um caso isolado neste ciclo eleitoral. Legendas menores costumam apostar em nomes com grande base de seguidores para tentar puxar votos de legenda, estratégia que abastece o coeficiente eleitoral do partido mesmo quando o próprio candidato não é eleito.
O debate sobre influenciadores na política
A candidatura reacendeu uma discussão que já vinha ganhando força em Minas Gerais: até que ponto engajamento nas redes sociais se traduz em capacidade de representação política. Do lado crítico, a pergunta que se repete é se legendas menores estão priorizando fama em vez de experiência de gestão ou propostas concretas para regiões como o Jequitinhonha, historicamente carente de investimento público.
Do outro lado, o argumento é que a proximidade que influenciadores como Maria José Mendes constroem com o público pode aproximar a política de eleitores que normalmente não se sentem representados por candidatos tradicionais, sobretudo em regiões do interior mineiro pouco visibilizadas na cobertura política do estado.
O Vale do Jequitinhonha, região de origem da candidata, segue entre as áreas de menor renda per capita e IDH mais baixo de Minas Gerais, segundo dados históricos do IBGE e da Fundação João Pinheiro. Uma candidatura nascida ali carrega, ao menos no papel, a chance de levar essa realidade para o debate legislativo em Brasília, mas isso depende de propostas concretas para a região, algo que a pré-candidatura de Maria José Mendes ainda não detalhou publicamente. Caberá ao eleitorado de Minas Gerais decidir, em outubro, se esse capital de popularidade se converte em votos.

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